Saber orientar-se numa cidade não significa muito. No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução.

Walter BENJAMIM

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

F E L I C I D A D E

para ver mais desenhos de Tâmara Lyra, clique aqui.

Após os textos “Anota na caderneta!” e “Como Neymar no Santos”, decidi encerrar aqui a trilogia de crônicas sobre meu estágio como professor no Colégio Estadual Prof. Carlos Valadares lá em Santa Bárbara. Neste, devo falar brevemente sobre uma aluna específica e um presente que ganhei da mesma no meu último dia de aula.

Em sete meses trabalhando na terra de Fernando de Fabinho posso concluir que fui um profissional apático e bem-humorado, que não me importava muito com as coisas e dificilmente estourava a cabeça por um aluno. Acreditem, vocês não irão ganhar o respeito de uma turma se simplesmente ficar rindo de tudo o que ela faz. Num dia qualquer, no período do intervalo, eu estava conversando com algumas alunas da 5ª série, e falei que elas e seus colegas eram tão bagunceiros que um dia eu “voltei cho-ran-do pra casa”. As crianças se recusaram a acreditar (de fato era mentira), mas eu me impressionei com esta incredulidade. Não sei até que ponto os leitores conhecem a realidade dos estagiários-professores da UEFS: aqui, dificilmente conseguimos vaga em escolas públicas do estado ou do município no centro da cidade ou em bairros próximos. O colégio necessitado sempre está localizado num bairro periférico ou num município a 20, 30, 40 km. E, quando o caso é o nº 1 – bairros periféricos ¬–, quase sempre o colégio é do tipo “barra pesada”, o que resulta na desistência de mais de 50% dos estagiários nas quais todos alegam impossibilidade de exercer esta ingrata profissão – antes da desistência oficial, muitos (mulheres em sua maioria) voltaram para casa chorando em algum momento. Por isso fiquei surpreso com o ceticismo dos meus alunos; aquilo me incutiu uma suspeita: será que os estudantes baderneiros das escolas barra-pesada crêem que seja impossível um professor chorar?

Não sei como está a realidade da relação professor-estudante nas escolas particulares, mas aquilo que se vê nos filmes não é muito verossímil. Nas novelas, muitas vezes vemos um personagem-professor se relacionando muito bem com um personagem-aluno, auxiliando-o em sua vida pessoal, aconselhando-o, tornando-se seu amigo. O aluno – essa é a parte mais importante – aceita de bom grado o ombro conselheiro do seu mestre, pois precisa de um apoio que não encontra em casa; este aluno é alguém sensível e que se entrega ao primeiro professor que demonstrar sensibilidade suficiente para receber um aluno entregado. Nas escolas públicas, as coisas não acontecem assim.

Confesso que fui impelido pelo sentimento de novela e ficções ao tentar, esporadicamente, travar relações com alguns alunos que cri necessitarem de ajuda psicológica. De um modo geral, eu sempre os chamava atenção para pirraçá-los, fazê-los acreditar em mentiras extravagantes (certo dia, ao aplicar uma avaliação, para convencê-los de que eu não tiraria as dúvidas de ninguém, resolvi dizer que eu era meu irmão gêmeo, pois meu irmão João não pôde vir naquele dia; e como eu não era João, mas Tiago, eu não sabia nada da matéria. Os alunos não queriam acreditar nisso, mas ficaram inseguros e tentavam me desmascarar de todas as formas – sem sucesso, pois eu estava muito atento quanto a isso); mas às vezes eu adotava o tom sério de segundo pai – e foi aqui que meu insucesso se tornou tão natural quanto frustrante.

Todas aquelas crianças, sem exceção, são inacreditavelmente orgulhosas. Todos os pestinhas com os quais tentei conversar sobre algo recusaram minha ajuda, demonstravam uma auto-suficiência que não tinham, me hostilizavam em minhas tentativas. Mesmo que sentissem vergonha ou timidez, jamais confessariam esses dois sentimentos. Aquelas cenas que tanto imaginei do professor que consegue domar um aluno-problema, do professor que consegue fazer sorrir uma aluna sorumbática, do professor que consegue fazer participar da aula um aluno que se sentia incapaz, e tantas outras, são todas falsas. Não creia que isto possa se dar de maneira intencional e planejada; quando acontece de um aluno gostar de um professor e se abrir com ele, muito disto é puro acaso ou simpatia à primeira vista. Sem contar que eles são altamente imprevisíveis. Quando anunciei que sairia do colégio, alunos que eu não esperava lamentaram profundamente minha saída, enquanto outros que eu jamais pude imaginar que gostariam da notícia, comemoraram e pularam de alegria e, brutalmente, falaram na minha cara que pela graça de Deus eu iria embora dali. Uma aluna da 5ª série, de tão atrevida quanto Neymar no Santos, numa certa aula se recusou a obedecer às minhas ordens, alegando que, como eu iria sair dali mesmo, ela não tinha porque me dar atenção. Contudo, o que eu não sabia era que, embora os alunos da rede pública façam de tudo para não se abrir com os professores, as tentativas destes professores não passam em branco na cabeça de alguns deles.

A estudante a que me referi no início do texto estuda na turma B da 6ª série, no turno vespertino. Minha disciplina, nesta turma, é Redação (hoje denominada “Eixos Temáticos”; meu tema era Identidade e Cultura). Como último trabalho da III unidade, passei o seguinte trabalho: cada aluno deveria, individualmente, escrever um diário pessoal comentando todas as nossas aulas da III unidade. A estrutura seria livre, e o aluno poderia, de maneira criativa, confeccionar o diário da maneira que mais o agradasse, incluindo aqui não só textos como imagens, mensagens, paráfrases, etc. Nesta semana eu corrigi os trabalhos e a grande maioria eram banais, até chegar no diário de Fulana. Seu diário era impressionante, e possuía uma estética exemplar, uma estrutura fortemente literária. Ela realmente emulou um diário de verdade de uma maneira criativa, como quase ninguém soube fazer. Devo reproduzir aqui a estrutura desse diário.

1 - Capa- DIÁRIO ESCOLAR

2 -  comentários sobre a 1ª aula

3 – comentários sobre a 2ª aula

4 – comentários sobre a 3ª aula
(Aqui ela escreveu simplesmente “Nada a declarar”)

5 – Mensagem
Para o senhor querido professor

Se um dia o vento levar seus momentos de felicidade não fique triste porque o que o vento leva ele traz de volta.

Te adoro!

6 - comentários sobre a 4ª aula

7 - comentários sobre a 5ª aula
Aqui ela colocou um P.S., a parte mais importante do diário: “Professor, o senhor pelo que eu conheco é uma pessoa legal, eu sei que no diário não era para colocar isto mas vou colocar eu não esqueco no dia que eu tava no canto triste e a única pessoa que veio falar com migo foi o senhor muito obrigado por ser uma pessoa legal e inteligente.

Não foi isso que aconteceu na aula
mas foi isso que eu quis dizer”

Sim, ela estava se referindo a um dia bastante remoto em que, ao vê-la triste e cabisbaixa num canto da escola, afastada de todos os outros, eu fui lá e sentei ao seu lado e tentei animá-la, puxar conversa, em vão. Eu havia concluído que esta tinha sido mais uma tentativa frustrada de ajudar um aluno, e que ela esqueceria o ato no mesmo instante, até ler no seu diário e ver que aquilo pelo visto deve ter sido importante para ela - e fiquei comovido, na verdade emocionado, ao saber que apenas o fato d’eu ter me dirigido até lá havia sido suficiente. E foi esse o presente que recebi desta aluna.

Continuando o diário:

8 - comentários sobre a 6ª aula

9 - comentários sobre a 7ª aula

10 – Comentário extra:
“Para mim o que é as aulas de redação?
Redação para mim é a matéria mas fácil de se aprender e é uma matéria muito especial para quem gosta as aulas de redação é super divertida anima qual quer pessoa para quem não conhece passa a conhecer

Leia a outra parte 
(ela escreveu isso para eu virar a página)

Para o senhor

F - ica
E - sta
L - embrança
I - nesquecível
C - omo
I - nvestimento
D - a nossa
A - mizade
D - e ontem, hoje, amanha
E - sempre

11 - Professor João Daniel.

Nuca esqueca da sua aluna

Xata.

As pessoas que tiveram o privilhejo de te conhecer a pessoa mas alegre. Eu te concidero não so como professor e sim como amigo.

12 - Desejo para o senhor

- tristeza
+ alegria
X amor
/ por dois corações

13 - 1.000 felicidades 
Ok. 
(aqui a mensagem foi desenhada dentro de um coração desenhado e pintado de vermelho)

14 – “Seja feliz com ou sem multivo.”

“Amizade não se compra se constrói.”

“Dê risada sem multivo”

Ass: sua querida aluna. Gostou? R= (aqui no caso ela deixou um espaço para eu responder, hahahahahahaha!)

E eu respondi: adorei!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O projeto inconsciente


Em outubro deste ano conheceremos o novo presidente do Brasil. Enquanto eu ainda não sei em quem votar, continuo utilizando o critério de eliminação. Chegará um momento, contudo, em que será necessário escolher – e as opções não ajudam.
 

Não assisto a telejornais e nunca me acostumei a comprar jornais e revistas, e admito que faze-lo é importante neste período de eleições. O caso da quebra de sigilo da filha de José Serra, por exemplo, ficou, ao que parece, bombando na mídia; o que eu não sabia, e li anteontem aqui, é que a própria vítima já havia supostamente feito o mesmo a tempos atrás. O programa eleitoral de Serra, à época, fora brilhantemente estruturado – lembrava até mesmo dos problemas de Lula e sua filha com Fernando Collor, no ano em que este último fora eleito presidente. Me pareceu uma boa tática, suficiente até, mas com essa “nova” informação Serra deve estar praticamente perdido. Na sua megalomania em acreditar que implantou e foi o criador de todos os programas de saúde do Brasil em vigor (o caso dos remédios genéricos é o mais grave), afigura-se quase patético quando Serra, intercalando a si próprio hoje com imagens de sua juventude militante, declara que sempre quis ser presidente do Brasil, mas que jamais faria isso a qualquer preço.

Nunca tive pretensões de convencer algum eleitor a votar em tal candidato, mas confesso que desta vez estou torcendo para que ninguém vote em José Ronaldo. Em sua arrogância política, este candidato do DEM foi capaz de pressupor que já teria os votos de Feira de Santana, por já ter administrado a Gloriosa. E, comodamente, esqueceu-se de fazer campanha por aqui (a carreata de domingo foi um milagre: certamente que o alertaram de que, se ele não fizesse ao menos esta, poderia se prejudicar bastante ). Em sua propaganda, jamais constrói uma frase cujo sujeito ou objeto é Feira com o verbo conjugado no futuro. Recentemente, recebeu o título de cidadão soteropolitano. E os políticos que o apóiam, ao fazê-lo, proferem o seguinte argumento: “José Ronaldo já não é mais (apenas) de Feira de Santana”.
 

O nosso ex-prefeito deixou para Nelsinho da Kamys a função de realizar a “parte feirense” da sua campanha. Mesmo após os escândalos envolvendo sua pessoa e a Lei Ficha Limpa, Nelsinho pôde lançar sua candidatura. Não é daqueles políticos auto-suficientes, pois cita o nome de Zé Ronaldo em seus jingles e discursos (o TSE bem que poderia proibir a aparição de Lula nas propagandas da Dilma) - não deverá ser eleito. Seus dois companheiros Graça Pimenta e Fernando Torres (candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente) têm se destacado pela quantia imensurável de grana que vêm torrando em suas campanhas. O caso de Graça Pimenta é ainda mais alarmante – não dá pra saber de onde a atual primeira-dama da cidade tira tanto dinheiro. Com certeza os dois, juntos, já gastaram mais verba do que gastarão em seus mandatos para melhorar as coisas por aqui, caso sejam eleitos.

O maior projeto realizado por Wagner em seus 4 anos de governo fora concebido inconscientemente: despertar nos baianos o sentimento de bairrismo e, a partir daí, promover uma divisão arbitrária: uma parcela aceitou-o como baiano de coração e amou-o como a uma versão baiana de Lula. A outra, do contrário, desde sempre lhe nutrirá desafeto e desconfiança; para alguns destes, Wagner nem sequer é brasileiro, mas um gringo, um galego. Eu, mesmo abominando o bairrismo e a xenofobia de um modo geral, gastei a exceção da regra que eu tinha por direito, e escolhi fazer parte da segunda parcela. A implosão da Fonte Nova para construção bilionária do novo estádio é um crime, e a sugestão do seu nome popular dada por Wagner – Lulão – é crime maior ainda.
 

Infelicidade é saber que os oponentes de Wagner estão muito fracos. Geddel nunca terá o carisma que aparenta nem a fibra que a muito custo finge que tem. Paulo Souto demonstra uma decadência de espírito que não deve estar agradando nem um pouco lá no outro mundo seu falecido líder, o ACM. Não haverá segundo turno. Wagner, infelizmente, será reeleito. O voto é secreto, mas acho que o meu irá para o insólito Sandro Santa Bárbara, pelo absurdo critério de que, em sua propaganda eleitoral na TV, a música de fundo é de Arcade Fire, banda que admiro bastante. Só espero que, no dia da minha visita à urna, eu já tenha feito uma escolha mais coerente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Feirenses III

desenho de Tâmara Lyra (clique aqui para ver mais)

A minha amiga-enigma Clarisse Lyra (autora deste blog) foi tentar o mestrado em São Paulo. Sei que sou fera em expor a vida dos outros neste humilde espaço, mas, no caso específico, não se trata exatamente de revelar uma informação pessoal: na verdade, torno público o fato, neste blog, antes para desejar a Clarisse que logre êxito no seu objetivo e afirmar que é quase impossível que tal não aconteça (devido à inteligência e competência da dita cuja), do que para bisbilhotar sobre sua vida.

O negócio é que eu trouxe à tona este acontecimento após ficar sabendo que os paulistas comprovaram a fama de serem, no geral, desconfiados. Pior: essa desconfiança tem sua hegemonia disputada entre os paulistas de nascença e os “imigrantes” que lá habitam, por incrível que pareça. Naturalmente que, devido a uma maldição internalizada em mim (e tenho esperanças de que em muita gente), de imediato pus-me a refletir sobre os feirenses, a compará-los com os paulistas, a julgar suas virtudes e vícios.

Certo dia, uma colega do curso de Letras na UEFS, conversando comigo, queixou-se de que o baiano era muito receptivo, bondoso, aberto e nós não deveríamos agir dessa forma; deveríamos ser como os paulistas, frios ao ponto de, ao ver um estranho batendo à nossa porta solicitando ajuda, bater-lha na cara sem pronunciar uma só vogal. Não concordei com essa pessoa, no sentindo de que não acho um defeito ser receptivo e bondoso, muito menos qualidade ser frio e desconfiado. Falei que, se o baiano era assim, então estava bom demais e deveríamos nos sentir bem. Mas, na minha opinião, o baiano não é tão receptivo e bondoso assim, porque a Bahia não é só Salvador (supondo-se que esta os seja). A Bahia tem interior – a Bahia tem Feira de Santana.

Só o fato de essa colega, feirense, ter tal visão a respeito das relações humanas já prova que não é bem assim que se dá essa alegria baiana toda. Eu mesmo sou um cara desconfiado. Todavia, não é tão interessante classificar quais povos são desconfiados e quais não são, sobretudo porque em todo lugar esse sentimento existe, é nutrido e, na nossa época, alarga-se cada vez mais. O que chama a atenção mesmo é aquilo que vou chamar de Teoria da Fuga.

Aqui na cidade é impressionante como nós andamos fugindo dos conhecidos. Quando vemos que ele está se aproximando na rua, planejamos atravessá-la, dobrar a primeira esquina, entrar numa loja, fazer qualquer coisa para não encontrar o sujeito. No geral nunca conseguimos e, até o limite de campo de visão e audição, ou seja, até onde o outro não pode lhe escutar ou ler seus lábios, você amaldiçoará aquele encontro casual. Porém, é mais surpreendente ainda quando, assim que a pessoa adentra este campo, você está todo sorrisos e consegue ser razoavelmente simpático e solícito. Confesso que assim o sou também; não gostaria de falar com muita gente que falo; aliás, gostaria mais ainda de não parar para falar com algumas pessoas que param para conversar comigo. Nós feirenses não somos no geral apressados ou impacientes; mas, essa “fuga”, ou desejo de fuga, acontece.

A Teoria da Fuga se torna complexa à medida em que vamos percebendo algumas variações. Quem freqüenta as praias de Cabuçú e Praia do Sol sabem que por lá não suportam os feirenses (não é que os odeiem, apenas estão enjoados de suas caras). Somos do interior, não da capital, mas o motivo não é esse: se você disser que é de Santo Amaro, Cachoeira, Amélia Rodrigues, o mais minúsculo município que puder dizer, já está ótimo. A impressão que fica é a de que os feirenses contaminam. No Capão, na Chapada Diamantina, só dava soteropolitano (além dos gringos). Com o passar dos anos, a presença feirense cresceu bastante por lá. Em breve, o Capão será a nova Cabuçú. Nós não gostamos de vermo-nos aqui, mas quando nos encontramos em outros cidade/estado/país, ficamos muito felizes (embora existam algumas diferenças por questões de convenção, por exemplo: não temos problemas em sermos vistos em Salvador, pois não há nada de mais em visitar a capital e, do contrário, é considerado até “maneiro” que façamos isso de quando em quando; por outro lado, alguns de nós ficamos receosos de sermos descobertos visitando o Capão, pois este lindo local está-se tornando cada vez mais um lugar-comum, e, para evitar que sejamos comparados aos “alienados culturais” que lá freqüentam, procuramos despistar aqueles que podem nos acusar desta alcunha). Isto é natural e acontece com qualquer pessoa e em qualquer lugar, mas não podemos esquecer que, em Feira, iremos comentar em conversas que vimos Fulano em tal cidade, fazendo de tudo (de maneira quase involuntária) que ele não saiba que fizemos tal comentário e, mais ainda, que não nos encontremos nem paremos para bater um papo pois seria um alto desagrado conversar justamente sobre o acaso de nos encontrarmos em viagem. Mas, mais incômodo ainda é saber que o Fulano fará o mesmo que nós: contar para alguém sobre nós e fazer com que nós não nos encontremos com ele nem saibamos que ele comentou sobre nós; com tanto esforço para que o afastamento seja constante e considerável, não é de se admirar que, justamente por isso, acabemos nos encontramos, “por acaso”, a todo momento.

Sei que os feirenses são criativos quando necessitam, mas, se cabe aqui a expressão “modéstia à parte”, devo dizer que me surpreendi comigo mesmo ao me deparar com uma forma cínica que achei para fugir daqueles com os quais eu não quero parar para conversar (que é bem diferente de apenas acenar). Uitlizo-a apenas na UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana, onde curso Letras): quando está vindo em minha direção alguém que sei que vai falar comigo e que pode parar, simplesmente, antes que ele me perceba, começo a correr na direção dele, demonstrando desespero e uma pressa terrível, para que eu precise apenas passar por ele, acenar rapidamente e dar um falso sorriso cujo significado é “Hehe, você entende, estou com pressa, não posso parar para falar com você agora”. Até então sempre funcionou. Sei que é absurdo e eu nem deveria revelá-lo, mas, caso você me veja correndo e acenando para alguém, existirá sim a possibilidade de que eu não queria falar com aquela pessoa (isso me lembra uma coisa incrível que Enia, uma amiga minha, fazia, mas eu falarei sobre isso depois, pois por trás dessa “coisa” que ela fazia existia todo um processo em relação ao bairro do Feira VI). Mas, no final das contas, acredito que, por razões óbvias, eu provavelmente nunca faria isso com os leitores do meu blog, que, vale ressaltar, desde que leram meu primeiro post têm minha eterna gratidão.

domingo, 5 de setembro de 2010

Separados no nascimento - Políticos Baianos - Parte I

Colbert Martins, candidato a deputado federal / 
Sylvester Stallone, ator norte-americano

Humberto Cedraz, candidato a deputado estadual /
William Faulkner, escritor norte-americano

Sérgio Carneiro, candidato a deputado federal / 
Arnaldo Antunes, músico brasileiro

César Borges, candidato a senador / 
Cláudio Marzo, ator brasileiro

S'io credesse che mia risposta fosse
A persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza piu scosse.
Ma perciocche giammai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s'i'odo il vero,
Senza tema d'infamia ti rispondo.

Dante Alighieri. La divina Commédia
Inferno, XXVII, 61-66
I see the cities of the earth and make myself at
random a part of them,
(...)
I descend upon all those cities, and rise from
them again.

Walt Whitman, "Salut au monde".