<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582</id><updated>2011-11-08T11:36:12.848-08:00</updated><category term='Trilogia Santa Bárbara'/><category term='ruas'/><category term='Separados no nascimento'/><category term='cidade'/><category term='habitantes'/><category term='bairros'/><category term='lugares'/><title type='text'>O tedioso argumento</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8176396512161496462</id><published>2011-11-08T11:36:00.000-08:00</published><updated>2011-11-08T11:36:12.861-08:00</updated><title type='text'>Limites Feirenses</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OcUSlw2U_v8/TrmDOv0RB_I/AAAAAAAACL8/A696oTxJ6U4/s1600/taxidriver_3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="292" src="http://1.bp.blogspot.com/-OcUSlw2U_v8/TrmDOv0RB_I/AAAAAAAACL8/A696oTxJ6U4/s400/taxidriver_3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;A vida é circular demais. Um dos concorrentes ao Vozes da Terra deste ano, o poeta Lima de Sá (a final é dia 18), uma vez me disse: “O acaso não existe. As coincidências sim, mas o acaso não”. Não faço a menor idéia do que ele quis dizer com isso. Mas devo confessar que as coincidências sempre me deixam atordoados – a vida é circular demais. &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Pois vejam só: há alguns dias eu tive de escrever um texto sobre o filme &lt;i&gt;Crash – no limite&lt;/i&gt;, que eu até gosto, mas não acho grande coisa. Na minha crítica, eu questiono a falta de verossimilhança do “realismo” do filme, isto é: se a proposta era prezar por um realismo verossímil, houve uma derrapada por parte do roteirista/diretor Paul Haggis. Acuso o cineasta de, em seu roteiro, forçar demais as situações com as quais os personagens se vêem diante de conflitos contraditórios: antes, condenam uma postura; depois, eles mesmos praticam essa referida postura. Por motivos que não vêm ao caso, eu também cito o filme&lt;i&gt; Taxi Driver&lt;/i&gt; na minha resenha.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Adianto o tempo agora para a última sexta-feira, dia 04. Eu estava em Salvador, trabalhando na Bienal do Livro da Bahia e, nesse dia em particular, amigos convidaram-me para assistir o show da banda Burro Morto que seria realizado no MAM. Eu só poderia sair do Centro de Convenções às 22:00, mas aceitei o convite. Não pretendia demorar, apenas dar um alô. O pessoal provavelmente se dirigiria ao Rio Vermelho após o término do show, no que eu ia aproveitar para, de lá, regressar à minha residência temporária pagando um táxi mesmo, pois, pela curta distância, não sairia caro. Coisa de 7 reais no máximo.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Outro funcionário que também trabalhava lá na Bienal, e que é professor da UEFS, me levou em casa nesse dia (como todas as outras noites, aliás). No carro, conversávamos sobre banalidades até que resolvi tocar num assunto que já havia me despertado interesse. Indaguei-lhe sobre sua naturalidade e ele revelou o que eu já supunha: ele não feirense, mas de Maceió, capital de Alagoas. Em seguida perguntei o que fazia um típico maceioense sê-lo típico, e se ele se considerava também típico de lá. O professor respondeu que sim, que era um típico maceioense, mas na hora de explicá-lo, ateve-se a questões fonológicas e lexicais (pronúncias carregadas de certas consoantes, vocabulários típicos, etc.). Não era o que eu esperava ouvir, é claro. Mas, diante disso, revelei-lhe que só havia perguntado isso porque já suspeitava que ele não fosse feirense, pelo óbvio motivo de que ele não apresentava características de um típico feirense.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O professor, então, resolveu passar a bola: o que faz um feirense ser um típico feirense? Bom, é essa a pergunta que eu tento responder todos os dias e de todas as formas possíveis aqui neste blog. E uma das primeiras coisas que vêm à minha cabeça é algo que já citei em algum post aqui: a questão da desconfiança. Expliquei ao professor minha “teoria”: o feirense é extremamente desconfiado, mas é uma desconfiança quase infantil, não por ser pueril (não é), mas imatura. O feirense fica fora de si quando descobre que foi vítima da malícia ou da astúcia de outro. Você pode verificar isso nas filas de banco – se algum engraçadinho ousar furar a fila, ele vai pagar caro por isso. Ou então num ônibus – se o motorista passar do ponto, o passageiro vira o próprio demônio. O feirense desenvolveu seu complexo de interiorano partindo da premissa obcecada de que estamos sempre aptos para sermos passados pra trás pelos outros. Porque não somos da capital, somos do interior da Bahia, somos do interior do nordeste e não do sul-sudeste, somos brasileiros e não gringos.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Concluí dizendo que, por essas e outras, eu havia “desconfiado” de que ele, o professor, não era feirense, porque nele não afluía nenhuma dessas características. Sua calma de taurino até me espantava. Ele conseguia operar as coisas sob a lógica da premissa “os fins justificam os meios”. Para os feirenses, rá... isso jamais deve acontecer, se, dentro desse “meio” aí, ele acabar sendo passado para trás ou ser “sacaneado” para que o fim possa acontecer. Não mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Mas voltemos à idéia das coincidências e da vida circular. Depois do show de Burro Morto o pessoal de fato foi pro Rio Vermelho. Lá, poucos minutos depois, me despedi do povo e fui pegar o táxi. Eu tinha uma nota de 5, outra de 2, e uma de 10 reais na carteira. No táxi, a coisa foi simples: qual o destino? Cardeal da Silva, Federação. Era pertinho. 7 reais, na lata.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Então eu chego ao destino e observo no taxímetro que a corrida deu R$8,30. Tudo bem, um real e pouco a mais, nada que fosse gritante. Entreguei a nota de 10 reais e esperei o troco quando o motorista, que até então não havia aberto a boca (acho que nem quando entrei no carro ele perguntou “Para onde?”), me dissera que não tinha troco e, de uma maneira bem grosseira aliás, deu a entender claramente que era pra eu pular fora pois ele ia ficar com os 10 reais.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Me senti, de uma maneira fulminante, dentro do filme &lt;i&gt;CRASH – no limite&lt;/i&gt;. Eu havia acabado de explanar toda a minha teoria sobre os feirenses para o meu professor. Há quem diga que o teórico, ao explicar sua teoria, por sabê-la e concebê-la, estaria, por conseguinte, imune a ela. Não foi o meu caso. Sou feirense. E meu sangue subiu a cabeça quando o filho da puta do taxista disse isso. Fiquei indignado por ter sido “passado para trás”. Por sido vítima da “malícia e astúcia” daquele animal. Eu conhecia minha teoria. Poderia ter descido ali. 1 real e 70 centavos não significavam nada para mim. Sempre digo que não sou apegado ao dinheiro. Mas não consegui deixar barato. Eu precisava falar alguma coisa, ainda que não resolvesse nada. Então questionei que absurdo era esse, se ele estava louco, que ele me devolvesse a nota de 10 e fizesse a corrida por 7 reais. Ele disse que nem pensar, que não sairia perdendo 1,30, que estava registrado no taxímetro, já era! Falei que ele então esperasse eu subir na casa para pegar o dinheiro trocado. Mas o maldito não só deixou o taxímetro ligado como ainda disse que, daqui que eu subisse e pegasse a grana, o taxímetro já teria chegado aos 10 reais. Fiquei mais louco da vida ainda, não quis sair do carro de jeito nenhum (a essa altura no taxímetro já passava dos 9 reais); perguntei o nome dele ao mesmo tempo em que pensava se aquilo não era suspeito demais e se a qualquer momento o miserável sacaria uma arma e levaria o resto da minha grana. Ao me ouvir perguntando seu nome o taxista também ficou puto e disse que se eu quisesse poderia passar lá no Rio Vermelho depois, outro dia, para pegar o troco. Vasculhou o carro e ainda achou uma moeda de 1 real. Me entregou ela. Disse seu nome, de fato; e eu já ia começar a perguntar o telefone também, pedir identidade, registro de taxista, o diabo, ia inventar que era advogado e que ele estava fudido, que ganharia R$ 1,70 agora, mas perderia centenas de reais depois, porque eu com certeza iria processá-lo, iria acabar com a vida dele, ele ia ficar fudido debaixo da ponte e ia ter que escrever carta pra Luciano Huck pra pedir uma casa no quadro &lt;i&gt;Lar Doce Lar&lt;/i&gt;. Mas então eu olhei a Cardeal da Silva, gigante, molhada pela chuva inócua, e pensei nos feirenses, pensei na malícia humana, pensei na minha condição de “feirense intrínseco”, olhei para aquele sujeito - para sua expressão fria como os ventos da Orla - e pensei em &lt;i&gt;Taxi Driver&lt;/i&gt;, pensei em Travis, e então eu desisti dessa merda toda, saí do carro e ainda dei um boa noite, e voltei para casa muito puto – puto com esta situação ridícula, puto por ter sido “sacaneado”, puto por estar puto e saber que não o deveria estar, puto por saber que ainda ficaria com aquilo na cabeça por um bom tempo e relembraria de todos os casos recentes em que fui supostamente sacaneado, puto com os feirenses, com os maceioenses, com os taxistas e os motoboys e Robert de Niro e &lt;i&gt;CRASH – no limite&lt;/i&gt; e com a vida toda, e muito mais puto ainda por saber que no outro dia eu acordaria e ficaria envergonhado por ter desperdiçado a minha cota de estado de puteza por algo tão pequeno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8176396512161496462?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8176396512161496462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8176396512161496462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/11/limites-feirenses.html' title='Limites Feirenses'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OcUSlw2U_v8/TrmDOv0RB_I/AAAAAAAACL8/A696oTxJ6U4/s72-c/taxidriver_3.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3225488097255452316</id><published>2011-08-30T20:52:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T20:52:22.428-07:00</updated><title type='text'>Não sóis máquinas. Homens é que sóis.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-98GlmSbZ4QA/Tl2vQYXhJdI/AAAAAAAACLw/IQzIiVeQuv0/s1600/O+grande+Ditador.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-98GlmSbZ4QA/Tl2vQYXhJdI/AAAAAAAACLw/IQzIiVeQuv0/s1600/O+grande+Ditador.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;A polchete quase sempre é emprestada. Às vezes é uma bolsa que, embora caiba na palma de uma mão adulta e calejada, possui mais de meia dúzia de compartimentos (algo que, cá entre nós, eu jamais compreenderei). Mas quase sempre é uma polchete furada, velha, às vezes é até rosa, outras têm estampa de Hello Kitty e algumas outras citam a Bíblia na costura da agulha. Dentro delas invariavelmente haverá cédulas e moedas, e é incrível como todos os cobradores de Van cuidam de suas respectivas polchetes como se estivessem protegendo uma ferida profunda em seus corpos, uma ferida que ainda não cicatrizou e que há sempre o risco de que, ainda que por acidente, algum descuidado a magoe.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Eles estão sempre recebendo e devolvendo notas imundas de dois reais; passam o dia inteiro correndo e gritando, ao Sol; as lágrimas e o suor se confundem e escorrem por todos os poros; nunca exalam cheiro algum – são inodoros; nunca estão olhando para você (são incolores): quando lhe pedem a passagem, você não se sente encarado (e muitas vezes fica aliviado de ter que desviar o olhar pra baixo, na direção da carteira ou do bolso, para pegar a grana).&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;As pessoas não gostam dos cobradores de Van. Em Feira de Santana, as opções de transporte mais populares, juntamente com os ônibus coletivos, os motoboys e os táxis, são as vans. As vans variam de nome conforme a passagem das gerações. A minha geração utiliza o termo &lt;i&gt;Van&lt;/i&gt;; já a anterior usa &lt;i&gt;Besta&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Kombi&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Topic&lt;/i&gt;; a posterior tem chamado de &lt;i&gt;Sprinter&lt;/i&gt;. Pode-se dizer que o nome “Van”, artisticamente falando, é o mais bem-sucedido. Afinal, há sempre a última carta na manga que é fazer um trocadilho com a palavra “Vã”, forma feminina do adjetivo “Vão”, que significa “Vazio”.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Mas eu dizia que as pessoas odeiam esses cobradores. Porque eles querem lotar o veículo de maneira desumana; querem ser oportunistas, malandros, às vezes são inconvenientes, falam o que não se deve, riem na hora errada, assobiam pelo improvável, &lt;i&gt;incomodam&lt;/i&gt; mesmo. Os clientes, assim que entram, querem imediatamente sair: se sentem mal ao optarem por aquela câmara de gás de um campo de concentração ambulante; se sentem humilhados por não terem carro próprio, por não terem dinheiro para pegar táxi ou mototáxi; sentem-se indignados com a administração pública da cidade por causa dos problemas com os ônibus, seus atrasos e suas deficiências. É penoso pegar uma Van. É repulsivo ser &lt;i&gt;cobrado&lt;/i&gt; por um cobrador de Van; eles não param nunca, são máquinas incansáveis, os homens somos nós, e por isso nunca iremos perdoá-los.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Mas eu nunca consegui odiá-los. Sei que existem outras pessoas que também simpatizam com esses caras. Gosto da sensação que eles passam de estar sempre olhando pro nada, pra um vazio inóspito e gigantesco, maior do que a própria incerteza que aparentemente ronda o futuro deles. Me identifico com a sua forma grosseira de serem educados, com a forma como tentam ser gentis e prestativos de maneira profissional sem denunciar sua “tabaroíce” de interiorano; me identifico com a forma como eles duelam com a própria impaciência, com a forma como eles tentam extrair o lado cômico das merdas que lhes acontecem. Já a cumplicidade com os motoristas é algo enigmático: trocam entre si algumas palavras durante a viagem, mas quando chega o fim da linha e todos os passageiros já desceram (às vezes um fica pra descer mais perto de outro ponto, como eu já fiquei), aí é que mudam de tom e de assunto, começam a utilizar termos e conversar numa espécie de código Morse falado que você jamais compreenderia.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O que seria exatamente eu não sei – porque cobradores de ônibus, por exemplo, odeio quase todos os daqui (e mais ainda os de Salvador). Talvez, quem sabe, eu também me sinta uma “máquina”, como eles; talvez, ao me curvar sobre esta cadeira, com a coluna inclinada, para digitar com o mesmo afinco (ou com a falta dele) de todos os dias, talvez ao roer as unhas, morder o lábio e manter afinal todos os costumes de sempre, talvez por isso não me sinta tão humano, tão imprevisível, complexo e radicalmente inesgotável quanto um humano supostamente deveria ser.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;P.S. se até 2030 a Apple não tiver inventado um Super iPad Fuderoso que possua centenas de funções e dentre elas fazer com que o seu usuário se teletransporte para qualquer lugar - o que inutilizaria carros, motos, ônibus ou Vans e por conseguinte extinguiria o emprego de “cobrador de Van” - eu ainda farei um documentário sobre esses sujeitos – “sujeitos”, por falta de termo melhor, pois usá-lo de fato “parece algo meio metodológico”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3225488097255452316?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3225488097255452316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3225488097255452316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/08/nao-sois-maquinas-homens-e-que-sois.html' title='Não sóis máquinas. Homens é que sóis.'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-98GlmSbZ4QA/Tl2vQYXhJdI/AAAAAAAACLw/IQzIiVeQuv0/s72-c/O+grande+Ditador.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-9180934813557745038</id><published>2011-05-08T13:30:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T13:30:32.273-07:00</updated><title type='text'>Com bom coração</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YUZvb1sYTqE/Tcb7zCxFiqI/AAAAAAAACLo/lKyemF-HTmU/s1600/Sem+t%25C3%25ADtulo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-YUZvb1sYTqE/Tcb7zCxFiqI/AAAAAAAACLo/lKyemF-HTmU/s400/Sem+t%25C3%25ADtulo.jpg" width="280" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pegando emprestado o trabalho de &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://flickr.com/bruxadementira"&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Tâmara Lyra&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Trebuchet MS; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;para ilustrar o post.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Vivemos numa época em que pensar a sua própria atitude se tornou uma obsessão quase doentia. Devido à nova onda do “politicamente correto sim, obrigado”, nossos atos e palavras, bem como o uso destes, precisam estar acima do nosso próprio instinto, da nossa educação e cultura. Devemos controlar nossos impulsos lingüísticos e gestuais, assim como devemos reformular nosso pensamento a cada segundo antes que ele se atreva a sair pela boca. A literalidade subjugou a intencionalidade. Não importa o seu tom de voz, a circunstância e muito menos as suas intenções: se você proferir a frase “a situação ficou preta” - por exemplo - você estará sendo racista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Nunca imaginei que Feira algum dia pudesse ser atingida por essa nova mania, pelo menos não de maneira tão predominante. Porém, é fato que a imagem da cidade esteja mudando neste século XXI. Reparem que, quando imaginamos a “cara” do Rio de Janeiro e tentamos visualizar rostos humanos para representá-los, nos vem à mente pessoas jovens, da faixa etária 20-30 anos. Em São Paulo talvez essa faixa aumente um bocadinho para 25-35 anos. Em Salvador vamos colocar uns 23-31 anos. Agora imagine um, sei lá, Ribeira do Pombal ou Tanquinho ou NOVA FÁTIMA (o caps lock aqui é piada interna, não se incomodem e sigam adiante a leitura): é quase certeza que imaginaremos pessoas mais idosas, numa faixa de 50-70 anos. Por que isso acontece? Por que, em geral, associamos às capitais e cidades grandes o rosto jovem e às cidadezinhas pequenas um rosto velho? Creio que a lógica deva ser a seguinte: naturalmente, o jovem da cidade pequena, a cada nova geração, sente mais necessidade de migrar para a capital em busca da suposta vida melhor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Só que aí eu me pergunto? Qual seria a “cara” de Feira de Santana? Arrisco dizer, embora eu só tenha pouco mais de duas décadas de existência, que certamente até o meio do século passado Feira teria o tal “rosto velho”. Em alguns anos atrás, essa faixa etária foi diminuindo. Mas hoje, nossa cara transformou-se radicalmente; ela não deve ter mais do que 30 anos. A todo momento pais de família vêm para cá seduzidos pelas possibilidades comerciais e suas crianças acabem crescendo e sendo educadas aqui. Depois, então, elas farão de tudo para ir embora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Creio que a universidade estadual da cidade, que tem pouco mais de 30 anos de vida, auxiliou bastante neste processo de imersão profunda da mente feirense no politicamente correto, bem como na redução drástica da faixa etária da “cara” da cidade. Eu mesmo me sinto afetado por estas questões, e recentemente me vi diante de um grande dilema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Era o começo da noite de sexta-feira, no Terminal Central de Ônibus da cidade. Eu estava esperando qualquer ônibus e por acaso me encontrava na plataforma que levava para o bairro de Pedra Ferrada. Quem me conhece sabe que não tenho uma expressão simpática, não tenho beleza global, não tenho nada em mim que possa chamar a atenção. Mas de repente uma estudante do colégio Gastão Guimarães caminhou em minha direção e, de maneira bem descontraída e desinibida, me deu um boa noite. Me cumprimentou educadamente, falou seu nome&amp;nbsp;e logo em seguida perguntou se eu tinha um celular. Achei inusitada a pergunta, mas ela falou&amp;nbsp;em um tom tão jornalístico que eu achei que se tratava de uma enquete, sei lá, um trabalho de colégio sobre o uso de celulares na cidade – poderia ser uma pesquisa de estatística. Respondi um tranqüilo “sim”; e aí ela perguntou se eu não poderia emprestá-lo para ela fazer uma ligação para a amiga. O problema era o seguinte: a amiga dela estava com o seu celular; ela precisava encontrar a tal amiga; como ligar para a dita cuja se o seu próprio aparelho estava na mão desta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Confesso que fiquei muito incomodado. Pensei: “Meu Deus, por que logo comigo? Agora eu já falei que tenho celular, que merda!” Fiquei pensando nas centenas de vezes em que fui passado para trás por causa da minha lerdeza ou boa vontade. Pensei no tanto de vezes que fui recriminado pelos meus pais por causa de alguma merda que fiz desde a infância até hoje. Pensei que o mundo hoje andava tão hostil e violento, e Feira estava cada vez mais insana, então com certeza eu iria negar o celular, pois haveria o risco de que ela pudesse assaltá-lo, sei lá como, pegar ele e sair correndo. Eu iria dizer que ele estava sem crédito ou descarregado, ou que eu o tinha esquecido em casa. Mas, logo em seguida, pensei (detalhe: tudo isso durou milésimos de segundos): por que não emprestá-lo? E se for verdade? E se realmente não for uma aposta que ela fez com os colegas? E se ela realmente precisa falar com a amiga? Ela é estudante de escola pública, morena, quase negra, deve ter uns 15 anos, bonita até, passa lápis nos olhos, que porra é essa?, escova os cabelos, meu deus do céu, se eu negar esse celular estarei sendo preconceituoso, racista, estarei julgando pela aparência, pelo fator social, pela cor, meu deus, MEU DEUS! Ela é mulher, não tem como me assaltar, geralmente ladrões são homens, mas, espere aí!, uma amiga minha já foi assaltada aqui por uma mulher que ainda estava com uma criança no colo!!!! Jesus Cristo!!!!! Não posso dar mole! Não posso vacilar, tenho que ficar esperto! Do jeito que Feira está, todo cuidado é pouco! Se eu perder esse celular aqui, vai ser uma merda muito gigante! E AGORA, MEU PAI?!?!?! Se eu negar, ninguém vai ficar sabendo; ninguém vai poder me acusar de ser racista ou preconceituoso... e de fato não estou... apenas estou me prevenindo, pois ninguém daria um celular para um estranho. Mas ela é quase uma criança! Será que já tem malícia suficiente para querer roubar um cidadão de bem? Se bem que hoje em dia muitos menores já são delinqüentes... os viciados em crack são capazes de fazer qualquer coisa... mas ela não tem cara de que fuma crack. Com certeza não! Por que ela está me olhando assim? Curioso, ela é menor do que eu, mas não levanta o rosto para fixar o olhar em mim, ela levanta apenas os olhos... isso causa uma forte impressão em mim, confesso que fiquei intimidado... intimidado por uma garotinha de 15 anos! João Daniel! O que está acontecendo com você, cara? Calma, cara! Você é muito mané mesmo! Que merda! Eu vou emprestar essa merda. Pronto, decidi. Se eu perder o celular, fudeu. Mas, não posso ter preconceitos. Não, tudo menos isso. Racismo não. Odeio racismo. Tenho que acreditar na nova geração. Ela não está tão perdida assim. Eu sempre digo que Feira é maravilhosa. Terei que acreditar nisso agora. Me lasquei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DB6LKRJrz68/Tcb8L2qruKI/AAAAAAAACLs/d4QhrCE41PI/s1600/400.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-DB6LKRJrz68/Tcb8L2qruKI/AAAAAAAACLs/d4QhrCE41PI/s400/400.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Então eu tirei o celular do bolso e ela perguntou se a operadora era da Oi. Falei que sim, ela comentou “Graças a Deus um Oi!” Isso deu a entender que ela já tinha pedido o celular a outras pessoas. Fiquei aliviado e pensei: “Bom, se ela saiu procurando por toda a parte, então realmente está precisando”. Mas logo em seguida pensei outra coisa: “Mas isso não quer dizer absolutamente nada, seu bundão! Claro que ela pode estar dizendo isso só para lhe enganar! Ou, antes, claro que ninguém emprestou o celular a ela, porque ninguém foi otário como você estará sendo agora”. Tentei puxar o aparelho o mais lentamente possível. Pensei: “Pronto. Já era. Se acontecer o pior, pelo menos sei que agi com bom coração”. Não consegui entregar a ela para que discasse o número; eu mesmo disquei e ainda esperei chamar. Ela aparentou nada se importar com isso; quero dizer que demonstrou uma inocência juvenil na qual não poderia ter malícia para compreender que eu estava fazendo isso porque desconfiava das suas intenções. Mas, poderia ser também um teatrozinho para me enganar - tudo é possível, esses jovens de hoje estão cada vez mais sagazes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Uma pessoa atendeu e então eu, assustado, passei o celular para a moça. Assim que ela pegou, ela se virou de costas e andou uns três passos. Entrei em pânico: “PRONTO! ACABOU! ELA VAI SAIR CORRENDO! ME ARROMBEI, PERDI O CELULAR!” Mas ela parou e conversou com a amiga e resolveu o problema. Me entregou o celular e me agradeceu. Ela não sorria. Apenas me olhava com os olhos, sem levantar o rosto. Não parava de me olhar com aqueles olhos cheios de lápis bem preto ao redor. Ela nem foi embora imediatamente. Perguntou se eu morava em Pedra Ferrada. Depois, perguntou minha idade. Perguntou outra coisa que eu não lembro. Fiquei até com a impressão de que me ela achava curioso. Quem sabe eu era uma figura exótica. Mas eu fiquei tão aliviado que já estava quase à vontade. Em meu bolso tinha vários chicletes, e fiquei pensando que poderia oferecê-la um. Só que eu pensei demais - eu sempre penso demais. Ela finalmente se despediu e caminhou para outra plataforma, onde estavam outros amigos dela. Fiquei com a mão no bolso segurando o chiclete, observando ela se distanciar. Desejei que olhasse mais uma vez para trás, que acenasse, desse um sorriso, fizesse qualquer coisa que compensasse o ridículo vazio que ficou por eu não ter conseguido oferecer um chiclete. Mas ela não se virou. Eu só queria um sorriso de 15 anos. Um sorriso igual aos dos meus alunos da escola do ano passado. Não me parecia ser uma exigência tão grande. Mas não aconteceu. E nós nunca mais nos veremos na vida. Eu sei que não sou bom em lidar com crianças – e a verdade é que já passou da hora de me conformar com este fato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-9180934813557745038?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/9180934813557745038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/9180934813557745038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/05/com-bom-coracao.html' title='Com bom coração'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-YUZvb1sYTqE/Tcb7zCxFiqI/AAAAAAAACLo/lKyemF-HTmU/s72-c/Sem+t%25C3%25ADtulo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8996415134254522506</id><published>2011-04-21T22:46:00.000-07:00</published><updated>2011-04-21T22:48:05.225-07:00</updated><title type='text'>O abraço do pai</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nQ3iYcucimI/TbEUiDtSZBI/AAAAAAAACLk/Iu43HiAPm5E/s1600/paintings-by-hilaire-germain-edgar-degas-14.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" i8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-nQ3iYcucimI/TbEUiDtSZBI/AAAAAAAACLk/Iu43HiAPm5E/s1600/paintings-by-hilaire-germain-edgar-degas-14.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Era uma noite qualquer em Feira de Santana. Eu ouvia meu amigo contar uma história que envolvia certo político feirense, cujo nome tenho motivos para não citar. Nessa história, o tal sujeito se encontrava na presença de tantos outros – perambulavam de carro pela cidade no horário da madrugada. O silêncio era inversamente proporcional à quantidade de pessoas na rua. Este senhor, então, comentaria:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Feira é a minha cidade... Quando olho para ela neste horário, na madrugada, onde tudo é tão quieto e parado, é como se a cidade estivesse dormindo... E eu me sinto na obrigação de agasalhá-la, de abraçá-la, toda ela, como a um pai que protege a filha do frio e de todos os males que há.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Confesso que o amor deste indivíduo por Feira, descrito de tal forma - mas somente desta forma - me comoveu. E me fez pensar em duas coisas. A primeira, mais direta, se referia a mim mesmo: de que forma eu, por assim dizer, gosto da minha cidade? Muito provavelmente eu não nutra esse sentimento de protetor, talvez por eu não ser pai ou ser jovem ainda. E a segunda não é tão simples, muito embora sua resposta o pareça ser: porque, em sua grande maioria, os adultos e idosos gostam daqui e os jovens não?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;A resposta simples pode ser a seguinte: força de hábito. O costume faz com que os mais velhos finquem, quase que literalmente, suas raízes aqui. Alguém que vive 30 a 50 anos num mesmo lugar realmente terá dificuldades para sair dele. Mas não é bem assim que as coisas funcionam aqui em Feira; muitas pessoas já crescidas vêm para cá em busca de algo melhor e, com efeito, o encontram. Não sei como nem porque esse verdadeiro fenômeno acontece, mas a verdade é que o potencial comercial da princesa do Sertão parece ser inesgotável (porque, convenhamos, quem migra para Feira está, em 97,3% dos casos, em busca de sucesso comercial). E as opiniões são quase unânimes, &lt;a href="http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/feira-de-santana-ix.html"&gt;como eu já relatei aqui antes&lt;/a&gt;:&lt;strong&gt; 1)&lt;/strong&gt; Feira é uma boa cidade &lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; O mercado aqui é muito satisfatório &lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Vale a pena fazer amizade com as pessoas daqui &lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; Mas a classe alta, a classe “A”, é insuportável. A partir de então os adultos-imigrantes passam a defender esta terra com unhas e dentes. Aliás, a nova moda é uma empresa multinacional abrir uma filial aqui; o número cresce à medida em que os pólos já existentes não se aprimoram, e toda essa fugacidade imediatista contribui para que a vontade de se desenvolver esteja muito mais à frente do que o próprio desenvolvimento da cidade em si.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Os jovens, entretanto, não querem saber de comércio. Eles querem ter diploma de ensino superior e “viver a vida”. Eles dão a entender que Feira não é feita para gente de sua idade. E então eles querem sair daqui; eles querem ir pra Salvador, pro exterior – eles querem viver uma vida melhor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;É muito subjetivo tentar definir o que seja uma “vida melhor”. O leitor que lê esse texto, ao constatar a relação entre “jovem” e “viver a vida” provavelmente já deve imaginar ao que eu possa estar me referindo. E é por isso que quando escuto de alguém, soteropolitano ou não, jovem ou não (mas jovem, sobretudo) dizer que não gosta de Salvador ou que não gosta/gostaria de viver lá, eu sempre sou pego de surpresa. Sempre um turbilhão de imagens passa pela minha cabeça em alguns milésimos de segundos, imagens estas que vão desde às praias, aos teatros, aos cinemas, ao Rio Vermelho e às diversas opções de lazer, até aos edifícios gigantes, às Igrejas Universais dos Reinos dos Deuses, aos shoppings, aos campi universitários. E me pergunto até que ponto as&amp;nbsp;mazelas sociais podem pôr pra baixo as coisas boas de uma cidade grande.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Voltando à primeira pergunta, eu poderia arriscar o palpite de que meu gosto por Feira também é questão de hábito. Isso pode ter relação com minha própria personalidade, por exemplo: é provável que eu tenha mais interesse em manter minhas amizades que possuo do que conhecer gente nova. Num futuro qualquer eu posso mudar de opinião; será que, a partir de então, eu também mudaria em relação a Feira e alimentaria o desejo de dar o fora daqui? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Se você não acredita que o mundo esteja mudando, tente rever seu posicionamento. Há 10 anos atrás, dizer, como às vezes eu admito que digo, que Feira é o melhor lugar do mundo e que eu gostaria de viver aqui para sempre, seria tido como uma piada de mau gosto ou uma demência explícita; há 3-4 anos, poderia ser considerado uma ironia; hoje, apenas questionam, e ainda com receio, se, pensando bem, eu não poderia estar exagerando só um pouquinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8996415134254522506?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8996415134254522506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/04/o-abraco-do-pai.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8996415134254522506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8996415134254522506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/04/o-abraco-do-pai.html' title='O abraço do pai'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-nQ3iYcucimI/TbEUiDtSZBI/AAAAAAAACLk/Iu43HiAPm5E/s72-c/paintings-by-hilaire-germain-edgar-degas-14.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-2927597929038808624</id><published>2011-02-25T22:35:00.000-08:00</published><updated>2011-02-25T22:35:13.802-08:00</updated><title type='text'>Todas as experiências do mundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-9P4fclgqbqk/TWifD_XZ9gI/AAAAAAAACLg/1TXwyuYswuU/s1600/La+Notte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="333" src="https://lh5.googleusercontent.com/-9P4fclgqbqk/TWifD_XZ9gI/AAAAAAAACLg/1TXwyuYswuU/s400/La+Notte.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Nenhum tipo de experiência deveria ser desprezado. Provavelmente nunca farei idéia do que é estar no topo do monte Everest e espero nunca ver um filho meu fumando crack. Por outro lado, sei o que é voltar a Feira de Santana pela Presidente Dutra (BR-324) durante o amanhecer ou o entardecer de um dia. Não é uma mera sensação de regresso, nostalgia ou saudades; é uma espécie de dosagem cujo efeito você não sabe explicar, mas compreende que será necessário senti-lo por toda a vida. E sempre que for viajar para a maioria dos lugares fora do estado e do país, você terá de voltar da mesma maneira, já que a opção de viagem aérea só é possível, até então, na capital, pela qual se chega atravessando a supracitada BR.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Qual seria, então, o grande objetivo de uma viagem? Qual o significado daquilo que está para além do turismo, da busca por melhoria de vida, dos negócios, dos amores e das indefinições? Qual parte de nós é responsável por estimular-nos a querer sair da cidade natal, seja temporariamente, seja para sempre? No caso de Feira, provavelmente crêem que a finalidade de viajar para outro local é tentar encontrar o que não existe aqui. Em se falando de arte e cultura, esse é o argumento perfeito e tedioso para muitas pessoas. Mas a coisa parece ser muito mais ampla.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Numa noite de sábado na capital de Sergipe, Aracaju, eu estava com dois amigos ouvindo jazz em um bar da orla. Aquilo parecia fantástico e impensável em Feira, sobretudo pela própria existência de uma orla. Lá pelas 4 da manhã, planejávamos ir embora, e a única opção de transporte disponível deveria ser um táxi, pois estávamos a pé. Andamos até o posto de gasolina mais próximo para achar um veículo disponível, e a minha impressão era a de que o horário não parecia ser exatamente o que ele era, isto é, eu não conseguia sentir de alguma forma que já eram 4 da manhã. Só consegui associar este erro de sensações à iluminação da avenida na qual esperávamos o táxi: ela era muito grande, imensa, toda arborizada e enormemente iluminada. A luz branca dos seus postes parecia anunciar qualquer profecia bizarra onde o Sol jamais voltaria a nascer ou coisa parecida. Os carros não conseguiam parar de trafegar e pessoas desconhecidas não tencionavam desistir de transitar. Eu jamais encontraria coisa semelhante em Feira, em lugar nenhum, nem mesmo na Getúlio Vargas, nenhuma avenida seria tão grande, tão iluminada, tão unificada em sua proposta urbanística e em seu contexto social, tão cheia de carros e pessoas a tal hora, mesmo num sábado. Partes do meu cérebro não conseguiam assimilar aquela cena como algo natural, e essa era uma experiência fantástica – não ela em si, mas o fato de eu vivenciá-la fora de Feira, e saber que ela existe e que simplesmente nunca a tinha vivido antes porque ela não era possível na minha cidade de origem. E se uma coisa supostamente tão minúscula assim já causava um efeito tão grande sobre mim, imagina todas as outras milhares de experiências que devem ser possíveis de se sucederem com as pessoas ao redor do mundo! &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O que me deixaria mais impressionado, porém, ainda estava por vir. Quando finalmente paramos um táxi e estávamos a negociar o preço da corrida, meus olhos arregalaram de incredulidade ao se virarem à direita: na rua, em nossa direção, vinha um ônibus coletivo! Às 4 da manhã! Mandamos o táxi embora e pegamos o ônibus – eu não estava acreditando que voltaríamos para casa gastando quase 10 vezes menos o que gastaríamos pagando um táxi. Eu estava numa capital, ora bolas!&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Ainda assim, não consegui aceitar em paz de espírito a presença de dezenas de pessoas dentro do coletivo àquela hora. Tinha muita gente! Eu não conseguia colocar na cabeça que tanta gente poderia estar voltando para casa às 4. Muitas delas pareciam ter saído de um expediente de trabalho, de reuniões importantes; nem uma dúzia de pessoas parecia estar voltando da balada. Imagine só se, mais drástico ainda, elas estivessem &lt;i&gt;saindo &lt;/i&gt;àquela hora para curtir? Uns quatro rapazes pareciam ter saído de um ensaio da banda deles; poderia ser pop rock ou MPB. Outra dupla parecia ter fechado um importante negócio, e estavam saindo para comemorar as chances de sucesso da empreitada. Tudo parecia possível naquele microcosmo formado dentro do ônibus. A noite corria infinita lá fora, e dentro do veículo eu tentava não pensar em Feira de Santana e ao mesmo tempo me conformava de que essa tentativa era, na melhor das hipóteses, uma missão impossível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-2927597929038808624?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/2927597929038808624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/02/todas-as-experiencias-do-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2927597929038808624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2927597929038808624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/02/todas-as-experiencias-do-mundo.html' title='Todas as experiências do mundo'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-9P4fclgqbqk/TWifD_XZ9gI/AAAAAAAACLg/1TXwyuYswuU/s72-c/La+Notte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3321282215114095837</id><published>2011-02-13T11:44:00.000-08:00</published><updated>2011-02-13T11:44:51.584-08:00</updated><title type='text'>Nem sei para que lado vai!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-C9grHbQKprY/TVgzmHeEtJI/AAAAAAAACLc/mjn12FNgQkk/s1600/monolito.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="193" src="http://1.bp.blogspot.com/-C9grHbQKprY/TVgzmHeEtJI/AAAAAAAACLc/mjn12FNgQkk/s400/monolito.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;É sempre bom lembrar quão grande pode ser a força das palavras. Nesse último vestibular da UEFS, eu e uma “conhecida” (rs) estávamos verificando o local de prova dela e de um outro conhecido nosso. Este faria a prova num colégio localizado no bairro da Cidade Nova. Ela, ficou assustada com o seu bairro: &lt;b&gt;Tanque da Nação&lt;/b&gt;. Ao ouvir o nome, exclamou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Meu deus! Nem sei pra que lado vai!&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Todo bom feirense sabe onde fica a Cidade Nova. Todos sabem como chegar à passarela da Cidade Nova. E, mais importante, todos sabem que temos um G Barbosa na Cidade Nova. Por outro lado, o número de gente que sabe chegar no Tanque da Nação é consideravelmente menor. Eu mesmo nunca fui, pelo menos voluntariamente, ao Tanque da Nação. E, se fosse para arriscar, como minha conhecida arriscou, diria que era um lugar muito, mas muito longe.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Mas, para nossa surpresa, constatamos que o Tanque da Nação na verdade é até mais próximo do centro de Feira do que a Cidade Nova. Afinal, ele fica exatamente atrás do Terminal de Ônibus Central da Cidade. Por que, então, chegamos à conclusão de que o Tanque da Nação era tão longe? Seria simplesmente porque pouco ou nunca ouvimos falar no bairro? Muito diriam que sim; mas eu, particularmente, acho que não – acho que isso se deve ao nome do bairro.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Sim. Muitos bairros de Feira têm nomes lindíssimos, pomposos e sensuais. E a minha teoria é a seguinte: todos os bairros com nomes chulos e pouco atraentes são, em paradoxo, os principais bairros da cidade. Já aqueles mais desconhecidos, cujo nome carrega um quê de mistério, de profundo são, como a própria característica de sua nomenclatura, misteriosos e desconhecidos. De um modo geral, esses bairros são nomes compostos, nos quais seguem a estrutura básica de substantivo + adjetivo ou substantivo + locução adjetiva. Os bairros famosos no geral possuem um nome só.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O próprio Tanque da Nação, por exemplo. Que nome é esse? Lindo! Mas, por que “Tanque”? E que nação é essa aí? A imagem que me vem à cabeça é a de que todo o bairro é abastecido por uma imensa caixa d’agua com capacidade para trezentos mil litros que fica no último andar de um prédio central e distribui água para todas as casas. A força das palavras é realmente fascinante; se o bairro se chamasse Tanque Nacional, seria bizarro, vulgar; mas o “da Nação” dá um quê de imponente, de majestoso.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Todos conhecem Sobradinho, Queimadinha, Muchila, Cidade Nova, Tomba, Conceição, CASEB, Mangabeira, Brasília. São nomes de bairro de uma só palavra, e, por isso, estão de acordo com a minha teoria. Mas, você sabe chegar no Alto do Papagaio? Meu Deus, que nome maravilhoso é esse? Dá gosto de pronunciar! &lt;b&gt;Alto do Papagaio&lt;/b&gt;! Eu passaria um dia inteiro pronunciando esse nome... Al-to do Pa-pa-ga-io! Alto do papagaaaaaaaaaaaaaaaaaaio!!!!!!!!!! Sinceramente, quem inventou a locução adjetiva merece um beijo. O uso da preposição infere uma profundidade poética na palavra. Nem nos livros de Guimarães Rosa você encontrará um lugar chamado ALTO DO PAPAGAIO.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O Jardim Cruzeiro é um dos poucos bairros conhecidos cujo nome é composto. A palavra jardim por si só já remete a algo belo e interessante. Mas “Jardim” com “Cruzeiro” não ficou tão legal... será que minha teoria mais uma vez se encaixou aqui? Até porque, em Feira, temos o &lt;b&gt;Jardim Acácia&lt;/b&gt;. Isso sim que é nome bonito! Jardim Acácia! Percebam como este nome tem mais leveza, tem uma textura autêntica. E &lt;b&gt;Morada das Árvores&lt;/b&gt;? Meu Deus, que nome magnífico! Imagina você morar na morada de todas as árvores do mundo? Veja que tranqüilidade o nome passa àquele que o escuta ou o lê. &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Um lugar que eu gostaria de conhecer é o &lt;b&gt;Parque Guadalajara&lt;/b&gt;. Quem foi o gênio que deu nome a esse bairro? Jesus, caiu muito bem a alcunha! Não faço a menor idéia da localização deste lugar, mas seu nome é impressionante. Feira é realmente genial. Até quando um bairro possui um nome simplório, como o SIM, pode ser compensando com um nome de rua fora do comum. Quem conhece, sabe que lá você encontra o &lt;b&gt;Corredor dos Araçás&lt;/b&gt;. Incrível. Dá de 10 a 0 no Corredor da Vitória lá em Salvador. Araçás é um nome centenas de vezes mais atraente, mais hipnótico. Imagina se fosse Corredor das Goiabas – seria motivo de riso para toda a eternidade. Mas os feirenses estão de parabéns; vê-se que está na cara que nascemos para isso: dar nomes aos bairros.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Meu nome de bairro predileto, porém, eu ainda não citei. Em Salvador alguns bairros têm nomes de potência fônica muito bem acentuados, como Estação Mussurunga ou Pituba, Itaigara, Amaralina (“Nordeste de Amaralina” é orgásmico!), bem como os famigerados Rio Vermelho, Campo Grande ou Pelourinho, que têm os seus quês de beleza. Mas, nada se compara ao bairro de Feira chamado &lt;b&gt;Pedra do Descanso&lt;/b&gt;. O gênio que batizou este lugar deveria ganhar o Nobel da Literatura, apenas por essa associação de dois substantivos e uma preposição contraída com um artigo. Esse nome não me traz significado lógico algum; me remete até mesmo a um nome típico de cemitério; mas sua carga poética é impressionante. Até em outros idiomas fica bom. Inglês: &lt;i&gt;Stone of resting&lt;/i&gt;; Espanhol: algo como &lt;i&gt;Piedra de descansar&lt;/i&gt;; Italiano; &lt;i&gt;Pietra di riposo&lt;/i&gt;; Alemão: &lt;i&gt;Stein Von Ruhenden&lt;/i&gt;; Francês: &lt;i&gt;Pierre de Repos&lt;/i&gt;... e por aí vai!&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O grande porém da coisa é que, se fôssemos escolher morar num bairro feirense de acordo com a beleza do nome, nos daríamos muito mal. Pois muitos desses lugares com belos nomes configuram nas listas dos mais violentos da Fêra, acumulam dia após dia inúmeros problemas sociais e seus moradores vivem diversos dramas de cunho sócio-econômico. Então, você já sabe a teoria: quanto mais interessante for o nome será preciso com mais cuidado avaliar o local. Eu, por exemplo, ignorei a força das palavras num dia em que estava num ponto de ônibus lá no Jardim Cruzeiro com uma colega. Teríamos que ir ao Centro e eu não sabia qual ônibus pegar; ela, que também iria, estava me ensinando sobre as linhas que passavam por ali e que nos servia, mas fizera uma alerta: &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- É melhor não pegarmos o ônibus do Pampalona. Pode ser complicado.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Na época, há mais de 5 anos atrás, eu nunca tinha ouvido falar no (na) Pampalona. Até hoje não sei se o nome é do gênero masculino ou feminino. Sei que no momento, ao escutar tal palavra, senti algo realmente diferente. Interpretei rasteiramente minhas sensações e concluí, precipitado, que “Pampalona” era um nome realmente engraçado, bobo, quase infantil; e o local deveria condizer com sua alcunha; logo, não via motivos para preocupações em relação a este ônibus. Até que, quando o dito cujo finalmente passou por nós, eu entendi, horrorizado, a alerta da minha colega: o monstro vermelho passou voando, arrastando tudo, amarrotado de cabeças humanas, muitas e muitas, ao ponto de algumas dúzias estarem do lado de fora, apoiadas nas janelas (boa parte delas quebradas); aquilo parecia a visão do inferno, e todos os passageiros eram sinistros e hostis. Não havia espaço para mais nada ali. O motorista deveria ser o próprio demônio: seus olhos eram macabros, pois ele não tinha íris; seu rosto escabroso tinha dezenas de cicatrizes; sua mão direita tinha uma deformação óssea que até hoje me persegue em meus pesadelos. E a velocidade a que pilotava a carcaça ambulante motorizada seria capaz de arrastar um oceano.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Pampalona seria a exceção da regra da minha teoria. É um nome de bairro formado por apenas uma palavra, mas que possui uma força folclórica sobrenatural. E o bairro em si, pelo visto, não deixa nada a dever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3321282215114095837?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3321282215114095837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/02/nem-sei-para-que-lado-vai.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3321282215114095837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3321282215114095837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/02/nem-sei-para-que-lado-vai.html' title='Nem sei para que lado vai!'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-C9grHbQKprY/TVgzmHeEtJI/AAAAAAAACLc/mjn12FNgQkk/s72-c/monolito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-5542122149476483700</id><published>2011-02-06T12:49:00.000-08:00</published><updated>2011-02-06T12:49:06.181-08:00</updated><title type='text'>Um pouco pessoal demais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TU8I8e62EZI/AAAAAAAACLY/lhXa1Vjd4yg/s1600/2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TU8I8e62EZI/AAAAAAAACLY/lhXa1Vjd4yg/s1600/2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Quando se diz que considerar o assassinato como algo horrível é nada mais que um sentimento cristão, pode-se até estar certo, mas, cá entre nós, temos a sensação de que, mesmo que não fosse o cristianismo, muito provavelmente teríamos idêntica ou similar opinião sobre o assunto. A ciência conseguiu provar que os animais matam para sobreviver, mas talvez não poderá provar se eles também o fazem com ou sem prazer. Só estou observando isso para sugerir que, embora tenhamos de viver sob uma invenção humana (qual seja, o cristianismo e sua noção de assassinato enquanto pecado), ela tem sua coerência. Ela, e muitas outras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Como o calendário, por exemplo. A partir da movimentação do planeta em torno do Sol, das estações do ano e de todos os fenômenos relacionados, o homem determinou que existem os dias, os meses e os anos. E que vivemos há milhões e milhões de anos. E que quando um ano termina, o outro começa, e é preciso pensar este novo ano. É preciso querer uma vida nova, é tempo de mudanças e de cumprir promessas. 2011 chegou.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Minha vida não está exatamente nova, mas até que aconteceu algo diferente em janeiro: me mudei de casa, não moro mais na Queimadinha. Estou morando no Conj. Feira VI, próximo à universidade. Uma das primeiras coisas que pensei foi: será que minha relação com Feira de Santana vai mudar? Respondi a mim mesmo: não. E hoje, percebo que sim, que mudou e que a mudança é uma obviedade muito estranha: só agora compreendo que minha noção de bairros era completamente simplificada.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Eu morava no bairro mais próximo do centro. Eu nunca soube o que é pegar três ônibus para chegar a um destino. Eu morava perto do Shopping Center; perto de vários pontos de ônibus; perto da violência, perto de tudo. A noção de que o bairro pode ser uma pequena ilha de pessoas e casas onde algumas destas são estabelecimentos comerciais que fornecem produtos tais para que não precisemos nos locomover até o centro, essa noção era clara pra mim na teoria, não na prática. Conversando com um casal amigo meu que está morando no Feira VI há pouco menos de 1 ano, tomei um baita susto quando eles, ao saberem a localização da minha residência, comentaram com naturalidade: “Parabéns, Daniel. Você está morando ao lado do mercadinho mais barato do Feira VI. Os mercadinhos do lado de lá são mais caros porque são voltados para os universitários; esse daqui, que é mais voltado para os moradores do bairro, tem preços mais acessíveis”. Existe, portanto, nos bairros afastados, o sistema próprio deles, com sua pesquisa própria de mercado, com sua clientela própria definida, com seus próprios espaços de lazer distribuídos conforme critérios que desconheço. Eu sempre tive noção desse aspecto; bairros como Tomba e Cidade Nova são o que se convencionou chamar de “auto-suficientes” – ainda hoje existe o boato de que o Tomba pretende se emancipar de Feira. O que eu não suspeitava era que, ao sentir, na própria pele, essa vivência dos bairros afastados, a diferença seria tão grande assim.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O curioso é lembrar que em Feira essa discrepância dos bairros e do centro existe, e já é considerável. Em Salvador a coisa toma proporções muito maiores. Tudo é longe demais. Chega ao ponto de, em lugares como o Alto do Itaigara, onde só se vêem prédios, o cara que montar uma quitanda lá embaixo, na rua, está com a vida ganha. E muito bem ganha. No Rio, é pior ainda. Lembro que fiquei chocado com o depoimento de uma atriz global que revelou não sair do seu bairro (esqueci o nome dela e do bairro), ou melhor, das redondezas do seu condomínio, quase nunca!, porque o trânsito era ruim demais e ela sempre pegava engarrafamento.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Quanto às outras dezenas de questões externas e internas que envolvem uma mudança, não é necessário expô-las aqui, já que elas são exclusivas de cada um. Mas foi engraçado constatar, um dia, que eu realmente havia me mudado, da seguinte forma: na casa dos meus pais, eu adquiri um hábito completamente absurdo, proveniente de outro vício, o de roer unhas, e de um mau costume, que é o de, após deitar na cama, demorar muito para pegar no sono. O hábito funcionava assim: se, durante o dia, ou os dias, eu estivesse com algum problema pessoal muito forte, passaria a pensar muito sobre ele; curiosamente, não durante o próprio dia, mas à noite, mais especificamente no momento de ir-me deitar. Eu ficava na cama durante quase uma hora pensando no problema, que, na maioria dos casos, era uma pessoa, ou pessoas. Quando as luzes eram todas apagadas, não era possível enxergar nada no aposento, e eu abria os olhos, como quem estivesse mais seguro de fazer o que estava fazendo (que era pensar sobre a pessoa do problema), já que, naquele breu, ninguém me veria fazendo aquilo (mesmo sabendo que, ao me verem, os outros não poderiam saber o que eu estava pensando, eu tinha medo de que meus olhos ou minhas expressões faciais me denunciassem). Como na Queimadinha tem muito rato, mosca, barata e mosquito, todos da casa usavam mosquiteiros em suas camas para se proteger das investidas dos mosquitos. Então eu, de olhos abertos no escuro, levantava minha mão esquerda de unhas completamente roídas e começava a passá-la lentamente no mosquiteiro. Eu sentia a unha roída entrar em contato com o pano do mosquiteiro e beliscá-lo, pois o contato era áspero. Às vezes um pedaço do pano prendia na unha, mas era uma prisão insignificante, pois eu nem ficava preso de fato e era muito fácil de tirar; mas eu ficava fascinado quando isso acontecia. Depois de alguns minutos roçando os dedos ali, eu recolhia minha mão e voltava a tentar dormir. &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Nunca entendi o porquê d’eu fazer isso. O máximo a que já cheguei foi supor a idéia de que o mosquiteiro seria o rosto ou o braço da pessoa-problema e que eu estaria acariciando-o com meus dedos. Mas já aconteceu de o problema não ser apenas uma pessoa, ou não ser pessoas, então essa idéia não estaria de todo correta. O que importa é que, num desses dias que dormi na minha casa nova, as luzes estavam apagadas, não só as da minha casa, mas as do Nordeste inteiro, já que é isso que os noticiários estão dizendo (sim, isso ocorreu na noite da última quinta-feira, quando aconteceu o apagão), e eu estava com um “problema” na cabeça, tentando dormir. De olhos abertos, tudo era negro, eu me revirava, sem enxergar nada, até que em dado momento fui, com as unhas roídas, tentar roçá-las no mosquiteiro, mas esse mosquiteiro não existia mais: as unhas tocaram uma parede dura e fria e por pouco não se machucaram, pois eu impusera uma força desnecessária. Uma parede que estava próxima demais, muito alta, muito branca, para quê que ela estava ali, afinal? Para me engolir? Era a constatação definitiva de que eu havia me mudado: eu não tinha mais mosquiteiros para acariciar com os dedos. Teria que buscar fascínios idiossincráticos em outros lugares, teria que inventá-los até. Ou talvez roer as unhas já seja o bastante. Os problemas permanecerão; eles tirarão nosso sono; mas uma escuridão nunca será igual a outra – elas são, sim, capazes de serem muito mais frias do que a nossa imaginação consegue alcançar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-5542122149476483700?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/5542122149476483700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/02/um-pouco-pessoal-demais.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5542122149476483700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5542122149476483700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2011/02/um-pouco-pessoal-demais.html' title='Um pouco pessoal demais'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TU8I8e62EZI/AAAAAAAACLY/lhXa1Vjd4yg/s72-c/2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-1678068050039085638</id><published>2010-12-24T20:48:00.000-08:00</published><updated>2010-12-24T21:01:06.669-08:00</updated><title type='text'>A absoluta certeza</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TRV3T286nkI/AAAAAAAACLA/Effbso_ZmRE/s1600/jam_session_big.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="230" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TRV3T286nkI/AAAAAAAACLA/Effbso_ZmRE/s320/jam_session_big.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O Natal sempre nos dá o conselho de que é preciso saber lidar com as crianças. Este é um dom com o qual não fui agraciado pelos deuses, o que muito me incomoda. Na minha memória uma cena de 3 anos atrás volta e meia surge, bem nítida, como se fosse ontem: a casa de uma amiga, que eu já havia visitado quase uma dúzia de vezes, recebera, além de mim, uma nova visita, isto é, um outro amigo desta amiga; ao encontrar o irmão pequeno da anfitriã, nosso outro amigo brincara com ele e conversara com ele de maneira muito natural e espontânea, daquele jeito que só os que sabem lidar com crianças sabem fazer, e de um jeito que eu, em uma dúzia de visitas feitas, nunca consegui fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Em Salvador, no Museu de Arte Moderna, o MAM, podemos contabilizar uma década ou mais de existência de um evento bem famoso chamado JAM no MAM, uma jam session que acontece todo sábado à noite, à exceção daqueles mais chuvosos. Ao contrário do caso da minha amiga de 3 anos atrás, o número de minhas visitas à JAM no MAM não atingiu uma dúzia - é provável que minha frequência seja semestral. Ainda assim, sempre que pinto por lá costumo ouvir muitos temas já executados nas edições anteriores. A realidade é que após minha ida inangural à JAM nunca mais eu consegui apreciar a apresentação musical apenas por ela mesma; outros fatores começaram a tomar espaço e impuseram como consequência meu completo desinteresse a esta importante iniciativa cultural. A maioria desses fatores são as pessoas: quem são elas, o que fazem, como agem, como reagem, por que estão ali; desde que ingressei na faculdade, ou bem antes disso, tenho dado importância demais às pessoas; curiosamente, isso me faz sentir-me um típico feirense.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Acontece que na semana passada ou retrasada eu estava em Salvador e, para acompanhar meus amigos, fui ao MAM. Em meio às belas execuções de talentosos instrumentistas, presenciei algo que não esperava, algo que já deve ter acontecido inúmeras vezes na JAM, mas somente neste dia eu vi: de repente uma criança, decerto filha de algum dos músicos, começou a cantar &lt;i&gt;O Leãozinho&lt;/i&gt;, de Caetano Veloso. Foi uma coisa maravilhosa ver que a menina, tímida, sorria e dava tchauzinho para uma suposta mãe (para quem conhece a estrutura do evento sabe que atrás do palco existe um telão onde é reproduzida em tempo real a apresentação ao vivo). Todos sabem que &lt;i&gt;O Leãozinho&lt;/i&gt;, embora possua letra e melodia que pareçam infantis, não é fácil de ser cantada. A criança, para conseguir manter o ritmo e a voz afinada no momento do refrão (que é o mais difícil), levantava o corpo e ficava na ponta dos pés - aquilo pareceu a mim e a meus amigos uma cena infinitamente encantadora.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;*&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Tenho uma colega que é jovem, mas já é mãe de um lindo bebê chamado Fulana de Tal, que só conheço por fotos. Essa minha colega me despertou uma curiosidade imensa em saber se tal hábito que ela possui foi adquirido após o nascimento da sua filha ou existe desde sempre. O hábito é este: minha colega não consegue ver uma criança pequena interagindo com seus responsáveis ou com o mundo ao seu redor e deixar tudo por isso mesmo. Minha colega, ao ver tais crianças, sempre os acha lindos, observa seus movimentos, e começa a chamar todos que estejam com ela para observar também ("Olha, Beltrano! Olha ali, que gracinha!...). Seu sorriso é muito contagiante nesses momentos, e sempre que a vejo fazendo isso imagino que ela deve lembrar da filha, que, até onde sei, não mora com ela, mas com a avó em outra cidade, pois ela precisa trampar em Feira de Santana.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TRV3W3zr2LI/AAAAAAAACLE/E-TO9eNgLJo/s1600/vermeer_milkmaid.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TRV3W3zr2LI/AAAAAAAACLE/E-TO9eNgLJo/s400/vermeer_milkmaid.jpg" width="362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O ônibus em Feira que mais gosto de pegar é o Conceição I / via Pq. Brasil. Parece estranho gostar de pegar um coletivo de um sistema de transporte precário e abusivo, mas impus a mim uma mania absurda em relação a esse ônibus. Explicarei.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Para quem mora em Feira mas não sabe, o trajeto desta linha é o seguinte: ela sai do terminal central, segue pela Getúlio e passa pela Senhor dos Passos e a J. J. Seabra. Depois, sobe pela rua do Feira Tênis Clube, atravessa a Maria Quitéria e entra pelo Ponto Central para chegar à João Durval. Aqui, ele segue no sentido do Shopping Boulevard e depois atravessa a BR para entrar no bairro da Conceição, que fica fora do anel de contorno.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Esse é um dos ônibus mais disputados no terminal, por um motivo simples: existem vários dele e é uma das melhores opções para se chegar ao Shopping Boulevard. À medida que eu viajava nele, percebia que sempre vinha muito cheio, a qualquer dia e horário, e sempre, quando chegava o ponto do shopping, o ônibus esvaziava quase que completamente. Um dia, me peguei observando todos os passageiros e prestando atenção em suas roupas e seus biótipos, para em seguida arriscar palpites sobre quem desceria no ponto do shopping e quem seguiria direto para a Conceição. Passei então a traçar os perfis destas pessoas, e a cada nova viagem surgia também um novo desafio. Não sei se a isso podemos classificar como preconceito, mas minhas conclusões eram quase sempre óbvias: a maioria dos brancos vestidos com maiores adereços (colares, pulseiras, brincos, etc.) desciam no shopping; muitos mulatos e sobretudo negros vestidos com o mínimo necessário seguiam direto. Às vezes alguém "simples" descia, para minha surpresa, no shopping; mas nunca alguém "arrumado" seguia direto. O mundo então começou a se dividir entre os que descem no shopping e os que seguem direto.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Da última vez que eu peguei esse ônibus, porém, era Natal. Tem menos de uma semana. Foi a pior viagem de coletivo que já fiz em Feira. Dessa vez tinha todo tipo de gente, até gringo. Eu me dirigia à Conceição, e tudo era muito insuportável, mas eu me consolava com a idéia de que, no ponto do shopping, o formigueiro esvaziaria em uns 80%, já que muito provavelmente as pessoas deveriam estar indo ao shopping fazer as últimas compras de Natal. Qual não foi a minha surpresa em constatar, embasbacado, que apenas umas 5 ou 6 pessoas desceram ali, e que o ônibus continuara desumanamente cheio!!! Meu Deus, o que era isso afinal? Será que todas as pessoas do mundo haviam resolvido, de uma hora para outra, ir para a Conceição?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Angustiante, porém, nem seria a viagem "apertada" em si, mas o momento em que, já próximo à João Durval, uma mãe de aspecto bastante humilde, negra, com sua filha de seus quatro anos no colo (negra também), embora sentada (o que, no momento, parecia o maior de todos os privilégios), aparentava cansaço e saúde frágil. A filha tentava dormir, e segurava uma garrafa de água mineral que parecia guardar os últimos goles de água que aquelas duas poderiam beber em muito tempo. O ônibus então deu uma freada brusca e a menina acabou deixando a garrafa cair. Sinceramente, eu não sei o que aconteceu: tive absoluta certeza de que vi a garrafa rolando para a &lt;i&gt;frente&lt;/i&gt;; a menina saiu do colo da mãe e se agachou para procurar a garrafa, &lt;i&gt;atrás&lt;/i&gt;; olhou desolada para a mãe, pois não conseguia achar. Eu já não tinha mais certeza para onde a garrafa realmente tinha ido, se para a frennte ou para trás, e compartilhava com a menina a dúvida cruel submissa a leis da física que nós não conseguíamos compreender. Nem pensei em ajudar, pois meu próprio pensamento já sabia que era impossível: eu mal conseguia respirar dentro daquele campo de concentração ambulante. A mãe, então, sem falar, sem fazer gestos, deu a entender à menina que deveriam deixar aquilo de lado. Sente no meu colo de novo, minha filha, e descanse, ou tente descansar, porque uma garrafa de água não é nada perto do que já passamos e do que ainda vamos passar. Durma bem que eu estarei sempre aqui para te proteger. Mas por favor, não assista ao Jornal Nacional no dia do Natal, para não ver Dilma Rousseff falando que tem absoluta certeza de que todos os brasileiros terão um ótimo e feliz natal...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-1678068050039085638?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/1678068050039085638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/12/absoluta-certeza.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1678068050039085638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1678068050039085638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/12/absoluta-certeza.html' title='A absoluta certeza'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TRV3T286nkI/AAAAAAAACLA/Effbso_ZmRE/s72-c/jam_session_big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8757410419038990399</id><published>2010-12-14T14:58:00.000-08:00</published><updated>2010-12-14T15:00:21.902-08:00</updated><title type='text'>Dois poemas para a minha rua</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TQf2bFdZdcI/AAAAAAAACK0/uzhDvZPtRqY/s1600/velhos-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="257" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TQf2bFdZdcI/AAAAAAAACK0/uzhDvZPtRqY/s400/velhos-1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Poema para a Intendente Ábdon I – Os Velhos&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;De tanto andar pela rua principal&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;eu não mais ando pela rua principal&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;meus pés deslizam sem paixão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;meu trabalho de corpo é o da última geração&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;o velho que fuma findou suas carteiras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;e tem outro velho que fuma também&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;tem alguns jovens que aprendem a fumar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;mas não com esses velhos que fumam à toa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;já que esses velhos não gostam de ver&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;os jovens fumando e fumando à toa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;mas velhos enfim que já não mais fumam&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;no bar decadente jogam dominó&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;e tem outro bar e um outro também&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;nos quais eles jogam sentados em pé&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;e em todos os bares da rua principal&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;ensinam aos jovens dicas dominó&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;provocam sim os que não sabem ganhar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;mas sobretudo os que não sabem perder&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;pois afinal é o que os velhos ensinam:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;andamos na rua principal&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;andamos sem parar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;para aprender não a ganhar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;mas a perder sem lutar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TQf2cr6mjII/AAAAAAAACK4/2Fpl1yI0C4E/s1600/velhos-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TQf2cr6mjII/AAAAAAAACK4/2Fpl1yI0C4E/s400/velhos-2.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;b&gt;Poema para a Intendente Ábdon II – A Velha&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Eu passo, ela olha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Olha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Ela gira a cabeça e me olha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Logo eu me indago&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; sem pressa:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; que tenho eu para ser olhado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Sou jovem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;e ela é uma velha sentada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;na porta de sua casa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;uma porta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;como as portas das casas &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;e uma casa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;que já não tem porta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu, jovem, avanço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;enquanto ela, velha,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;avança também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu, para o shopping;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;ela, para a morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8757410419038990399?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8757410419038990399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/12/dois-poemas-para-minha-rua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8757410419038990399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8757410419038990399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/12/dois-poemas-para-minha-rua.html' title='Dois poemas para a minha rua'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TQf2bFdZdcI/AAAAAAAACK0/uzhDvZPtRqY/s72-c/velhos-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-4061622270436114430</id><published>2010-12-06T19:03:00.001-08:00</published><updated>2010-12-06T19:04:50.679-08:00</updated><title type='text'>A melancolia das capitais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TP2kFRAoB-I/AAAAAAAACKw/XfdtO4l5PVI/s1600/syndrome-and-century-04-733130.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TP2kFRAoB-I/AAAAAAAACKw/XfdtO4l5PVI/s400/syndrome-and-century-04-733130.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Sempre que vou a Salvador preciso pedir informações a algum desconhecido. É natural, pois a cidade é grande. Mas as pessoas nunca olham para mim quando dão essa informação. Não sei se é o meu jeito tímido de perguntar, se é porque exalo a essência interiorana e isso desperta repulsa; pode ser também que minha facilidade em hostilizar pessoas pareça escancarada, o que deixaria os soteropolitanos desconfiados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;As rotas de ônibus são intermináveis. Comunico a referência do ponto no qual devo descer ao cobrador, que me escuta com indiferença, preguiça. Eu sempre acabo achando que ele vai se esquecer. Sempre acabo lembrando-o em certos momentos, e ele sempre diz “Sei, na hora eu aviso. Já está chegando”, mas eu sempre acho que ele tinha se esquecido sim, que só lembrou porque lhe chamei a atenção, e que ele jamais admitiria isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Um amigo que diz odiar Feira de Santana argumenta que uma das principais causas do seu ódio é a suposta verve bisbilhoteira do feirense: os naturais daqui não têm controle algum sobre si mesmo no momento em que deveriam, qual seja, o momento de se intrometer na vida alheia. Segundo esse meu amigo, as pessoas daqui se incomodam demasiadamente, e a maneira vulgar, grosseira e ofensiva como demonstram esse incômodo o irritam e o enojam bastante.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Talvez ele conseguisse morar em Salvador sem maiores problemas de espírito. Talvez... Mas, a não ser que eu esteja dando muito azar, lá na capital as pessoas se esqueceram de se olhar nos olhos. Quando alguém te fita você fica curioso, interessado. Nós jovens estamos acostumados – e fomos educados, ou melhor, contaminados pelos nossos próprios costumes – a entender que encarar alguém só é tolerável num momento de flerte. E Salvador me causou a impressão de que acabou levando isso a sério demais. Eu, que tenho interesse científico nas fisionomias das pessoas, não consigo me acostumar com essa postura. Não consigo deixar de olhar nos olhos das pessoas. Quando alguém, por qualquer motivo (geralmente ruim), me encara, eu, ao me perceber encarado, devolvo o olhar e mantenho-o fixamente, até que a outra pessoa “desista” e baixe a guarda (os olhos). A prática não é recorrente, e também não é uma armadura que visto para simular qualquer espécie de proteção. Algumas vezes faço isso porque sempre me impressiono muitíssimo ao perceber como essa pessoa pouco parece se importar com a troca de olhares; ela pára de observar e volta ao seu rumo como se absolutamente nada tivesse acontecido. Desejo no âmago do meu íntimo ter poderes sobrenaturais para ler a mente do desconhecido, para saber se realmente a cena não lhe fez diferença alguma; se ele, como eu, não ficou com uma vontade imensa de saber o que o outro pensou no momento da troca de olhares, quais seriam seus preconceitos, quais julgamentos sentenciou, quais hipóteses formulou, quais desejos despertou e quais pecados pôs em vias de cometer.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;* &amp;nbsp; &amp;nbsp; * &amp;nbsp; &amp;nbsp; *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Na rodoviária de Feira de Santana, no momento de ida, acabei encontrando dois conhecidos e ouvi, por estar entre eles, um dizendo ao outro (o primeiro recusava um convite de festa que aconteceria em Salvador ao segundo):&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;- Não dá. Estou cheio de trabalho para fazer. É final de ano chegando, a coisa fica apertada. E tem mais: acabei de voltar de Salvador, velho. Fiquei dois dias lá. O cara vai pra lá para ficar um dia, acaba ficando dois. E fica os dois dias inteiros falando mal da cidade. Salvador é assim. É f....&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Nunca conversei realmente com este sujeito, mas em todos os momentos que o vi interagindo com alguém, ora conversava em tom sério, ora em tom de brincadeira ou ironia e sarcasmo. Contudo, nesse momento fui pego desprevenido ao perceber que ele escolhera o tom da melancolia. Nunca o vi falando daquela maneira, e tal tom inédito dera-me um choque na parte de algum neurônio que armazena meu histórico lingüístico de receptor de frases, prosódia e discursos específicos deste camarada. Tenho conhecidos que jamais vi chorando ou ouvi falando sobre sexo ou drogas, e sei que me surpreenderia ao ver/ouvir a primeira vez. Mas tive uma grande certeza de que o choque de ouvir esse cara falando melancolicamente seria um dos maiores que já tomei. Talvez por que ele estivesse falando de Salvador. Realmente, nunca me expuseram Salvador dessa forma. Eu não sabia que “Salvador era assim”. Não sabia que é uma prática falar mal da cidade, não o “falar mal” banal, que é aquele que se refere a questões sociais, econômicas ou turísticas, ou mesmo das pessoas, mas o “falar mal” de algo que está acontecendo, de alguma coisa que existe lá, que lhe é inerente, que não se pode negar mas ao mesmo tempo não se consegue aceitar. Sei que meu conhecido, ao dizer que falou mal de Salvador, não deveria estar se referindo apenas aos problemas do transporte público, por exemplo. Alguma coisa dentro daquela selva descomunal fez-lhe formular perguntas que saberá de antemão ter muita dificuldade em encontrar as respostas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu não sei nada sobre a melancolia das capitais. A crise que uma cidade pode causar em alguém não deve ser tratada com desleixo. Ela pode ser pior que a crise da família, ou a crise do amor, justamente por se esconder atrás do pressuposto incoerente de que sua natureza não é humana, não é “humanizada” e, portanto, melhor tratável – este seria, nas devidas proporções, um dos grandes enganos com que o ser humano do século XXI poderia se iludir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-4061622270436114430?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/4061622270436114430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/12/sempre-que-vou-salvador-preciso-pedir.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4061622270436114430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4061622270436114430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/12/sempre-que-vou-salvador-preciso-pedir.html' title='A melancolia das capitais'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TP2kFRAoB-I/AAAAAAAACKw/XfdtO4l5PVI/s72-c/syndrome-and-century-04-733130.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-9202685324690892706</id><published>2010-11-16T06:24:00.000-08:00</published><updated>2010-11-16T06:25:08.758-08:00</updated><title type='text'>Difícil de acreditar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TOKT7vukytI/AAAAAAAACKo/2gHx8bYUKSo/s1600/itgtuyrutuiyio+019.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="260" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TOKT7vukytI/AAAAAAAACKo/2gHx8bYUKSo/s400/itgtuyrutuiyio+019.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Alguém, em Cachoeira, cidade histórica do Recôncavo Baiano:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;“Os caras estão correndo atrás. Estão procurando mesmo. Esses caras da polícia estão fazendo de tudo pra pegar alguns. Eu, que sou preto e tenho dreadlocks, tenho que ficar ligado, senão sobra pra mim. O bar do Reggae, por exemplo, é muito visado, devido ao preconceito que existe de que lá, por tocar esse estilo de música e ter clientes em sua maioria negros, devem fazer muitas ‘coisas erradas’. Mas acontece que em Cachoeira tá f... mesmo. O número de crimes só aumenta, e pessoas daqui assaltam pessoas daqui mesmo, imagina com quem vem de fora. Isso é muito drogas, tá ligado? É o crack, velho. O crack tá tomando conta daqui. Crack. É porque até agora não apareceu, mas daqui a pouco vocês vão ver um, dois, três fulanos se aproximarem da nossa mesa e pedirem dinheiro. Crack, sacou? Isso aqui tá acontecendo todo dia, toda hora. Cachoeira tá f... com isso mesmo...”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando eu viajo para outra cidade, fico na expectativa de que o clima lá seja diferente. Não precisa nevar, nem ter chuva de granizo; basta que o sol, a chuva, o vento, o mormaço e a umidade do ar não sejam idênticos aos de Feira. Porém, em 85% dos casos, dou azar. Mesmo quando viajo para outros estados do país, encontro condições climáticas muito parecidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Meu problema não é o clima em si, pois na minha rotina não existe essa parte onde reclamo do calor de Feira. O problema é que algum neurônio do meu cérebro, ao constatar que o clima é semelhante, não consegue se abrir para apreciar quaisquer outros aspectos da cidade que estou de visita. Por isso, acontecem duas coisas: a primeira é que eu acabo voltando de viagem sem conhecer muita coisa da tal cidade; e a segunda é que, devido a essa coisa do clima, os mínimos aspectos que consigo dar atenção acabam virando exemplos para comparação a Feira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em Cachoeira, por exemplo, nunca consegui dar real importância àquelas casas imperiais. O que mais me marcou, quando voltei de lá neste fim de semana, foi esta fala transcrita acima sobre habitantes do local imersos no mundo do crack. É claro que o Rio Paraguaçu tem “aquela coisa” que “bota a gente comovido como o diabo”, mas são as mudanças em sua maioria que nos chamam a atenção, que nos dão temas para conversas. O rio está lá, as casas estão lá, e creio ser garantido que durante algumas décadas continuarão a ser assim. Um amigo comentou: “Eu acho impressionante como há trezentes, quatrocentos anos atrás, já existiam pessoas aqui, no mesmo lugar onde nós estamos agora, vivendo, circulando, levando peixes para Salvador”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando atravessamos a ponte Cachoeira-São Félix, percebi que haviam colocado placas de ferro no local onde os pedestres transitavam. Ora, há poucos meses ainda eram tábuas de madeira, muitas até meio bamboleantes, soltas, carcomidas. Fiquei muito surpreso, pois aquela ponte, no estado precário em que se encontrava, exalava certo charme, certa “humanidade”. Eu estive em Cachoeira no primeiro semestre deste ano e vi essas tábuas de madeira. Meus amigos se recusaram a acreditar em mim; não conseguiam conceber a idéia de que no ano de 2010, século XXI, uma ponte mais velha que seus bisavós ainda estaria em tais condições. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não entendi porque era tão difícil de acreditar nisso, mas não questionei. Em outro momento, contei para eles um caso que aconteceu comigo: eu estava indo para o ponto de ônibus no Feira VI, quando ouvi um som ensurdecedor de uma música de pagode, som típico de carros que põem aquela aparelhagem assustadora. Porém, quando passa por mim, me deparo, estupefato, que a “aparelhagem” estava em uma carroça! Sim, uma carroça, puxada por um cavalo, na qual viajavam um homem e uma criança, tinha, embutidas, caixas de som que tocavam o tal pagode; inclusive, o som era de dar inveja a muitos carros maneiros por aí. Acontece que eu contei essa história e eles acreditaram de imediato, e riram. Até comentaram “Essas coisas... só em Feira mesmo”. Eu me perguntei por que seria mais fácil acreditar em uma carroça com um equipamento de som do que numa ponte que, até meses antes, não estava com aquelas placas de ferro, e sim com tábuas de madeira traiçoeiras. Talvez eles considerem que em Feira tudo é possível. Concordo, mas também acredito que esse “todo possível” também se dá porque estamos no século XXI, o começo do futuro, e que nessa gama de possibilidades também poderiam estar inclusos atrasos urbanos como velhas pontes de madeira. Lá em Cachoeira, não é mais recomendável banhar-se nas águas do Rio Paraguaçu. Mas isso já foi possível um dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-9202685324690892706?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/9202685324690892706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/11/dificil-de-acreditar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/9202685324690892706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/9202685324690892706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/11/dificil-de-acreditar.html' title='Difícil de acreditar'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TOKT7vukytI/AAAAAAAACKo/2gHx8bYUKSo/s72-c/itgtuyrutuiyio+019.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8731372162851932170</id><published>2010-10-27T15:15:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T15:15:29.126-07:00</updated><title type='text'>A prova perfeita e cabal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TMikONnkWAI/AAAAAAAACKk/gfUJS_cGMJY/s1600/tami.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TMikONnkWAI/AAAAAAAACKk/gfUJS_cGMJY/s320/tami.JPG" width="239" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;desenho de Tâmara Lyra. veja mais &lt;a href="http://flickr.com/bruxadementira"&gt;CLICANDO AQUI.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não pretendo provar nem sair por aí pesquisando, mas acho que nosso inconsciente muitas vezes, ao se acostumar com um local pelo qual o corpo translada com razoável freqüência, conclui para si que dificilmente algo de prejudicial poderá acontecer. Por isso, quando a coisa se dá, nosso susto é muito maior, e ficamos bem menos aptos a lidar com a situação. O que estou querendo dizer é que, embora você saiba que pode ser assaltado na sua rua, você não espera que isso realmente aconteça. Embora você saiba que pode ser seqüestrado por bandidos do seu próprio bairro, crê que isto seja quase impossível de se suceder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu penso assim quando circulo pela Avenida Maria Quitéria. De tanto andar nela, atualmente a considero bem mais segura que a Av. João Durval, por exemplo. Mas, segundo os especialistas, ambas estão igualmente perigosas. Não consigo deixar de me sentir seguro nesta avenida, ainda que meu primeiro assalto, a uns oito anos ou mais, tenha sido lá.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Outro caso, de uns cinco anos (estranho também), aconteceu nela, e eu ficara muito impressionado à época. Meu amigo, que estava comigo, parecia ter achado banal toda a história. O fato é que tínhamos acabado de adentrar um pedaço da avenida, pedaço este que conhecíamos muito bem e que jamais tinha nos trazido qualquer surpresa. Percebemos um bando de crianças e pré-adolescentes andando no meio da avenida, mas não demos a menor importância para isso. Nesse trecho ao qual me refiro se encontra uma escola pública do estado, e o horário era justamente de fim de aulas da tarde, o que tornava a nossa visão de dezenas de crianças algo corriqueiro e natural, ainda que muitas delas não estivessem de uniforme.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Aproximávamos tranquilamente para cada vez mais perto dessas crianças, e já tínhamos posto o pé no meio-fio para atravessar a rua. Elas não nos chamavam a atenção em nada, pois a conversa estava nos entretendo o suficiente. Até que, de repente, uma delas, que estava em cima de uma bicicleta, chegou até a nossa frente e interrompeu nosso percurso. Não me lembro muito da sua aparência física, mas lembro que não me senti ameaçado em hipótese alguma, pois a criança, embora de condição humilde (isso ficava claro na sua silhueta), não parecia, pela sua postura, pretender nos pedir dinheiro ou comida e muito menos nos assaltar. Ela estava, afinal, de bicicleta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Então ela nos surpreendeu com a seguinte notícia: aquele bando de crianças que víamos estava há alguns minutos planejando nos encurralar em algum local e espancar-nos. Ficamos atônitos, e só aí constatamos o fato delas estarem sem uniforme não era casual: era óbvio que ninguém estava saindo daquela escola, e quase todos portavam algum pedaço de madeira grande ou afiado. Armas. Não sei meu amigo, mas eu estava estupefato com aquilo. O menino, aliás, disse também que não concordava com aquilo e que não queria fazer parte desse negócio, por isso veio nos avisar pra gente tentar se safar. Agradecemos, ainda assustados, e fizemos uma volta enorme para retornar ao nosso caminho original. Deu certo, pois os meninos não vieram atrás de nós. Por muito pouco apanharíamos a pancadas de pedaços de pau de quase quarenta moleques num fim de tarde banal. E tudo partiria ali, da Maria Quitéria, de um local que nem no mais louco pesadelo eu imaginara algo semelhante acontecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O menino da bicicleta até hoje é uma incógnita social para mim. Por que será que ele não quis participar do espancamento? Por que ele frustrou os planos dos próprios amigos de ter uma diversãozinha a mais naquele dia? Ele, pela sua aparência, parecia sim ser um dos mais malvados, um dos que mais fazia traquinagens perversas. Não havia ganhado nada em ter nos salvado. Pelo contrário: talvez ele tenha sofrido nas mãos dos outros moleques por ter atrapalhado tudo. Sim, isso é possível. Deve ter apanhado bastante. Ou fugido de bicicleta, talvez? Mas, porque Deus ou quem quer que fosse impôs esta situação diante de nós? Para nos ensinar que não se deve julgar pela aparência? Para provar que o mundo ainda não está perdido, que existe gente boa nele, &amp;nbsp;mesmo nos meios mais decadentes e malévolos da sociedade? Como foi possível uma criança não se deixar influenciar pelas maldades dos amigos mais velhos e preferir salvar dois desconhecidos para que estes não sofressem? É incontável o número de crianças e adolescentes pobres que entram no mundo do crime e do tráfico por muito pouco. É incontável o número de crianças que estudam em escolas públicas e praticam vandalismo dentro e fora delas. Por que, então, aconteceu uma exceção? E logo comigo e meu amigo, que não acreditamos em tantas coisas? E logo ali, na Maria Quitéria, onde acreditávamos que não aconteceria nada conosco?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Já faz cinco anos ou mais, porém ainda não esqueci esta criança. Ela é, para mim, uma prova cabal e perfeita de que tudo neste mundo – ou, quem sabe, apenas em Feira de Santana – é possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8731372162851932170?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8731372162851932170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/prova-perfeita-e-cabal.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8731372162851932170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8731372162851932170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/prova-perfeita-e-cabal.html' title='A prova perfeita e cabal'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TMikONnkWAI/AAAAAAAACKk/gfUJS_cGMJY/s72-c/tami.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-1597496264821829435</id><published>2010-10-22T16:08:00.000-07:00</published><updated>2010-10-22T16:08:58.645-07:00</updated><title type='text'>O maior que eu já vi</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TMIZRfgFn8I/AAAAAAAACKg/no_4Wzs8hKU/s1600/imagem.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TMIZRfgFn8I/AAAAAAAACKg/no_4Wzs8hKU/s400/imagem.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;foto: Dolores Rodriguez. Para ver mais, acesse &lt;a href="http://flickr.com/coloresdedolores"&gt;CLICANDO AQUI&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Odeio hospitais. Sério. Algumas pessoas compartilham dessa opinião; elas alegam que o cheiro do lugar é insuportável. Mas eu não gosto de nada que se encontre nesses lugares. Todas as pessoas ficam mais feias e embrutecidas quando estão numa clínica, ainda que a maioria nem esteja portando doença alguma. Creio, inclusive, que a medicina institucionalizada seja mesmo um terrível problema para a moral humana moderna. Se todos os médicos do mundo fossem como Tchekhov, as coisas seriam diferentes. Mas não – a grande maioria deles são uns desgraçados.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Quando adquiri maior liberdade sobre meus atos, passei a freqüentar hospitais com o mínimo de freqüência, e em todas essas vezes mínimas meu desgosto era profundo. Recentemente, porém, tive de ir à Junta Médica do Estado da Bahia e consegui, milagrosamente, sorrir com sinceridade durante minha visita ao local. O motivo dos sorriso é a cena que se segue:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Entrei no aposento e a recepcionista estava de costas para mim. Antes que eu me aproximasse, ela se virou perguntando:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Pois não, senhor?&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Eu? – apontei para mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Sim, o senhor! O senhor não é um homem e, portanto, um senhor?&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Er... bom, me desculpe. É que eu cheguei e você estava de costas, e você simplesmente adivinhou minha presença, por isso achei que não fosse comigo.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Na verdade, &lt;i&gt;senhor&lt;/i&gt;, eu lhe vi pelo reflexo daquela porta de vidro ali.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Ah.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;E, em seguida, outra “gafe” (obs: lá no térreo, na triagem, a recepcionista havia me entregado a senha de atendimento de número 16):&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Preencha o formulário e assine aqui.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Ok.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Pode sentar e aguardar; o documento fica aqui, pois o médico é que irá lhe devolver. O senhor será chamado.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Percebi que ela havia confiscado o papel com a senha também, e quis me certificar do número:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Com licença, eu sou qual número mesmo? 16, ne?&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Não, o senhor não é 16, o senhor é João Daniel. Será chamado pelo nome.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Ah... obrigado.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;*&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;João Daniel é o nome do maior craque da história do time de futebol Fluminense de Feira, o Touro do Sertão. Nem meu pai, que foi quem pôs meu nome, lembra se foi devido ao jogador de fato ou porque quis dois nomes bíblicos (já que este segundo motivo fora o critério utilizado para a escolha do nome do meu irmão mais velho). O que eu sei é que para mim e para todos os senhores na faixa dos 45-65 anos de Feira de Santana, meu nome é uma homenagem a um ídolo da terra.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Num dia de sábado qualquer, eu jogava pôquer num campeonato amador; antes do início do torneio o organizador e anfitrião da casa ditou o nome de todos os participantes. O pai deste se encontrava ao meu lado; quando foi proferido “João Daniel”, ele não resistiu à pergunta:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Por que João Daniel?&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Pensei por 0,547 milésimos de segundos e respondi:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Por causa do grande jogador do Fluminense de Feira que tinha o mesmo nome.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;No mesmo instante, o homem tremeu e pôs a mão no meu braço que estava sobre a mesa, para em seguida aperta-lo bem forte. Então, disse:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Menino... você me emocionou profundamente agora...&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Eu não conseguia acreditar: os olhos do senhor estavam marejados, e foi aí que eu descobri que ela era um fanático torcedor do Touro. Começou a falar do maior craque daquela época e do seu maior ídolo; disse que já o vira jogar várias vezes, que ele era um monstro que não deixava nada a dever a gente como Kaká, Messi, Maradona. Narrou o primeiro gol que lembra que viu na sua vida: foi de João Daniel, e parece que foi um golaço. Afirmou também que tinha sérios problemas em ficar muito tenso quando seu time estava em campo; todavia, assim que a bola caía nos pés de João Daniel, ele ficava imensamente aliviado.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Eu ouvia aquela história ainda um tanto abalado, por constatar repentinamente uma paixão tão ardorosa. Este torcedor intercalava os casos que contava com pedidos de atenção para o filho, os sobrinhos e todos que estivessem passando no momento, para bradar:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Ei, veja! O nome dele aqui, ó... o mesmo nome do maior jogador que eu já vi jogar em toda a minha vida!&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Me garantiu, por fim, que se não fosse a decadência e a morte prematura de João Daniel, que era alcoólatra, ele com certeza seria melhor jogador do que o nosso número 1, o Pelé. Depois disso, voltamos ao pôquer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-1597496264821829435?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/1597496264821829435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/o-maior-que-eu-ja-vi.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1597496264821829435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1597496264821829435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/o-maior-que-eu-ja-vi.html' title='O maior que eu já vi'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TMIZRfgFn8I/AAAAAAAACKg/no_4Wzs8hKU/s72-c/imagem.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8593544390266205499</id><published>2010-10-15T04:55:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T04:55:30.469-07:00</updated><title type='text'>Bando de loucos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TLhBIcJQGRI/AAAAAAAACKc/liVqvisZfvg/s1600/ronaldo-alambrado-corinthians-600.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="273" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TLhBIcJQGRI/AAAAAAAACKc/liVqvisZfvg/s400/ronaldo-alambrado-corinthians-600.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Próxima a Aracaju, capital de Sergipe, fica a cidade de São Cristóvão, onde se encontra um campus da UFS, a Federal de lá, localizado no bairro Rosa Elze. E é lá também que estão morando dois amigos meus daqui de Feira de Santana. Um deles, recentemente, tomou notícia de que havia acontecido um homicídio por aquelas bandas. A população local ficara horrorizada, e um nativo, que havia feito amizade com meu amigo, aproximou-se dele e falou:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Está assustado, não é, camarada? Você imaginava que Sergipe fosse tão violenta assim?&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Meu amigo, apesar da situação desconfortável causada pela morte do morador, não pôde deixar de soltar um “risinho menosprezante”, e comentou:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Claro que não. Lá em Feira é bem pior. Lá em Feira isso não acontece de mês em mês não. É todo dia.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Se fosse pra dar um palpite psicológico, eu diria que meu amigo, mesmo que contra a sua vontade, sentiu uma espécie de orgulho por Feira-BA ser mais violenta que São Cristóvão-SE. Não costumamos atribuir coisas ruins (em tese) a sentimentos considerados &lt;i&gt;virtudes&lt;/i&gt;, como o orgulho (até certo ponto), a honestidade ou a humildade, mas meu amigo fora honesto em assumir humildemente que Feira era muito pior – e acabou sentindo orgulho disso. Certamente que o orgulho neste caso fora sentido apenas no momento em que ele sobrepunha dados sociais da cidade de Feira aos de São Cristóvão. Não importa para nós, feirenses, o que é maior aqui do que em outros lugares – basta sê-lo. E é por isso que somos um bando de loucos.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;A última frase que escrevi é megalômana por natureza e ainda não sei se ela é certeira. Mas na semana passada encontrei um casal de amigos que voltara de São Paulo após ficar um mês morando lá. Disseram algo que me deixou incrédulo: se sentiam mais seguros na maior capital do Brasil do que aqui, e, aparentemente, lá era menos violenta. Logo em seguida, outra feirense, que morara no Rio, dissera a mesma coisa. E acrescentou: “É muito essa coisa da mídia, a gente achar que Rio e São Paulo são violentas demais, são os piores lugares para se viver”.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Não me atrevi a contestar essas assertivas, nem o farei agora, mas eles disseram que um dos motivos para se sentirem bem seguros era a presença forte de policiais nas ruas. De fato, outro amigo meu, morador do conjunto Feira VI (localizado no bairro Campo Limpo), falou que era um milagre encontrar uma viatura da polícia nas redondezas e, quando isso acontecia, como nesta época, era devido ao período eleitoral. &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Em relação à cultura, existem feirenses mais loucos ainda. Mergulhados no eterno e tedioso argumento de que em Feira não existe nada para fazer e que &lt;i&gt;aqui não tem teatro&lt;/i&gt;, muitos já ultrapassaram o estágio da frustração e agora lidam com esse fato como algo exclusivo, inédito e até inovador. Profética, Feira é um entroncamento rodoviário, e todas as pessoas do mundo ainda passarão por aqui, pois o Brasil em vinte anos superará a economia da China (assim como Feira estará para Campina Grande-PB e Salvador-BA para João Pessoa-PB) e em cinqüenta anos será o centro do planeta; todos os gringos vão querer conhecer Lençóis, o Capão e toda a Chapada Diamantina e para isso, eu sinto muito, eles terão de passar por Feira de Santana.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Numa disciplina do meu curso aqui da UEFS me indignei quando um professor, explicando o motivo de morar em Salvador e não aqui, disse que lá era mais legal porque ele encontrava mais “gente louca”. Aqui as pessoas ainda se assustavam com um dreadlocks, com black powers, com piercings e tatuagens, mas lá isso era absolutamente comum. Ora, se ser louco lá é comum, como é que eles são loucos, se são comuns? Acontece que eu me indignei com tal pensamento, e nunca mais assisti a uma aula desse professor.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Eu pergunto a ele: loucos? Bando de loucos? Aqui em Feira sim, é que há um bando de loucos. Como o louco que encontrei ontem numa clínica de um médico oftalmologista. Fui fazer um exame e precisei dilatar a pupila. Esse “louco” era segurança, mas estava trabalhando também como atendente. Era um quarentão alto de cabelos grisalhos, branco e tinha olhos azuis ou verdes. As outras duas atendentes eram morenas ou negras, uma tinha seus trinta e tantos anos e a outra era bem jovem e atraente. Fui fazer uma gracinha estúpida, e tomei na cara. Perguntei primeiro a ele (elas não estavam por perto) se a pupila dilatava instantaneamente ou gradualmente. Segunda opção, ele respondeu. Então questionei se, com a pupila dilatada, eu ainda conseguiria distinguir que a atendente ao lado era bonita. O cara, sem olhar para mim, largou: “Rapaz, ali nem com a pupila dilatada... é tão feia que parece que dói!”.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Fiquei horrorizado. Ri sem graça e pensei como um genuíno louco feirense:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;- Esse louco deve ser, no mínimo, racista. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8593544390266205499?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8593544390266205499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/bando-de-loucos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8593544390266205499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8593544390266205499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/bando-de-loucos.html' title='Bando de loucos'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TLhBIcJQGRI/AAAAAAAACKc/liVqvisZfvg/s72-c/ronaldo-alambrado-corinthians-600.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-7654735342844507288</id><published>2010-10-08T12:38:00.000-07:00</published><updated>2010-10-08T12:38:34.980-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Separados no nascimento'/><title type='text'>Separados no nascimento - Jogadores de futebol e Artistas - Parte I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;dedicado a &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://obomjogador.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: magenta;"&gt;Ederval Fernandes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://provocacoesponto.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;M. Correia&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9wTHLSnUI/AAAAAAAACKU/iSRz3zILin4/s1600/01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="207" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9wTHLSnUI/AAAAAAAACKU/iSRz3zILin4/s320/01.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;LUIS SUÁREZ&lt;/b&gt;, jogador uruguaio&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente joga no Ajax da Holanda)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;CADU&lt;/b&gt;, ex-BBB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v4m3RDzI/AAAAAAAACJ4/82Vwrngf19Q/s1600/02.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="161" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v4m3RDzI/AAAAAAAACJ4/82Vwrngf19Q/s320/02.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;FRED&lt;/b&gt;, atacante do Fluminense&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente lesionado)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;LUIZ CARLOS VASCONCELOS&lt;/b&gt;, ator brasileiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(o cara que fez Dráuzio Varela no filme &lt;i&gt;Carandiru&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v6DkG9KI/AAAAAAAACJ8/uIfx55rHuVk/s1600/03.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v6DkG9KI/AAAAAAAACJ8/uIfx55rHuVk/s320/03.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;MEZUT ÖZIL&lt;/b&gt;, alemão de origem turca&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente no Real Madrid de José Mourinho)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;WIN BUTLER&lt;/b&gt;, líder da banda &lt;i&gt;The Arcade Fire&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(recentemente lançaram um ótimo novo álbu&lt;/span&gt;m)&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v7F4SbWI/AAAAAAAACKA/h7cDAMezOZ4/s1600/04.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="172" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v7F4SbWI/AAAAAAAACKA/h7cDAMezOZ4/s320/04.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;PIRLO&lt;/b&gt;, craque italiano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente acho que no Milan)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;ALAN RICKMAN&lt;/b&gt;, grande ator inglês&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v9Pa0z7I/AAAAAAAACKE/8r3H726AE5g/s1600/05.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v9Pa0z7I/AAAAAAAACKE/8r3H726AE5g/s320/05.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;PIQUÉ&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;, zagueiro espanhol&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(estava no time da Espanha campeão da Copa 2010)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(joga no Barça)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;HENRI CASTELLI&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;, ator brasileiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v_B7G7MI/AAAAAAAACKI/zT2uVSxbGEo/s1600/06.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="107" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9v_B7G7MI/AAAAAAAACKI/zT2uVSxbGEo/s320/06.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;PEPE&lt;/b&gt;, zagueiro português de origem brasileira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(está ou no Real Madrid ou no Barcelona)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;HUGO WEAVING&lt;/b&gt;, ator australiano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(fez o Agente Smith em &lt;i&gt;Matrix&lt;/i&gt; e o &lt;i&gt;V de Vingança&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9ySxvwOnI/AAAAAAAACKY/80SPlgLmHEQ/s1600/07.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="198" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9ySxvwOnI/AAAAAAAACKY/80SPlgLmHEQ/s320/07.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GATTUSO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;, quebrador italiano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente toma cartões no Milan)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;WENDELL&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;, irmão de Ederval&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente sofre com o Bahia)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9wDCUWZII/AAAAAAAACKQ/cvLsRrSK8UM/s1600/08.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="211" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9wDCUWZII/AAAAAAAACKQ/cvLsRrSK8UM/s320/08.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;KAKÁ&lt;/b&gt;, astro brasileiro do futebol&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente escreve no twitter)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;NIVALDO&lt;/b&gt;, irmão de Maurício&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(atualmente gosta de pôquer)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-7654735342844507288?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/7654735342844507288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/separados-no-nascimento-jogadores-de.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/7654735342844507288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/7654735342844507288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/10/separados-no-nascimento-jogadores-de.html' title='Separados no nascimento - Jogadores de futebol e Artistas - Parte I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TK9wTHLSnUI/AAAAAAAACKU/iSRz3zILin4/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-2530456611371608547</id><published>2010-09-23T05:23:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T05:32:34.170-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trilogia Santa Bárbara'/><title type='text'>F   E   L   I   C   I   D   A   D   E</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJtHDpcutWI/AAAAAAAACJs/0n__hEZH4XU/s1600/tamara3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJtHDpcutWI/AAAAAAAACJs/0n__hEZH4XU/s400/tamara3.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;para ver mais desenhos de Tâmara Lyra, &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://flickr.com/bruxadementira"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;clique aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://flickr.com/bruxadementira"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Após os textos &lt;a href="http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/anota-na-caderneta.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;“Anota na caderneta!”&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/como-neymar-no-santos.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;“Como Neymar no Santos”&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, decidi encerrar aqui a trilogia de crônicas sobre meu estágio como professor no Colégio Estadual Prof. Carlos Valadares lá em Santa Bárbara. Neste, devo falar brevemente sobre uma aluna específica e um presente que ganhei da mesma no meu último dia de aula.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em sete meses trabalhando na terra de Fernando de Fabinho posso concluir que fui um profissional apático e bem-humorado, que não me importava muito com as coisas e dificilmente estourava a cabeça por um aluno. Acreditem, vocês não irão ganhar o respeito de uma turma se simplesmente &lt;i&gt;ficar rindo&lt;/i&gt; de tudo o que ela faz. Num dia qualquer, no período do intervalo, eu estava conversando com algumas alunas da 5ª série, e falei que elas e seus colegas eram tão bagunceiros que um dia eu “voltei cho-ran-do pra casa”. As crianças se recusaram a acreditar (de fato era mentira), mas eu me impressionei com esta incredulidade. Não sei até que ponto os leitores conhecem a realidade dos estagiários-professores da UEFS: aqui, dificilmente conseguimos vaga em escolas públicas do estado ou do município no centro da cidade ou em bairros próximos. O colégio necessitado sempre está localizado num bairro periférico ou num município a 20, 30, 40 km. E, quando o caso é o nº 1 – bairros periféricos ¬–, quase sempre o colégio é do tipo “barra pesada”, o que resulta na desistência de mais de 50% dos estagiários nas quais todos alegam impossibilidade de exercer esta ingrata profissão – antes da desistência oficial, muitos (mulheres em sua maioria) voltaram para casa chorando em algum momento. Por isso fiquei surpreso com o ceticismo dos meus alunos; aquilo me incutiu uma suspeita: será que os estudantes baderneiros das escolas barra-pesada crêem que seja impossível um professor chorar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não sei como está a realidade da relação professor-estudante nas escolas particulares, mas aquilo que se vê nos filmes não é muito verossímil. Nas novelas, muitas vezes vemos um personagem-professor se relacionando muito bem com um personagem-aluno, auxiliando-o em sua vida pessoal, aconselhando-o, tornando-se seu amigo. O aluno – essa é a parte mais importante – aceita de bom grado o ombro conselheiro do seu mestre, pois precisa de um apoio que não encontra em casa; este aluno é alguém sensível e que se entrega ao primeiro professor que demonstrar sensibilidade suficiente para receber um aluno entregado. Nas escolas públicas, as coisas não acontecem assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Confesso que fui impelido pelo sentimento de novela e ficções ao tentar, esporadicamente, travar relações com alguns alunos que cri necessitarem de ajuda psicológica. De um modo geral, eu sempre os chamava atenção para pirraçá-los, fazê-los acreditar em mentiras extravagantes (certo dia, ao aplicar uma avaliação, para convencê-los de que eu não tiraria as dúvidas de ninguém, resolvi dizer que eu era meu irmão gêmeo, pois meu irmão João não pôde vir naquele dia; e como eu não era João, mas Tiago, eu não sabia nada da matéria. Os alunos não queriam acreditar nisso, mas ficaram inseguros e tentavam me desmascarar de todas as formas – sem sucesso, pois eu estava muito atento quanto a isso); mas às vezes eu adotava o tom sério de segundo pai – e foi aqui que meu insucesso se tornou tão natural quanto frustrante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Todas aquelas crianças, sem exceção, são inacreditavelmente orgulhosas. Todos os pestinhas com os quais tentei conversar sobre algo recusaram minha ajuda, demonstravam uma auto-suficiência que não tinham, me hostilizavam em minhas tentativas. Mesmo que sentissem vergonha ou timidez, jamais confessariam esses dois sentimentos. Aquelas cenas que tanto imaginei do professor que consegue domar um aluno-problema, do professor que consegue fazer sorrir uma aluna sorumbática, do professor que consegue fazer participar da aula um aluno que se sentia incapaz, e tantas outras, são todas falsas. Não creia que isto possa se dar de maneira intencional e planejada; quando acontece de um aluno gostar de um professor e se abrir com ele, muito disto é puro acaso ou simpatia à primeira vista. Sem contar que eles são altamente imprevisíveis. Quando anunciei que sairia do colégio, alunos que eu não esperava lamentaram profundamente minha saída, enquanto outros que eu jamais pude imaginar que gostariam da notícia, comemoraram e pularam de alegria e, brutalmente, falaram na minha cara que pela graça de Deus eu iria embora dali. Uma aluna da 5ª série, de tão atrevida quanto Neymar no Santos, numa certa aula se recusou a obedecer às minhas ordens, alegando que, como eu iria sair dali mesmo, ela não tinha porque me dar atenção. Contudo, o que eu não sabia era que, embora os alunos da rede pública façam de tudo para não se abrir com os professores, as tentativas destes professores não passam em branco na cabeça de alguns deles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A estudante a que me referi no início do texto estuda na turma B da 6ª série, no turno vespertino. Minha disciplina, nesta turma, é Redação (hoje denominada “Eixos Temáticos”; meu tema era Identidade e Cultura). Como último trabalho da III unidade, passei o seguinte trabalho: cada aluno deveria, individualmente, escrever um diário pessoal comentando todas as nossas aulas da III unidade. A estrutura seria livre, e o aluno poderia, de maneira criativa, confeccionar o diário da maneira que mais o agradasse, incluindo aqui não só textos como imagens, mensagens, paráfrases, etc. Nesta semana eu corrigi os trabalhos e a grande maioria eram banais, até chegar no diário de Fulana. Seu diário era impressionante, e possuía uma estética exemplar, uma estrutura fortemente literária. Ela realmente emulou um diário de verdade de uma maneira criativa, como quase ninguém soube fazer. Devo reproduzir aqui a estrutura desse diário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;1 -&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; Capa- DIÁRIO ESCOLAR&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;2 -&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; &amp;nbsp;comentários sobre a 1ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;3 – &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;comentários sobre a 2ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;4 – &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;comentários sobre a 3ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;(Aqui ela escreveu simplesmente “Nada a declarar”)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;5 –&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; Mensagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;“&lt;i&gt;Para o senhor querido professor&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;Se um dia o vento levar seus momentos de felicidade não fique triste porque o que o vento leva ele traz de volta.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;Te adoro!&lt;/i&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;6 - &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;comentários sobre a 4ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;7 -&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; comentários sobre a 5ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Aqui ela colocou um P.S., a parte mais importante do diário:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;“Professor, o senhor pelo que eu conheco é uma pessoa legal, eu sei que no diário não era para colocar isto mas vou colocar eu não esqueco no dia que eu tava no canto triste e a única pessoa que veio falar com migo foi o senhor muito obrigado por ser uma pessoa legal e inteligente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Não foi isso que aconteceu na aula&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;mas foi isso que eu quis dizer”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Sim, ela estava se referindo a um dia bastante remoto em que, ao vê-la triste e cabisbaixa num canto da escola, afastada de todos os outros, eu fui lá e sentei ao seu lado e tentei animá-la, puxar conversa, em vão. Eu havia concluído que esta tinha sido mais uma tentativa frustrada de ajudar um aluno, e que ela esqueceria o ato no mesmo instante, até ler no seu diário e ver que aquilo pelo visto deve ter sido importante para ela - e fiquei comovido, na verdade emocionado, ao saber que apenas o fato d’eu ter me dirigido até lá havia sido suficiente. E foi esse o presente que recebi desta aluna.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Continuando o diário:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;8 - &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;comentários sobre a 6ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;9 -&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; comentários sobre a 7ª aula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;10 –&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; Comentário extra:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;“Para mim o que é as aulas de redação?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Redação para mim é a matéria mas fácil de se aprender e é uma matéria muito especial para quem gosta as aulas de redação é super divertida anima qual quer pessoa para quem não conhece passa a conhecer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Leia a outra parte&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;(ela escreveu isso para eu virar a página)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Para o senhor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;F - ica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;E - sta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;L - embrança&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;I - nesquecível&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;C - omo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;I - nvestimento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;D - a nossa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;A - mizade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;D - e ontem, hoje, amanha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;E - sempre&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;11 - &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;Professor João Daniel.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;Nuca esqueca da sua aluna&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;Xata.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;i&gt;As pessoas que tiveram o privilhejo de te conhecer a pessoa mas alegre. Eu te concidero não so como professor e sim como amigo.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;12 - &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Desejo para o senhor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;- tristeza&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;+ alegria&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;X amor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;/ por dois corações&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;13 - &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;1.000 felicidades&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Ok.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;(aqui a mensagem foi desenhada dentro de um coração desenhado e pintado de vermelho)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;14 – &lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;“Seja feliz com ou sem multivo.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;“Amizade não se compra se constrói.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;“Dê risada sem multivo”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Ass: sua querida aluna. Gostou? R=&lt;/span&gt; &lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;(aqui no caso ela deixou um espaço para eu responder, hahahahahahaha!)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E eu respondi: adorei!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-2530456611371608547?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/2530456611371608547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/f-e-l-i-c-i-d-d-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2530456611371608547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2530456611371608547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/f-e-l-i-c-i-d-d-e.html' title='F   E   L   I   C   I   D   A   D   E'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJtHDpcutWI/AAAAAAAACJs/0n__hEZH4XU/s72-c/tamara3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-368784988658175541</id><published>2010-09-15T09:04:00.000-07:00</published><updated>2010-09-15T09:06:43.309-07:00</updated><title type='text'>O projeto inconsciente</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJDuKcpPOZI/AAAAAAAACJU/G0gz1YLHFjw/s1600/untitled.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" qx="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJDuKcpPOZI/AAAAAAAACJU/G0gz1YLHFjw/s400/untitled.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Em outubro deste ano conheceremos o novo presidente do Brasil. Enquanto eu ainda não sei em quem votar, continuo utilizando o critério de eliminação. Chegará um momento, contudo, em que será necessário escolher – e as opções não ajudam.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Não assisto a telejornais e nunca me acostumei a comprar jornais e revistas, e admito que faze-lo é importante neste período de eleições. O caso da quebra de sigilo da filha de José Serra, por exemplo, ficou, ao que parece, bombando na mídia; o que eu não sabia, &lt;a href="http://www.jaderdourado.com.br/news/extinta%20empresa%20de%20veronica%20serra%20expos%20os%20dados%20bancarios%20de%2060%20milh%C3%B5es%20de%20brasileiros%20obtidos%20em%20acordo%20questionavel%20com%20o%20governo%20fhc/"&gt;e li anteontem aqui&lt;/a&gt;, é que a própria vítima já havia supostamente feito o mesmo a tempos atrás. O programa eleitoral de Serra, à época, fora brilhantemente estruturado – lembrava até mesmo dos problemas de Lula e sua filha com Fernando Collor, no ano em que este último fora eleito presidente. Me pareceu uma boa tática, suficiente até, mas com essa “nova” informação Serra deve estar praticamente perdido. Na sua megalomania em acreditar que implantou e foi o criador de todos os programas de saúde do Brasil em vigor (o caso dos remédios genéricos é o mais grave), afigura-se quase patético quando Serra, intercalando a si próprio hoje com imagens de sua juventude militante, declara que sempre quis ser presidente do Brasil, mas que jamais faria isso a qualquer preço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Nunca tive pretensões de convencer algum eleitor a votar em tal candidato, mas confesso que desta vez estou torcendo para que ninguém vote em José Ronaldo. Em sua arrogância política, este candidato do DEM foi capaz de pressupor que já teria os votos de Feira de Santana, por já ter administrado a Gloriosa. E, comodamente, esqueceu-se de fazer campanha por aqui (a carreata de domingo foi um milagre: certamente que o alertaram de que, se ele não fizesse ao menos esta, poderia se prejudicar bastante ). Em sua propaganda, jamais constrói uma frase cujo sujeito ou objeto é Feira com o verbo conjugado no futuro. Recentemente, recebeu o título de cidadão soteropolitano. E os políticos que o apóiam, ao fazê-lo, proferem o seguinte argumento: “José Ronaldo já não é mais (apenas) de Feira de Santana”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O nosso ex-prefeito deixou para Nelsinho da Kamys a função de realizar a “parte feirense” da sua campanha. Mesmo após os escândalos envolvendo sua pessoa e a Lei Ficha Limpa, Nelsinho pôde lançar sua candidatura. Não é daqueles políticos auto-suficientes, pois cita o nome de Zé Ronaldo em seus jingles e discursos (o TSE bem que poderia proibir a aparição de Lula nas propagandas da Dilma) - não deverá ser eleito. Seus dois companheiros Graça Pimenta e Fernando Torres (candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente) têm se destacado pela quantia imensurável de grana que vêm torrando em suas campanhas. O caso de Graça Pimenta é ainda mais alarmante – não dá pra saber de onde a atual primeira-dama da cidade tira tanto dinheiro. Com certeza os dois, juntos, já gastaram mais verba do que gastarão em seus mandatos para melhorar as coisas por aqui, caso sejam eleitos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJDuM071FBI/AAAAAAAACJk/PlD5pt-fqXc/s1600/arcade-fire.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" qx="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJDuM071FBI/AAAAAAAACJk/PlD5pt-fqXc/s400/arcade-fire.jpg" width="378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O maior projeto realizado por Wagner em seus 4 anos de governo fora concebido inconscientemente: despertar nos baianos o sentimento de bairrismo e, a partir daí, promover uma divisão arbitrária: uma parcela aceitou-o como baiano de coração e amou-o como a uma versão baiana de Lula. A outra, do contrário, desde sempre lhe nutrirá desafeto e desconfiança; para alguns destes, Wagner nem sequer é brasileiro, mas um gringo, um galego. Eu, mesmo abominando o bairrismo e a xenofobia de um modo geral, gastei a exceção da regra que eu tinha por direito, e escolhi fazer parte da segunda parcela. A implosão da Fonte Nova para construção bilionária do novo estádio é um crime, e a sugestão do seu nome popular dada por Wagner – Lulão – é crime maior ainda.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Infelicidade é saber que os oponentes de Wagner estão muito fracos. Geddel nunca terá o carisma que aparenta nem a fibra que a muito custo finge que tem. Paulo Souto demonstra uma decadência de espírito que não deve estar agradando nem um pouco lá no outro mundo seu falecido líder, o ACM. Não haverá segundo turno. Wagner, infelizmente, será reeleito. O voto é secreto, mas acho que o meu irá para o insólito Sandro Santa Bárbara, pelo absurdo critério de que, em sua propaganda eleitoral na TV, a música de fundo é de Arcade Fire, banda que admiro bastante. Só espero que, no dia da minha visita à urna, eu já tenha feito uma escolha mais coerente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-368784988658175541?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/368784988658175541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/o-projeto-inconsciente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/368784988658175541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/368784988658175541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/o-projeto-inconsciente.html' title='O projeto inconsciente'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TJDuKcpPOZI/AAAAAAAACJU/G0gz1YLHFjw/s72-c/untitled.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3841402960407654551</id><published>2010-09-08T16:59:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T17:03:37.104-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='habitantes'/><title type='text'>Feirenses III</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIgjFQspp6I/AAAAAAAACI8/N-Z_VDiEa7g/s1600/tamara2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIgjFQspp6I/AAAAAAAACI8/N-Z_VDiEa7g/s400/tamara2.jpg" width="351" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;desenho de Tâmara Lyra (&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;a href="http://flickr.com/bruxadementira"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;clique aqui&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; para ver mais&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A minha amiga-enigma Clarisse Lyra (autora &lt;a href="http://maladresseedelicatesse.blogspot.com/"&gt;&lt;b&gt;deste blog&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;) foi tentar o mestrado em São Paulo. Sei que sou fera em expor a vida dos outros neste humilde espaço, mas, no caso específico, não se trata exatamente de revelar uma informação pessoal: na verdade, torno público o fato, neste blog, antes para desejar a Clarisse que logre êxito no seu objetivo e afirmar que é quase impossível que tal não aconteça (devido à inteligência e competência da dita cuja), do que para bisbilhotar sobre sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O negócio é que eu trouxe à tona este acontecimento após ficar sabendo que os paulistas comprovaram a fama de serem, no geral, desconfiados. Pior: essa desconfiança tem sua hegemonia disputada entre os paulistas de nascença e os “imigrantes” que lá habitam, por incrível que pareça. Naturalmente que, devido a uma maldição internalizada em mim (e tenho esperanças de que em muita gente), de imediato pus-me a refletir sobre os feirenses, a compará-los com os paulistas, a julgar suas virtudes e vícios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Certo dia, uma colega do curso de Letras na UEFS, conversando comigo, queixou-se de que o baiano era muito receptivo, bondoso, aberto e nós não deveríamos agir dessa forma; deveríamos ser como os paulistas, frios ao ponto de, ao ver um estranho batendo à nossa porta solicitando ajuda, bater-lha na cara sem pronunciar uma só vogal. Não concordei com essa pessoa, no sentindo de que não acho um defeito ser receptivo e bondoso, muito menos qualidade ser frio e desconfiado. Falei que, se o baiano era assim, então estava bom demais e deveríamos nos sentir bem. Mas, na minha opinião, o baiano não é tão receptivo e bondoso assim, porque a Bahia não é só Salvador (supondo-se que esta os seja). A Bahia tem interior – a Bahia tem Feira de Santana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Só o fato de essa colega, feirense, ter tal visão a respeito das relações humanas já prova que não é bem assim que se dá essa alegria baiana toda. Eu mesmo sou um cara desconfiado. Todavia, não é tão interessante classificar quais povos são desconfiados e quais não são, sobretudo porque em todo lugar esse sentimento existe, é nutrido e, na nossa época, alarga-se cada vez mais. O que chama a atenção mesmo é aquilo que vou chamar de &lt;b&gt;Teoria da Fuga&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Aqui na cidade é impressionante como nós andamos fugindo dos conhecidos. Quando vemos que ele está se aproximando na rua, planejamos atravessá-la, dobrar a primeira esquina, entrar numa loja, fazer qualquer coisa para não encontrar o sujeito. No geral nunca conseguimos e, até o limite de campo de visão e audição, ou seja, até onde o outro não pode lhe escutar ou ler seus lábios, você amaldiçoará aquele encontro casual. Porém, é mais surpreendente ainda quando, assim que a pessoa adentra este campo, você está todo sorrisos e consegue ser razoavelmente simpático e solícito. Confesso que assim o sou também; não gostaria de falar com muita gente que falo; aliás, gostaria mais ainda de não &lt;i&gt;parar para falar&lt;/i&gt; com algumas pessoas que param para conversar comigo. Nós feirenses não somos no geral apressados ou impacientes; mas, essa “fuga”, ou desejo de fuga, acontece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A Teoria da Fuga se torna complexa à medida em que vamos percebendo algumas variações. Quem freqüenta as praias de Cabuçú e Praia do Sol sabem que por lá não suportam os feirenses (não é que os odeiem, apenas estão enjoados de suas caras). Somos do interior, não da capital, mas o motivo não é esse: se você disser que é de Santo Amaro, Cachoeira, Amélia Rodrigues, o mais minúsculo município que puder dizer, já está ótimo. A impressão que fica é a de que os feirenses contaminam. No Capão, na Chapada Diamantina, só dava soteropolitano (além dos gringos). Com o passar dos anos, a presença feirense cresceu bastante por lá. Em breve, o Capão será a nova Cabuçú. Nós não gostamos de vermo-nos aqui, mas quando nos encontramos em outros cidade/estado/país, ficamos muito felizes (embora existam algumas diferenças por questões de convenção, por exemplo: não temos problemas em sermos vistos em Salvador, pois não há nada de mais em visitar a capital e, do contrário, é considerado até “maneiro” que façamos isso de quando em quando; por outro lado, alguns de nós ficamos receosos de sermos descobertos visitando o Capão, pois este lindo local está-se tornando cada vez mais um lugar-comum, e, para evitar que sejamos comparados aos “alienados culturais” que lá freqüentam, procuramos despistar aqueles que podem nos acusar desta alcunha). Isto é natural e acontece com qualquer pessoa e em qualquer lugar, mas não podemos esquecer que, em Feira, iremos comentar em conversas que vimos Fulano em tal cidade, fazendo de tudo (de maneira quase involuntária) que ele não saiba que fizemos tal comentário e, mais ainda, que não nos encontremos nem paremos para bater um papo pois seria um alto desagrado conversar justamente sobre o acaso de nos encontrarmos em viagem. Mas, mais incômodo ainda é saber que o Fulano fará o mesmo que nós: contar para alguém sobre nós e fazer com que nós não nos encontremos com ele nem saibamos que ele comentou sobre nós; com tanto esforço para que o afastamento seja constante e considerável, não é de se admirar que, justamente por isso, acabemos nos encontramos, “por acaso”, a todo momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Sei que os feirenses são criativos quando necessitam, mas, se cabe aqui a expressão “modéstia à parte”, devo dizer que me surpreendi comigo mesmo ao me deparar com uma forma cínica que achei para fugir daqueles com os quais eu não quero &lt;i&gt;parar para conversar&lt;/i&gt; (que é bem diferente de apenas acenar). Uitlizo-a apenas na UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana, onde curso Letras): quando está vindo em minha direção alguém que sei que vai falar comigo e que pode &lt;i&gt;parar&lt;/i&gt;, simplesmente, antes que ele me perceba, começo a correr na direção dele, demonstrando desespero e uma pressa terrível, para que eu precise apenas passar por ele, acenar rapidamente e dar um falso sorriso cujo significado é “Hehe, você entende, estou com pressa, não posso parar para falar com você agora”. Até então sempre funcionou. Sei que é absurdo e eu nem deveria revelá-lo, mas, caso você me veja correndo e acenando para alguém, existirá sim a possibilidade de que eu não queria falar com aquela pessoa (isso me lembra uma coisa incrível que Enia, uma amiga minha, fazia, mas eu falarei sobre isso depois, pois por trás dessa “coisa” que ela fazia existia todo um processo em relação ao bairro do Feira VI). Mas, no final das contas, acredito que, por razões óbvias, eu provavelmente nunca faria isso com os leitores do meu blog, que, vale ressaltar, desde que leram meu primeiro post têm minha eterna gratidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3841402960407654551?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3841402960407654551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/feirenses-iii.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3841402960407654551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3841402960407654551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/feirenses-iii.html' title='Feirenses III'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIgjFQspp6I/AAAAAAAACI8/N-Z_VDiEa7g/s72-c/tamara2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-5872114870907408753</id><published>2010-09-05T18:04:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:04:49.393-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Separados no nascimento'/><title type='text'>Separados no nascimento - Políticos Baianos - Parte I</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9O1m4WCI/AAAAAAAACIc/-2FHQSbP4JI/s1600/01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="257" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9O1m4WCI/AAAAAAAACIc/-2FHQSbP4JI/s400/01.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Colbert Martins, candidato a deputado federal /&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Sylvester Stallone, ator norte-americano&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9QUlCeCI/AAAAAAAACIk/klPJN4nBO3Y/s1600/02.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="165" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9QUlCeCI/AAAAAAAACIk/klPJN4nBO3Y/s400/02.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Humberto Cedraz, candidato a deputado estadual /&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;William Faulkner, escritor norte-americano&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9Rve9iyI/AAAAAAAACIs/f2NpVpMdlw8/s1600/03.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="198" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9Rve9iyI/AAAAAAAACIs/f2NpVpMdlw8/s400/03.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Sérgio Carneiro, candidato a deputado federal /&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Arnaldo Antunes, músico brasileiro&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9TKk0CWI/AAAAAAAACI0/2Lc1zYa3gOk/s1600/04.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="157" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9TKk0CWI/AAAAAAAACI0/2Lc1zYa3gOk/s400/04.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;César Borges, candidato a senador /&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Cláudio Marzo, ator brasileiro&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-5872114870907408753?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/5872114870907408753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/separados-no-nascimento-politicos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5872114870907408753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5872114870907408753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/09/separados-no-nascimento-politicos.html' title='Separados no nascimento - Políticos Baianos - Parte I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TIQ9O1m4WCI/AAAAAAAACIc/-2FHQSbP4JI/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-6442442877340918688</id><published>2010-08-31T16:12:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T16:17:50.808-07:00</updated><title type='text'>A Queimadinha, parte II - Glória e Vexame</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TH2MBuf2E_I/AAAAAAAACIM/t0__PsZxi5g/s1600/perrgynt.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TH2MBuf2E_I/AAAAAAAACIM/t0__PsZxi5g/s400/perrgynt.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;foto de Eduardo Quintela da apresentação da peça Peer Gynt em Feira de Santana.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Mais obras do fotógrafo você encontra &lt;a href="http://flickr.com/duduquintela"&gt;clicando aqui.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Sei que parecerá uma idéia incoerente, devido ao post retrasado no qual eu afirmava que o Teatro era uma coisa maldita, mas acontece que eu gosto de Teatro. Não exatamente da instituição em si, mas do &lt;i&gt;teatral&lt;/i&gt;, dos gestos forjados, da retórica, do trabalho de reações. Admiro, também, as características da &lt;i&gt;mise-en-scène&lt;/i&gt;: iluminação, composição de cena, etc. O problema é que jamais assisti a uma peça inesquecível na minha vida. Devo deixar claro que paguei por quase todas as peças “relevantes” que entraram em cartaz em Feira nos últimos anos. A maioria era do Palco Giratório, excetuando-se alguns trabalhos, como Peer Gynt (um dos mais enfastiantes que vi) e Cabaré da Rrrrrrrrrrrraça. Excetuando-se este último, que foi realmente bom, todos foram experiências desagradáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Já me dei muito mal na vida devido aos meus chiliques teatrais. Um, em particular, me envergonha demais até hoje. Porém, ele é tão estúpido que a vontade de relatá-lo aqui supera a vergonha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Era 1º ano do ensino médio, primeira semana de aula, e muita coisa era novidade para mim. Saía de um colégio pequeno perto de casa para ir estudar no ainda-não-lendário-mas-falta-pouco-pra-isso Colégio Limite. Até a 8ª série (atual 9º ano) eu havia estudado em salas com no máximo 11 alunos. Nesta, havia uns 30. A aula era de artes, e o professor era Luciano Melo. Quando dei por mim, vi que ele estava exigindo que todos os alunos se apresentassem na seguinte ordem: nome, idade, BAIRRO e hobbies. Prefiro não refletir sobre o que levara a solicitar a informação em caixa alta aí listada. Acontece que, mal anunciou as exigências, toda a sala começou a tirar sarro de um colega meu, o Edmundo, pelo único motivo de que ele morava na Queimadinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Bom, pelo que eu havia entendido, a galera já se conhecia da 8ª série. Eu era um dos poucos novatos da turma, mas precisei de poucos segundos para compreender que a turma nutria alguma espécie de desprezo pelo bairro da Queimadinha e que Edmundo, morador de lá, era alvo de piadas e tinha vergonha de pertencer ao honroso território. Dizia para todos que morava num inconcebível “Conjunto Maria Quitéria”; mas, obviamente, não era verdade. Na época eu não conhecia quase nada da Queimadinha; sobre a fama dela, sabia que falavam da violência e do tráfico de drogas e, mesmo havendo bairros com índices bem mais alarmantes na cidade, era na Queimadinha que se concentravam as críticas e as supostas lendas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Edmundo estava no início da fila, era o primeiro a falar, e eu deveria ser o quinto ou sexto. Resolvi que não deveria admitir tais zombarias com meu bairro. Ao chegar minha vez, disse meu nome e esperei prof. Luciano perguntar o nome do bairro. Então, levantei da cadeira e, de pé, estufei o peito para berrar: “EU MORO NA QUEIMADINHA, POR-RA!!!!!” O efeito deste ato absurdo foi maior do que o pretendido: toda a sala me aplaudiu freneticamente e Edmundo me pareceu aliviado com a cena que se sucedeu. Ganhei sua amizade (bastante passageira, é verdade) graças a esse ato corajoso. Também graças a esse ato corajoso, uma das meninas mais bonitas da sala se interessou por mim (não é mentira). E, por esse mesmo ato corajoso, recebi o apelido eterno de “Queimadinha”, da boca do colega Horácio, que sumiu do colégio antes mesmo do ano letivo se findar (por onde anda você, Horácio?), mas que, antes disso, tratou de gritar diversas vezes o nome QUEIMADINHA! quando eu me aproximava - e dessa forma surgiria meu primeiro e esdrúxulo apelido em colégios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O mais surreal era perceber que os colegas passavam a me respeitar profundamente, pois decerto temiam a mim. Este ótimo estado ao qual eu me encontrei, contudo, durou poucas semanas. A minha glória estudantil foi por água abaixo quando, voltando para casa com Edmundo (afinal morávamos no mesmo bairro), adentramos por uns quarteirões pelos quais eu nunca havia passado antes. Mas, estava seguro de que era só seguir reto e conseguiria me achar. Quando me despedi de Edmundo (sua casa aliás ficava no cerne da Queimadinha), resolvi arriscar uma manobra audaciosa: dobrar à primeira esquerda. Mal pus os dois pés na rua, Edmundo gritara meu nome, e tive um mau pressentimento: ao me virar, me deparei com seu rosto ostentando um sorriso amarelo e maldoso; ele me perguntou que diabos eu estava fazendo entrando numa rua que não tinha saída. Devo ter ficado muito vermelho; me desculpei e admiti que havia me confundido; agradeci-lhe rapidamente e saí andando o mais rápido que pude. No dia seguinte, tentei fazer piada comigo mesmo, rir da situação, mas de nada adiantou: Edmundo contara a história a todos da sala, da maneira mais depreciativa possível, e minha fama de temível morador da Queimadinha fora completamente arruinada. Graças às minhas falcatruas teatrais e às minhas mentiras que, dentre elas, incluía o fato escandaloso de que eu conhecia todas as bocas de fumo do bairro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-6442442877340918688?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/6442442877340918688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/queimadinha-parte-ii-gloria-e-vexame.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6442442877340918688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6442442877340918688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/queimadinha-parte-ii-gloria-e-vexame.html' title='A Queimadinha, parte II - Glória e Vexame'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TH2MBuf2E_I/AAAAAAAACIM/t0__PsZxi5g/s72-c/perrgynt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-7665954953423244399</id><published>2010-08-21T20:55:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T05:32:34.170-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trilogia Santa Bárbara'/><title type='text'>Como Neymar no Santos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/THCfbCzGoCI/AAAAAAAACIE/iodEhgJiFns/s1600/tamara.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/THCfbCzGoCI/AAAAAAAACIE/iodEhgJiFns/s400/tamara.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;desenho de Tâmara Lyra. Mais obras da autora você encontra &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;a href="http://flickr.com/bruxadementira"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;clicando aqui.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Estagiando como professor num colégio público em Santa Bárbara, percebi que a relação entre professor e aluno é pouco variável. Geralmente os alunos não gostam dos professores; às vezes, odeiam; e, quase nunca, gostam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Considero que falhei no meu projeto de ensino para crianças e adolescentes de 5ª a 8ª série, pois faltam a mim algumas coisas que provavelmente devem ser necessárias: não consigo me incomodar, por exemplo, com o barulho em sala de aula. Isto é ruim, pois eu deveria reclamar para impor respeito, já que chegará um momento em que eu não conseguirei fazer nada na sala, tamanha a baderna. Minha única preocupação é que o inferno atrapalhe as salas vizinhas, pois os meus colegas detestam, e comentam depois às escondidas. Mas, às vezes penso que alguns deles são uns filhos da puta, e fico desejoso de que os alunos pintem e bordem cada vez mais; às vezes suas traquinagens são tão criativas que não consigo me controlar, e gargalho em plena sala de aula.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Também não consigo colocá-los para fora da sala, dar advertências, suspensões ou fazer observações na caderneta. Não sei o que me dá. Acontece que, por eu não fazer nada disso, não ser um reclamão sisudo nem punir severamente, os alunos não me desgostam. Com certeza não sou o professor predileto, mas não ter para si o ódio de uma estudante já é um alívio.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No ponto onde pego o ônibus para Santa Bárbara, me fazem companhia diversos outros professores. A dicotomia é perfeita: ou têm caras de novatos, como eu, ou carregam muita experiência nas costas. Os novatos não conseguem articular uma idéia sequer, estão sempre concordando com as observações dos experientes. Quase todos são mulheres, aliás; eu sempre fico calado – nunca consegui travar uma conversa ali.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Uma das mulheres chama a atenção pelo volume e a rouquidão da sua voz. Ela fala de maneira imponente, sabe como falar de ensino, dos alunos, da educação brasileira. Os novatos estão sempre ouvindo as coisas que ela diz e aprendendo com ela. Parece que todos têm a mesma impressão que eu – que ela deveria ser uma ótima professora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No turno da manhã, percebo que a relação de professora Beltrana com os alunos é agradável. Ela é bem despojada e aparenta ter absoluto domínio na sala de aula. Ela começou a ensinar há poucos anos, mas sua voz já começou a ficar um pouquinho rouca. Professora Sicrana, por outro lado, é odiada pelos alunos, pois, segundo eles, os trata com a maior grosseria do mundo. Ela nunca está de cara boa; sua voz, por algum motivo, é límpida e saudável.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas foi no turno vespertino que eu conheci um fenômeno chamado Eric, e acho que vale a pena citar o nome dele. Eric era professor de história deste colégio, e estava resolvendo sua vida com o governo, pois seu contrato estava com alguns problemas. Toda santa tarde (sem trocadilhos) que o homem aparecia naquela secretaria, era uma festa: os professores queriam apenas falar com Eric, saber se ele iria continuar no colégio, etc., etc. Até eu, que também sou calado com meus colegas, tentei falar com ele. O homem impressionava com sua dicção e sua desenvoltura. Ele era querido demais. Aparentava ter uns 50 anos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Até que, para minha plena estupefação, vi certo dia Eric em contato com seus alunos. Assim que ele deu as caras, várias alunas correram para falar com ele, muito felizes. Era impossível de acreditar. Ele vinha dar a notícia de que resolvera seus problemas e que permaneceria no colégio. A turma inteira comemorou, como o Brasil comemorou a permanência de Neymar no Santos. A voz de Eric – detalhe – era extremamente rouca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Foi aí que eu descobri o segredo para se tornar um grande professor: você precisa ter a voz rouca. Sério. Lembrem-se dos seus professores, e reparem que os grandes mestres todos tinham a voz rouca. Quando eu me deparei com essa revelação, fiquei preocupado com minha garganta – será que ela também se desgastaria com o tempo e ficaria rouca? Até que numa dessas quartas-feiras aí, fui dar aulas e em vários momentos tive de pigarrear e beber água, pois minha voz estava muito rouca. Foi incômodo, mas me senti orgulhoso – estaria ali o começo de uma notável carreira como professor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No final do mês de setembro irei me demitir. Minha única ansiedade em relação a essa questão é saber como os alunos reagirão à notícia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Sobre Eric, infelizmente, um Chelsea o levou do colégio: parece que ele passou num concurso e irá trabalhar em algum estado da região Norte – a moça que me passou a informação não sabia se era Roraima ou Rondônia, e é foda como as pessoas nunca sabem direito as localidades da maior região, em termos geográficos, do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-7665954953423244399?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/7665954953423244399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/como-neymar-no-santos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/7665954953423244399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/7665954953423244399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/como-neymar-no-santos.html' title='Como Neymar no Santos'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/THCfbCzGoCI/AAAAAAAACIE/iodEhgJiFns/s72-c/tamara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-6891219383649729135</id><published>2010-08-15T19:00:00.000-07:00</published><updated>2010-08-15T19:00:36.509-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana IX</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TGibD3ss2QI/AAAAAAAACH0/X2LHIDTCSGA/s1600/Bar_by_onesummerago.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="391" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TGibD3ss2QI/AAAAAAAACH0/X2LHIDTCSGA/s400/Bar_by_onesummerago.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em 90% dos textos que a gente lê sobre Feira de Santana e, mais especificamente, sobre &lt;b&gt;o que fazer&lt;/b&gt; em Feira de Santana, a gente vai encontrar a seguinte idéia: “Feira não tem nada. Feira só tem bar”. Também encontraremos a idéia de que ir ao barzinho no sábado à noite é realizar uma “típica noite feirense”. E assim por diante. A parte mais irritante, certamente, desses textos quase idênticos, é o primeiro item que se enumera ao acusar a falta de coisas a se fazer em Feira: o maldito&lt;b&gt; Teatro&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Agora eu me pergunto: em qual cidade do planeta Terra os amigos não saem pra beber no final de semana? Salvador? Buenos Aires? Budapeste? É claro que não. Como disse um camarada, “as pessoas devem achar que em Salvador a galera só vai ao teatro”. Se dizem que aqui não existe opção, lá é pior, pois, mesmo tendo opções, a galera sempre acaba indo pro bar – sempre acaba indo parar na JAM no MAM e em seguida no Largo da Dinha, no Rio Vermelho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Uma amiga de Salvador me falou - tomando cerveja no Rio Vermelho, aliás - que estava meio enfastiada de Salvador. Que lá havia poucas opções – creiam-me! – e que não existia muita empolgação para se fazer as coisas. Ela, aliás, acabara de vir de uma tentativa frustrada de ir ao teatro ver uma apresentação de balé russo – perderam o horário e, para não perder a noite, vieram para o largo da Dinha beber.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Duas meninas já me falaram que, vejam só, as festinhas universitárias em residências ou repúblicas de Feira não se comparam com as de Salvador – as daqui são infinitamente melhores. Primeiro que lá na capital é raro encontrar uma festa assim. E elas, jovens universitárias, realmente sentem falta de eventos assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TGibIglZsNI/AAAAAAAACH8/yNPo_repML4/s1600/Van+Gogh+night+cafe+s.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TGibIglZsNI/AAAAAAAACH8/yNPo_repML4/s400/Van+Gogh+night+cafe+s.jpg" width="297" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Até Van Gogh, há centenas de anos atrás, sabia que em qualquer lugar do mundo a galera vai mesmo é pro bar curtir o fim de semana.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Um dia eu estava voltando para casa de carona, no carro de um pai de família que se tornou colega meu das minhas jogatinas de pôquer lá na Comunidade Feirense de Pôquer. Aparentava ter uns 35 anos de vida, e eu não resisti à pergunta: “Você é de Feira?” Ele disse que não, que morava aqui há 16 anos. Formado em Administração e Agropecuária, trabalhava no ramo imobiliário e numa empresa de rações para animais. Perguntei também se ele gostava da cidade e ouvi como resposta um sonoro “Adoro!”. Explicou que &amp;nbsp;a classe A de Feira é, nas palavras dele, “intragável”, sobretudo por se acharem donos da cidade, mas nas classes média-alta e média-baixa encontrara pessoas maravilhosas, e tinha feito grandes amigos ali. Resolvi perguntar se ele conhecia a realidade de que a grande maioria dos jovens detestava Feira e queria sumir dali. Ele afirmou conhecer essa realidade, e até parecia compreender essa “revolta” da juventude feirense. E me questionou: “Afinal, o que Feira tem a oferecer ao jovem?”&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Imediatamente supus que ele estivesse falando do mercado de trabalho. Tive de concordar, partindo do senso comum de que Feira não abre muitas portas para os profissionais liberais, e mesmo o comércio é bastante disputado e perigoso. Porém, foi aí que veio minha surpresa. Ele dizia: “Pois é, não tem. Tem pouco ou quase nada. Em Salvador tem muito mais teatros do que aqui. Cara, em Salvador tem inúmeros teatros. Feira tem pouco a oferecer de cultura para o jovem. E o jovem precisa disso...” Não lembro de tudo exatamente, sei que ele não chegou a concluir o raciocínio pois a esquina onde eu desceria havia chegado. Fiquei bastante intrigado com a sua idéia, de que o mais importante para o jovem gostar e permanecer em uma cidade é a “cultura” que esta tem pra dar; e mais insólito ainda é saber que, seguindo este raciocínio, esta mesma cultura já não é tão fundamental para o adulto – pois, muito provavelmente, ele não teria tempo para essas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-6891219383649729135?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/6891219383649729135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/feira-de-santana-ix.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6891219383649729135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6891219383649729135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/08/feira-de-santana-ix.html' title='Feira de Santana IX'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TGibD3ss2QI/AAAAAAAACH0/X2LHIDTCSGA/s72-c/Bar_by_onesummerago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-4697911770533340032</id><published>2010-07-02T19:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T19:12:53.024-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bairros'/><title type='text'>Moradores da Queimadinha se revoltam com a seleção de Dunga - fato noticiado exclusivamente aqui n'O Tedioso</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TC6Z4Guo1hI/AAAAAAAACHs/BTAquVX6L5I/s1600/felipemelo_falta_afp_60.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="241" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TC6Z4Guo1hI/AAAAAAAACHs/BTAquVX6L5I/s320/felipemelo_falta_afp_60.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;foto: globoesporte.com&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Moradores da Queimadinha ficaram indignados com a derrota da seleção brasileira de Dunga por 2 a 1 para a seleção holandesa de&amp;nbsp;Bert van Marwijk nesta Copa do Mundo de 2010 da África do Sul. Assisti ao jogo aqui em casa e, ao término da partida, fui logo olhar a rua para saber a reação dos "torcedores" - e me assustei com o que vi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando esta quarta-de-final foi definida, eu conversava com Rodrigo D. (autor &lt;a href="http://chanzos.blogspot.com/"&gt;deste blog&lt;/a&gt;), e palpitei: o Brasil perderá por 2 a 1, de virada. Parece mentira, mas ele pode comprovar. É a verdade: eu profetizei. Porém, mesmo nesta expectativa, eu não esperava momentos tão absurdos na partida: primeiro, a enfiada de bola espetacular de Felipe Melo aos dez minutos do primeiro tempo para Robinho, culminando no gol deste, calando a boca de todos os críticos do protegido de Dunga; depois, o gol contra do mesmo Felipe, fazendo a boca dos críticos se coçar. E, por fim, a expulsão infantil do ainda Felipe Melo, abrindo a boca até de quem não criticava e escancarando a boca de quem já o fazia gratuitamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Embora eu não questionasse uma suposta falta de patriotismo ao afirmar com tanta convicção que Holanda ganharia, confesso que fiquei triste com a derrota brasileira e até senti pena de Felipe Melo. Quando você sempre acha que está sendo agindo da pior maneira (no meu caso, crer que Holanda ganharia) vem um colega seu chamado Thiago Matos e te liga pra dizer: "Você viu o jogo do Brasil?" Eu digo: "Vi. Eu não falei que seria 2 a 1? Tu achou que seria quanto?" E ele: "Eu apostei 4 a 1 para a Holanda! Hahahahaha!" E a ligação terminou com uma aposta sobre quem ganhará de Alemanha e Argentina - apostei na Alemanha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Me pareceu que, quando o juiz apitou finalizando a partida, a chuva começou a cair em Feira de Santana. Parem e se perguntem: qual a probabilidade de isso acontecer? 1 em 1 milhão. Mas aconteceu em Feira, claro, porque a princesa do sertão é uma cidade especial. Ao abrir o portão, percorri com os olhos de uma ponta à outra, até onde minha vista pudesse alcançar, toda a Intendente Ábdon - mais da metade das bandeirolas já haviam sido arrancadas. O pessoal não estava triste pela derrota, estava com raiva. De repente, dezenas de carros e motos começaram a passar voando, a toda velocidade, buzinando ininterruptamente. E duas crianças e dois adolescentes, pegaram uma camisa do Brasil e fizeram uma roda ao redor dela, cada uma puxando um pedaço da camisa. Então, começaram a rodar loucamente, e quanto mais veloz rodavam, mais forte puxavam a camisa, e pulavam. Pessoas que assistiam à cena começaram a jogar latas, cornetas e vuvuzelas nestas crianças, enquanto elas xingavam nomes que nenhuma leitura labial jamais seria capaz de decifrar. Além disso, riam e gargalhavam embriagadas de ódio pela seleção. Alguns segundos depois, o esperado aconteceu: a camisa da seleção brasileira se rasgou para quatro lados diferentes. Apenas pedaços de pano jaziam no chão; o espetáculo findou-se bizarramente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;Feira de Santana, Queimadinha, 02 de julho de 2010.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-4697911770533340032?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/4697911770533340032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/07/moradores-da-queimadinha-se-revoltam.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4697911770533340032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4697911770533340032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/07/moradores-da-queimadinha-se-revoltam.html' title='Moradores da Queimadinha se revoltam com a seleção de Dunga - fato noticiado exclusivamente aqui n&apos;O Tedioso'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TC6Z4Guo1hI/AAAAAAAACHs/BTAquVX6L5I/s72-c/felipemelo_falta_afp_60.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-1411265411668626405</id><published>2010-06-27T18:58:00.000-07:00</published><updated>2010-06-27T19:01:33.051-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ruas'/><title type='text'>De como descobri o final da Avenida Maria Quitéria</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCgBjUiYU7I/AAAAAAAACHk/W-18yo8c_O8/s1600/maria-quiteria-monumen010708mam45.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCgBjUiYU7I/AAAAAAAACHk/W-18yo8c_O8/s320/maria-quiteria-monumen010708mam45.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;texto originalmente publicado no &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://transarevista.com.br/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;site da Transa Revista.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A rua que mais andei a minha vida toda, excetuando-se a rua onde moro, é a Avenida Maria Quitéria. Passava por ela para ir aos colégios, às casas dos amigos, ao shopping, encontrar as paixões. A velha frase do meu pai “Isso aqui era tudo mato!” também se refere à Maria Quitéria. A imagem dela é tão forte para mim (ou eu apenas ache que seja) que já cheguei a iniciar um romance cujo começo é exatamente este – falando da Maria Quitéria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Vocês podem também pensar que isso de fato é um começo de romance, e que eu estou apenas copiando e colando aqui, e que eu estou sendo metalingüístico e que, mesmo que não seja o romance, quem sabe eu não comece um romance assim mesmo, tendo essa sacada justamente agora em que eu escrevo o texto, e com isso possa parecer original.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas, não é isso. Apenas quero falar da Maria Quitéria para relatar como foi minha experiência ao descobrir o final dela. Considero-a tardia, pois já andei tanto por esta avenida que deveria conhecê-la de ponta a ponta – mas só vim fazer isso recentemente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O trecho que mais conheço é o começo dela, onde temos agora um viaduto ligando-a com a Fraga Maya. Temos as casas de show Mega Fest e Garage, e a avenida divide localidades como a Queimadinha, a Coronel e a Kalilândia. Tínhamos o finado Campo São Paulo, hoje Mercantil Rodrigues, um hipermercado excêntrico que veio para tentar abalar o reinado do Bompreço e do G Barbosa (o que me parece impossível: nem o J Santos ele está conseguindo superar. Além do mais, nada destruirá nunca o G Barbosa. Esse maldito parece o Google, não à toa também começa com a letra G – está em todos os lugares, em todos os bairros; em cada rua se vê uma filial do G Barbosa: no Centro, no Sobradinho, na Cidade Nova, no Centro de novo, no Feira VII, no Centro mais uma vez... em todos os lugares do mundo existe um G Barbosa). O velho colégio Nobre, onde até alguns meses atrás eu me recusava a pisar no seu solo, por questões de princípios. E até aí era minha vivência maior. Algumas vezes eu chegava na Getúlio Vargas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Conheci alguns amigos que me fizeram andar mais alguns metros da Quitéria, e chegar a transitar por ela atravessando também a Presidente Dutra. Foi nessa época que eu passei ali pelas primeiras vezes no mês da micareta, e eu tinha que fazer várias voltas para passar pelas armações dos camarotes. Era a vez de conhecer o BNB, o Colégio Estadual, a locadora de filmes Planet DVD. Porém, só foi até pouco depois da Presidente que eu andei pela Maria Quitéria. Jamais passava da pizzaria Água na Boca. E ficava olhando o horizonte distante, sempre me perguntando: onde será que essa avenida vai dar? Será que ela é infinita? Será que, à medida que avancemos, às árvores vão crescendo mais ainda, crescendo enormemente, até chegarmos num bosque escondido em Feira de Santana, onde teríamos espécimes raríssimas de animais? Será que ela dava no Tomba? Será que ela dava numa BR Fantasma, que levaria para uma vila secreta onde só habitavam virgens lindas e cachorros de três cabeças, como o Cérberos? Será que ela daria, oh, céus!, no Eldorado?! Muitas eram minhas suposições, mas nunca tive coragem de andar até o final – sempre achei que seria longe demais e que eu me cansaria antes de conseguir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Um dia, &lt;a href="http://flickr.com/coloresdedolores"&gt;Dolores Rodriguez&lt;/a&gt; me chamou para ir num tal de Gauchão da Maria Quitéria encontrar uns amigos. Estávamos a pé. De repente, passamos a Presidente; passamos a Planet DVD; passamos o Água na Boca. Pronto, pensei; é agora: o Gauchão fica no final da Mª Quitéria. Eis o final dela: um estabelecimento capitalista. Que decepção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Para meu alívio, o Gauchão não ficava no final da Mª Quitéria. Parecia que existia muito mais ainda. Fiquei muito feliz e aliviado. Meu sonho do Eldorado ainda não havia sido assassinado brutalmente pelo capitalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Até que, de repente, certo dia, há poucos meses atrás, recebo o local de prova do último ENEM: um colégio lá depois do Feira VII. Fui irresoluto: minha mãe, a senhora vai me levar de carro. Já fui pro Feira VII algumas vezes: sempre percorri o caminho da João Durval. Portanto, achei que o percurso seria o mesmo. Mas eu estava redondamente enganado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No carro em movimento, percebo que minha mãe entra na Maria Quitéria. Resolvo não perguntar nada sobre o caminho. Até que ela passa a Getúlio, passa a Presidente, e começo a me preocupar. “Quando ela vai entrar na João Durval?” penso. De repente ela passou do Água na Boca e do Gauchão. Entrei em desespero: “Será que ela pretende ir até o final?” Não pude perguntar a ela; estava com medo de ela dizer que sim, que indo até o final da Maria Quitéria se chega no Feira VII. Seria horrível pra mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;De repente, uma desgraça: ela chegou ao final da Maria Quitéria. E, para minha decepção, para minha ira, para meu grande trauma urbanístico, a Maria Quitéria acaba nada menos desembocando na João Durval!!!! Na ridícula João Durval, avenida medíocre e vulgar, grosseira, pérfida, traiçoeira! Nada contra o dono do nome dela, mas esta é completamente ignóbil, com seu percurso todo torto e desengonçado... não tem a beleza, a imponência, as árvores, o esplendor da Mª Quitéria! Maldita seja a João Durval! A grande e majestosa Maria Quitéria termina desembocando nesta repugnante avenida, tal como um riachinho qualquer desemboca nos grandes rios que banham a humanidade! Não, não, mil vezes não! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;* &amp;nbsp;* &amp;nbsp;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E assim terminou uma história de amor, de esperança e de sonhos. A única lição que tiro é a seguinte: Feira é uma cidade maravilhosa, porque se eu morasse em Salvador teria de me preocupar não com uma, mas com uns trinta finais de avenidas grandes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-1411265411668626405?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/1411265411668626405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/de-como-descobri-o-final-da-avenida.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1411265411668626405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1411265411668626405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/de-como-descobri-o-final-da-avenida.html' title='De como descobri o final da Avenida Maria Quitéria'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCgBjUiYU7I/AAAAAAAACHk/W-18yo8c_O8/s72-c/maria-quiteria-monumen010708mam45.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-4055088539428676043</id><published>2010-06-22T12:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T12:38:38.140-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ruas'/><title type='text'>Minha Rua III - Histórias de um Intendente</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCEQ5QjIhNI/AAAAAAAACHU/eogUYQtAzVg/s1600/650x425_160615.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="262" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCEQ5QjIhNI/AAAAAAAACHU/eogUYQtAzVg/s400/650x425_160615.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Esta é a rua Intendente Ábdon. O que aconteceu neste condomínio? Quem descobrir, ganha um prêmio. Dica: o fato é recente&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não adianta você saber quem foi Lucas da Feira. Não adianta saber que Maria Quitéria não nasceu em Feira, mas em Cachoeira, nem que Georgina Erisman é a autora do Hino de Feira. E nem adianta achar que sabe muito ao descobrir que o nome do bairro “Queimadinha” se deve a queimadas que os moradores faziam ali, sobretudo na atual praça do Cruzeirinho – porque sempre vai existir alguém que sabe mais do que você sobre a história de Feira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Se considerarmos que existe a história de Feira, devemos atentar para a história de Feira com o mundo – são duas histórias diferentes. Provavelmente em momento algum da história da humanidade nós fomos o centro do mundo, nem quando Sartre veio aqui; por isso que aqueles que estudam o passado de Feira bipartem as suas curiosidades nessas duas grandes áreas: história particular, e história paralela, isto é: o que aconteceu em Feira no período da ditadura militar? O que aconteceu em Feira quando o primeiro homem pisou na lua? Quando Hitler sucumbiu no Stalingrado? Quando Marechal Deodoro proclamou a república? Quando John Lennon foi assassinado? Quando o Brasil perdeu para o Uruguai na copa de 50? O que Feira estava fazendo? Como seus moradores faziam a leitura dos acontecimentos marcantes do mundo?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ao mesmo tempo, temos nossas estórias particulares, mas nada que chame a atenção da grande maioria. Canudos foi tão pertinho que poderia ter sido aqui. Um dia desses fui pra São Francisco do Conde e tomei um susto quando vi um monumento numa pracinha: tinha um canhão e um busto, e lá dizia que a cidade foi fundamental como peça-chave para uma estratégia daqueles que lutavam pela emancipação ou da Bahia ou do Brasil, nem me recordo mais. Em toda maldita cidade baiana tem um canhão, um forte, um busto cretino. Aqui em Feira, talvez o único “monumento” referente a guerra ou atos heróicos, se encontra na praça dos Ex-Combatentes; e, justamente, não são grandes homens que morreram defendendo a nação, ou salvaram a vida de milhões de judeus nem nada parecido, mas apenas homens que já haviam combatido em algum momento de suas vidas e agora eram EX-combatentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas o patético de Feira se torna lírico quando vamos descobrindo estórias mais absurdas ainda. Li num livro enciclopédico sobre Feira, uma vez, uma história sobre o homem que dá nome à rua onde moro: o famoso Intendente Ábdon. Devo revelar a vocês que sempre tive problemas com este maldito intendente. Primeiro porque ninguém sabe que porra é intendente. É revoltante como todo mundo sabe o que é “superintendente” (como o superintendente de trânsito) mas não sabe o que é apenas “intendente”. E segundo que o nome deste infeliz é o mais complicado e impronunciável já existente. Á-B-D-O-N. Toda vez que vou fazer um cadastro e pedem meu endereço, num hospital, numa escola, num brega, no inferno, é constrangedor. Sempre tenho que soletrar no mínimo três vezes, e quase sempre erram no fim. O nome da minha rua nunca me trouxe benefícios. Nunca. Não serve como referência. Ninguém a conhece pelo nome. Para eu dizer como chegar aqui, devo começar: “rua principal, a que asfaltou agora, perto do Cruzeirinho, etc, etc.”. Enfim: acontece que achei nesse livro um índice com biografias de todas as figuras ilustres de Feira. E pensei: vou encontrar o maldito Ábdon; ele tem que ser no mínimo “o cara”, tem que ser o poderoso chefão da Feira, pra compensar o nome que tem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Então comecei lendo histórias sobre os grandes Agostinho da Mota, Germiniano Costa, Conselheiro Franco, Arnold Siva e finalmente cheguei à lista de Intendentes, que era enorme. Não muito surpreso, constatei que Ábdon era o primeiro da lista. “Pelo menos pra isso este nome serve!”, pensei. “Sempre será o primeiro da lista por ordem alfabética, pois com certeza não existe nome português que comece com duas letras A”. Até que constatei que a biografia do Médico Ábdon Alves de Abreu era minúscula, e só registrava um fato: no começo do século XX, o médico Ábdon disputava a prefeitura com o Coronel Bernadinho Bahia, e perdeu. Inconformado com a derrota, Ábdon viria a impedir que o coronel assumisse o cargo, e tomou dele à força a prefeitura e ainda deu certo, pois conseguiu governar alguns anos. Só depois do “mandato” de Ábdon é que Bahia pôde administrar a cidade como prefeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em 1964, no Brasil, a isso deram o nome de Ditadura Militar. Em 1905, em Feira, virou apenas uma rixa de vizinhos, e ficou por isso mesmo; pra não enfezar o intendente e médico, deixaram-o governar um pouquinho pra sentir o gostinho; depois, este pulou fora e o coronel pôde fazer sua parte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Fim da grande biografia do Médico e Intendente Ábdon Alves de Abreu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCEQ59QrwXI/AAAAAAAACHc/VYYRiAhDeL0/s1600/INTENDENTE+ABDON+-+30%25.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCEQ59QrwXI/AAAAAAAACHc/VYYRiAhDeL0/s320/INTENDENTE+ABDON+-+30%25.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-4055088539428676043?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/4055088539428676043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/minha-rua-iii-historias-de-um.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4055088539428676043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4055088539428676043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/minha-rua-iii-historias-de-um.html' title='Minha Rua III - Histórias de um Intendente'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TCEQ5QjIhNI/AAAAAAAACHU/eogUYQtAzVg/s72-c/650x425_160615.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-2703041142509302225</id><published>2010-06-19T06:55:00.000-07:00</published><updated>2010-06-19T06:55:59.667-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bairros'/><title type='text'>A Queimadinha, parte I - Beatles e Bukowski</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzL6amZ0iI/AAAAAAAACG8/20swEeFAGOw/s1600/bukowski.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzL6amZ0iI/AAAAAAAACG8/20swEeFAGOw/s400/bukowski.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Moro no bairro mais interessante de Feira de Santana. E, talvez, na rua mais interessante também: a rua Intendente Ábdon, rua principal do bairro da Queimadinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;É impossível negar: a Queimadinha possui uma força cultural em Feira e região que, nas devidas proporções, é comparável aos Beatles. Todos conhecem a Queimadinha, todos já ouviram falar. Todo feirense, no seu processo de crescimento e aprendizado, passa pela fase de criação de uma imagem a respeito deste bairro no seu imaginário particular. Tudo começa por este nome extraordinário, que chama a atenção pelo suposto patético acusado na palavra; mas, exatamente por isso, ele é marcante. Todos têm algo a dizer a respeito deste bairro. Pare um feirense na rua e pergunte: “O que você acha do bairro dos Capuchinhos? O que você acha do bairro Eucalipto”? Não terão muito a dizer. Ou então: “Escolha um desses bairros para comentar algo: “Muchila, Queimadinha e Sobradinho”. Em 99% dos casos, a pessoa escolherá a Queimadinha. A fama deste bairro se estende a Salvador, Alagoinhas, Cruz das Almas, às cidades próximas de Feira, São Gonçalo, Santa Bárbara, Conceição da Feira, Anguera, todas elas. Mas, por Deus, o que é que tem aqui que chama a atenção de todos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em primeiro lugar, a Queimadinha é o bairro mais próximo do centro. Só essa idéia já lhe reserva um lugar especial entre os bairros de Feira. Muitos dirão: a Kalilândia é bem mais próxima. Entendam de uma vez por todas que metade da Kalilândia já é o próprio centro, e a outra metade é a Queimadinha e nada mais. Procure em qualquer livro sobre Feira: Kalilândia não está inclusa na lista de bairros. A Kalilândia é um bairro fantasma, é um projeto megalomaníaco dos seus moradores de se emancipar da tradicional Queimadinha e se afigurar como um dos bairros mais importantes de Feira. Mas, a Kalilândia não conseguiu. A Queimadinha continua sendo a mais conhecida, citada, admirada e odiada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A Queimadinha ainda é detentora de dois conjuntos enormes, e completamente distintos entre si: o Centenário e o José Falcão. O segundo se concentra basicamente no Condomínio José Falcão, localizado na avenida homônima (mas que, até onde sei, oficialmente se chama Av. Visconde do Rio Branco) que, ao norte, descamba na BR-116, estrada que leva a lugares como Serrinha, Coité e a honorável Monte Santo, dentre outras. E o primeiro é o local menos parecido com a cidade inteira. Muitas casas foram construídas com o nível um pouco abaixo do nível da rua, o que nos concede uma visão peculiar, se comparada a todo o resto de Feira. Tudo isso, lembrando, é Queimadinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Você já ouviu falar na lagoa que serve de esconderijo a traficantes? Nos sujeitos que foram presos em flagrante pois usavam uma casa na Queimadinha de depósito de drogas como maconha, crack e cocaína? Você sabe onde ficam as bocas da Queimadinha? Já ouviu falar na fonte da Lili? Quantas histórias de drogas e tráfico você conhece em Feira, e quais delas têm a Queimadinha como personagem protagonista? Certamente que a maioria delas. No colégio onde dou aulas em Santa Bárbara, meus alunos conhecem Feira. Quando eu falei o nome do bairro, eles se empolgaram bastante, fizeram vários comentários, aludindo a idéias como eu ser “da área”, estar “no esquema”, estar envolvido em algum esquema de tráfico, em ser “barra pesada”, etc. Na próxima vez que me perguntarem isso, vou dizer que sou do George Américo pra ver o que acontece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Porque isso acontece tanto com a Queimadinha, é inexplicável. A Queimadinha não é o bairro mais pobre de Feira, nem o com maior índice de violência, nem onde o tráfico é mais forte, nem prostituição, nem estupro, nem pedofilia, nem quaisquer outras mazelas sociais. Mas, o que acontece ali é o que mais chama a atenção; e, sempre que acontece, as pessoas dizem: “Tá vendo? A Queimadinha é assim mesmo, rapaz!” Além dos dois conjuntos supracitados, existem a Queimadinha de cima e a Queimadinha de baixo. Nem sei onde eu moro exatamente. Deve ser na de cima. Enquanto na minha rua e em lugares como a Piripiri e a rua Rondônia vemos casas precárias, na rua Anápolis, logo acima da minha (a leste, na verdade), existem casas muito bem construídas, com carrões na garagem e cercas elétricas em todas elas. Uma delas toma um quarteirão inteiro, e o único rosto que vejo saindo dos seus portões é de negras vestidas com roupa de domésticas; os outros rostos estão sempre dentro de carros com fumês impenetráveis (já falei sobre isso &lt;a href="http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feira-de-santana-iv.html"&gt;neste post&lt;/a&gt;). E a casa rosada? Todo mundo que já passou pelo largo da Kalilândia já a viu, conhece sua imensidão. Lembrando que o bairro ali não é Kalilândia, mas Queimadinha. Veja esta foto do exterior dela que eu tirei; percebam a extensão dela, e olha que nem consegui enquadrá-la completamente:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzL_dI_F_I/AAAAAAAACHE/HjkmnLRY3N0/s1600/Kalil%C3%A2ndia04.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzL_dI_F_I/AAAAAAAACHE/HjkmnLRY3N0/s320/Kalil%C3%A2ndia04.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Agora, vejam apenas um pedaço do interior dela:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzMGISBdjI/AAAAAAAACHM/M9i6e8JHDF4/s1600/Kalil%C3%A2ndia07.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzMGISBdjI/AAAAAAAACHM/M9i6e8JHDF4/s320/Kalil%C3%A2ndia07.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ainda temos as piadas com o bairro, que são fenomenais. Todas elas aludem à pobreza, ao tráfico, e temas afins. A menção à Queimadinha desperta risinhos. Com certeza a Queimadinha já foi representada nos Simpsons e eu ainda não vi. Todas essas piadas são fruto de uma postura inconsciente do feirense, que é a de tentar desprezar um bairro que possui uma presença inegável dentro de nós. Moradores duelam com não-moradores para ver quem consegue criticar mais o bairro. Mas é como falar mal do Brasil: todos adoram falar mal, mas só 10%, ou menos, teria coragem ou vontade de realmente sair daqui. Os livros sobre Feira tentam dar mais atenção a bairros como Tomba, Brasília, Muchila, Santa Mônica, e até o SIM. A Queimadinha é como Charles Bukowski na literatura; marginal, os literatos se recusam a reconhecê-lo como um bom escritor, não o consideram cânone, desprezam seu legado, mas é fato que o cara tem uma legião de fãs e muita gente já ouviu falar. Assim é a Queimadinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em breve, contarei sobre como consegui a glória e a fama no colégio por ser morador da Queimadinha e de como me perdi pateticamente no meu próprio bairro. Já devo ter mencionado isso em algum momento neste blog.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-2703041142509302225?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/2703041142509302225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/queimadinha-parte-i-beatles-e-bukowski.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2703041142509302225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2703041142509302225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/queimadinha-parte-i-beatles-e-bukowski.html' title='A Queimadinha, parte I - Beatles e Bukowski'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBzL6amZ0iI/AAAAAAAACG8/20swEeFAGOw/s72-c/bukowski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-4249546712297362776</id><published>2010-06-15T14:26:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T05:32:34.170-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trilogia Santa Bárbara'/><title type='text'>Anota na caderneta!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;para Lorena&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBfusqIBGuI/AAAAAAAACG0/Avp1uAaC-Bg/s1600/entre-os-muros-3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="261" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBfusqIBGuI/AAAAAAAACG0/Avp1uAaC-Bg/s400/entre-os-muros-3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;2 a cada 3 pessoas que eu conto alguma história mirabolante do Colégio Estadual Prof. Carlos Valadares, localizado em Santa Bárbara, que é onde estou dando aulas desde o começo deste ano letivo, me dizem: "Você já assistiu 'Entre os muros da escola'? É um filme francês que mostra problemas de um professor com uma turma de alunos num colégio público; esta turma é composta por crianças filhas de imigrantes: tem japonês, africano, americano, etc, etc. É muito interessante como ele mostra que blá blá blá blá blá (...)".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Nunca assisti esse filme e jamais tive tal pretensão. Porém, após tantos comentários, até que fiquei curioso. Ao mesmo tempo, sou obrigado a brigar com minha própria picuinha que eu mesmo criei com os filmes: atualmente, não os assisto, não os procuro, e recomendo que façam o mesmo. Passei a tentar desmitificar gente como Almodóvar e Tarantino (até aí tudo bem) e mesmo Bergman e Fellini (isso é grave). Quando digo que não conheço, utilizo morfemas extremos, como “nunca” e “jamais”. E, neste caso, tive de apelar para o contexto do enredo. Para dizer que o filme é mera ficção e, como tal, seu desenrolar não deve ser considerado verossímil, cheguei a dizer que escola pública francesa nada tem a ver com escola pública brasileira. A pública da França são os colégios Nobre, Helyos e Visão aqui em Feira. Eu nunca vou saber se é realmente assim (pelo menos não por enquanto), mas as pessoas, quando escutam esse comentário, hesitam em discordar dele. E eu consigo atingir meu objetivo – mediocrizar o filme. Todos entendem que a realidade do Brasil é muito pior, e o que aconteceu naquele filme não aconteceria aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Já pensei, e mais de uma vez, confesso, em publicar pequenos textos falando sobre minhas experiências inéditas enquanto professor de ensino fundamental. Primeiro pensei em fazer outro blog só para isso. Depois, concluí que poderia fazê-lo aqui mesmo, n’O Tedioso, ainda que não falasse exatamente de Feira de Santana. Mas, o que me deixava com um pé atrás era achar que eu estaria sujeito a esse vírus que atinge a maioria dos blogs e qualquer site onde você pode publicar experiências e opiniões em geral: o fato de, mesmo que você não queira, passar a impressão de que sua opinião e experiências são as mais interessantes e das que mais podem chamar a atenção. Isso simplesmente acontece porque você conseguiu ter a “coragem” de publicá-las. E, em princípio de uma lógica bastante determinista, se você é capaz de tornar pública alguma vivência sua, é porque a classificou como superior às demais vivências comuns. É claro que muitos conseguem não dar importância a essa lógica; mas ela, mesmo que minúscula, impõe seu espaço – e a impressão que fica é a de que toda biografia, cinebiografia ou qualquer obra baseada na vida do criador - dos auto-retratos dos pintores consagrados às biografias “ghost-writeradas” - carrega um pouco desse sentimento de se considerar acima do ordinário.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBfunAlRzFI/AAAAAAAACGs/82iEZoeM29s/s1600/fellini-la-dolce-vita1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="312" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBfunAlRzFI/AAAAAAAACGs/82iEZoeM29s/s400/fellini-la-dolce-vita1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas, para além dessa cruel vaidade (adoro usar esse “para além”), existe a necessidade comum a todos os mortais de se compartilhar uma experiência. A que contarei, a seguir, me emocionou, e me emocionou a tal ponto de me fazer querer torná-la pública. Não considero o fato um grande acontecimento, nem de longe; mas, talvez, foi justamente por isso que fiquei com vontade de contá-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A cena foi muito rápida. Dois alunos da 5ª série B matutina, turma em que dou aulas de inglês, estavam se chateando um ao outro. Eles não são muito disciplinados, e já os chamei a atenção várias vezes em diversas aulas. Sou um mau professor; não tenho ética, não tenho didática, não me dou bem com práticas pedagógicas. E, o que fiz nesta ocasião, jamais seria recomendado por qualquer manual do bom professor. Neste dia eu estava particularmente punitivo; qualquer besteira era motivo para pôr uma anotação na caderneta ou o aluno para fora da sala. Meus alunos, incríveis, adoravam “ver sangue”. E, quando alguém cometia um “delito” e era acusado pelos demais, a turma inteira, em uníssono, clamava por uma punição.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Já me sentindo num coliseu romano, um aluno, Uesley, novamente chamara-me a atenção. Pedro havia lhe batido injustamente e injustificadamente. Olhei para Pedro e este não sabia nem o que dizer; de fato, fizera uma besteira e todos sabiam. Parecia admitir o crime, e esperava pelas conseqüências. O próprio Uesley puxou o grito de guerra: ANOTA NA CADERNETA! E a turma, sem piedade, reverberou: ANOTA NA CADERNETA! Eu e Pedro estávamos sob pressão, mas eu era quem detinha o poder; logo, Pedro estava muito mais nervoso. Uesley insistia no grito, assim como a turma, mas deixem-me lembrar que Uesley também é bagunceiro; com sua pele negra e seus cabelos lisos e olhos grandes, baixinho e simpático, seu aspecto enganaria um professor que não o conhecesse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Então, sem pensar, agi escrotamente: recriminei Pedro, perguntei se ele não se sentia envergonhado; questionei porque ele havia feito aquilo, se tinha algum problema com o colega. E bati o martelo dizendo: É Uesley quem decidirá seu destino. Uesley me dirá o que devo fazer. E agora, Uesley? Você foi a vítima; você tem o direito de decidir como deverei punir seu agressor. Anoto na caderneta? Sim ou não? Já estou com ela aberta, no nome do rapaz; minha caneta está em punho; só preciso ouvir o seu parecer, para aplicar a pena no réu.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não sei se usei todas essas palavras aí acima integralmente, mas “destino” com certeza eu falei. De repente, a turma fez um silêncio. Uesley foi pego de surpresa, e hesitou antes de falar. Ele não conseguia fechar a boca; esboçava um sorriso amarelo. Então, após alguns segundos (enquanto isso Pedro não fazia questão de encarar ninguém), Uesley falou: “Não, professor, não anota o nome dele não. A gente só tava brincando. A gente é brother”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Dei tapinhas nas costas de Pedro: “Foi salvo no último instante, hein?”. Sugeri que os dois trocassem um aperto de mãos, e o fizeram, sorrindo. Voltei à minha aula. É por isso que ser professor de crianças é do caralho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;É claro que a turma não ficou na paz eterna e nem tampouco esses dois pararam de se perturbar mutuamente, como acontece nesses filmes. A bagunça perpetuava, e eu não me iludia achando que poderia mudar essa realidade. Mas, cenas &amp;nbsp;emocionantes como aquela sempre haverão, e é a expectativa de esperar que elas aconteçam que me segura dentro da sala de aula. Mesmo que para isso eu tenha de apelar para atitudes consideradas inapropriadas, anti-éticas ou, sei lá, politicamente e pedagogicamente incorretas.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Lorena que o diga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-4249546712297362776?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/4249546712297362776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/anota-na-caderneta.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4249546712297362776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/4249546712297362776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/anota-na-caderneta.html' title='Anota na caderneta!'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBfusqIBGuI/AAAAAAAACG0/Avp1uAaC-Bg/s72-c/entre-os-muros-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8664333733884464474</id><published>2010-06-13T20:46:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T20:46:36.096-07:00</updated><title type='text'>Pôr-do-sol no caminho pro Shopping Boulevard</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBWlq5wYchI/AAAAAAAACGk/2ZSCRWZA9t4/s1600/Gal%2BCosta%2Bfantasia3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBWlq5wYchI/AAAAAAAACGk/2ZSCRWZA9t4/s400/Gal%2BCosta%2Bfantasia3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Estou viciado em andar de motoboy aqui em Feira de Santana. Simplesmente aconteceu: de repente, eu sentia um prazer inefável em duelar contra os capacetes, em nunca saber como colocá-los e sempre pedir gentilmente ao dono da moto como fazê-lo. No final das contas, o problema é sempre o mesmo: a minha cabeça, que é grande demais. Sempre digo que estou com muita pressa, para o motoboy fazer a corrida o mais rápido possível. Não consigo ver explicação para isso. A melhor delas que achei foi a seguinte: nas vezes recentes que fui em Salvador, constatei que o número de motos no tráfego é minúsculo. Além disso, é uma verdade que praticamente não existem motoboys em Salvador. Por isso, concluí que mais uma vez Feira estava à frente de Salvador - nós temos motos, e nós temos motoboys. E, com isso, passei a pegar motoboys mais vezes, para dar valor ao que tem de bom na nossa terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Vivemos num tempo em que os jovens não escolhem mais Alberto Caeiro como heterônimo predileto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu não curto muito o site de relacionamentos Last.fm e o consideraria inútil se não fossem as fotos dos artistas que são postadas lá. Não sei como os usuários conseguem arranjá-las. Tente ver apenas as fotos de Gal Costa, por exemplo. Fenomenal. Depois, faça um teste: procure alguém que nunca viu essas fotos nesse site, submeta ela à apreciação dessas imagens, e acione um cronômetro para saber quantos segundos se passarão até que essa pessoa faça a mesma pergunta: Onde será que eles conseguem essas fotos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Para quem não curte o pôr-do-sol do módulo VII na UEFS, indico o pôr-do-sol do Shopping Boulevard. Acreditem: se do lado de dentro existe uma praça de alimentação, do lado de fora você pode ver o dia caindo e se emocionar. Aqui não veremos o Sol propriamente dito, mas o céu escurecendo; nesse ritual, as cores em que ele se configura são impressionantes. Mas você tem que estar exatamente neste trecho: siga a Avenida João Durval no sentido norte-sul e dobre à direita na última esquina antes do ponto de ônibus do shopping. Desça um pouquinho, e você estará perto de uma antiga boca que existia ali (reza a lenda). Neste ponto, deleite-se com o entardecer mais belo de Feira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O bom de se dizer máximas, postulados e axiomas é que eles sempre chamarão a atenção, mesmo que para fins de revoltar alguns leitores. Quando bem feitos, eles impressionam pela forma como parecem ser realmente verdades absolutas. Conheço um cara que é muito bom nisso, o nome dele é Rodrigo. Não sei se foi antes ou depois de ler gente como E. M. Forster, mas o cara (Rodrigo) realmente sabe fazer essas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando Ginaldo, o Kiko, falou "Saí de Seabra e vim chorando no ônibus, meu velho. Voltei pra cá chorando. A última vez que chorei tem X anos, foi na festa de despedida de Pedro de Lara.", eu me comovi, mesmo sem estar participando da conversa no momento, mesmo sem saber que Kiko chora pouco, mesmo sem fazer a menor idéia de quem seja Pedro de Lara e de onde ele se despediu e para onde ele foi, sem saber a relação de Kiko com Seabra, do que é Seabra e do que é que tem lá de tão especial. A isso se chama literatura. Percebam porque ela é maior do que as outras artes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;"Exemplifico expondo os outros" é o nome de uma comunidade no orkut.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Clarisse, vinte e poucos anos, graduada em Letras com Espanhol; Vanessa, dez ou onze anos, estudante de 5ª série - atualmente, as duas pessoas cujos julgamentos sobre mim são os que eu mais temo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8664333733884464474?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8664333733884464474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/andar-de-motoboy-e-por-do-sol-no.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8664333733884464474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8664333733884464474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2010/06/andar-de-motoboy-e-por-do-sol-no.html' title='Pôr-do-sol no caminho pro Shopping Boulevard'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/TBWlq5wYchI/AAAAAAAACGk/2ZSCRWZA9t4/s72-c/Gal%2BCosta%2Bfantasia3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-5548694923098855355</id><published>2009-11-17T15:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T16:02:02.359-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana VIII</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;A Maria Dolores&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405225254162434930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SwM3uwVSi3I/AAAAAAAACGY/u1y3qbpzafE/s400/eu+e+uyat%C3%A3.jpg" border="0" /&gt; Venho acreditando cada vez mais na força das coincidências. Na força dos signos do zodíaco ou do horóscopo chinês. Acredito, nesse momento, até mesmo na estética dos textos de frases curtas. Hoje acreditei numa aula da faculdade: uma disciplina que nunca consegui prestar atenção um dia sequer (e o semestre já está na metade) me seduziu nesta terça-feira com o conceito de &lt;em&gt;Metáfora Conceitual&lt;/em&gt;, onde a metáfora está por trás do que foi dito, no plano das idéias; quando alguém diz que para chegar até ali na vida teve uma trajetória difícil, ele se utiliza da metáfora de que a vida é um caminho a percorrer, uma estrada – isso é metáfora conceitual. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acreditar é uma postura que cambaleia sempre e suas conseqüências oscilam em ser ridicularizado ou respeitado. Acreditar, em Feira de Santana, ganha uma força maior ainda e, portanto, o risco aumenta. Na foto acima, extraída &lt;a href="http://flickr.com/coloresdedolores"&gt;daqui&lt;/a&gt;, eu me encontro à esquerda; o rapaz da direita é Uyatã Rayra, músico da terra (mas também universitário, estudante de Economia na UEFS). Certa feita, numa reunião, eu ele e mais algumas pessoas tivemos de ver o mapa da cidade; colocamos no &lt;em&gt;Google Maps&lt;/em&gt; e selecionamos uma escala razoável para observar Feira. Havia meia dúzia de pessoas no recinto, porém, não sei porque, ele virou apenas para mim e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Não é linda, &lt;/em&gt;man&lt;em&gt;?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde então, nunca mais consegui deixar de respeitá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ridicularizar é muito bom. Todos querem uma oportunidade para fazê-lo. O Brasil nunca conseguiu se curar desta chaga. Mas eu, Uyatã e não sei mais quantas pessoas acreditamos que possa existir a mudança sim (embora eu reconheça que adoro ridicularizar muitas coisas e esta é uma das minhas práticas mais recorrentes). Porém, tudo torna-se mais complicado diante dos fatos. É lamentável o &lt;em&gt;fato&lt;/em&gt; de que poucos têm a insolência de fazer troça com a paralisia de Herbert Vianna (e quem o faz é duramente reprimido quase sempre), mas todos adoram zombar do braço cotó de Silvanno Salles. Quem vai reprimir estes últimos? Ou será que é mais fácil não reprimir ambos? É engraçado desdenhar de Salles; para muitos ele é brega, baiano e mau artista. As mesmas pessoas que se sentem muito à vontade para escrachá-lo se revoltam quando escutam alguém debochando de gordos, de homossexuais, de negros, de velhos, de todas essas minorias. Mas Silvanno Salles foi vendedor ambulante, passou dificuldades sócio-econômicas, enquanto Herbert Vianna era um jovem de classe média de Brasília que batizava bandas com nomes horríveis (&lt;em&gt;Biquini Cavadão&lt;/em&gt; é o caso mais famoso) e, junto com outras bandas dos anos 80, tentava reinventar o rock nacional reproduzindo sem praticamente nenhuma releitura as grandes bandas de rock em língua inglesa. Quem é que vai dizer que Salles tem mais razão na sua existência do que Vianna, devido aos sofrimentos que passou? Sendo assim, o talento de Cazuza deve ser reduzido porque se sabe que o pai dele era dono de tal gravadora e etc.? Os estudos pioneiros de Piaget para a psicologia da educação devem ser invalidados porque ele era muito rico e não fazia mais nada a não ser estudar e pesquisar sustentado pelo suporte da sua riqueza? Será que Rimbaud deve ser considerado melhor poeta porque foi para a África? Vamos assistir aos filmes de Billy Wilder com mais atenção e emoção porque os pais deles, judeus, morreram na Alemanha nazista. Vamos tentar enlatar Woody Allen porque ele traía suas mulheres com as filhas adotivas destas. Michael Jackson, pouco antes de morrer, não era tão grande artista assim, por ser pedófilo. Vamos achar comovente e um exemplo de vida Ray Charles e Stevie Wonder serem artistas e tocarem piano, mesmo sendo cegos. Mas Silvanno Salles não é exemplo de vida, porque o braço sem a mão dele é muito engraçado. Herbert Vianna foi uma superação que serve de exemplo a todos os brasileiros, porque ele toca guitarra e imita, sei lá, &lt;em&gt;The Clash&lt;/em&gt;. Antes imitar &lt;em&gt;The Clash&lt;/em&gt; do que levar adiante o legado da música brega e do Arrocha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405225256695107714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SwM3u5xIEII/AAAAAAAACGQ/0inPJvqknxg/s400/silva_sales_28_03_09_032.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;Moro num estado que é ridicularizado pelo resto do Brasil. Este, por sua vez, se auto-ridiculariza diante do mundo inteiro. Meu irmão me conta que foi assistir o filme &lt;em&gt;Besouro&lt;/em&gt;, de João Daniel Tikhomiroff, nos cinemas, e no decorrer da sessão teve de ouvir piadas racistas – quando as luzes se acenderam e ele olhou para trás, eram jovens de seus 16 anos, brancos, os autores de tais infâmias. Mas a Avenida Maria Quitéria mudou, e está linda; trocaram todas as luzes dos postes, de amarelas para brancas, e ficou ótimo. Até a asfaltaram – só faltaram avisar. Hoje eu prestei atenção numa aula. Hoje eu bebi cerveja ao meio-dia. Hoje eu peguei ônibus na Mª Quitéria, e lá se encontrava uma moça que freqüentava a APAE (desconheço o significado da sigla, mas a APAE é uma instituição que trabalha com pessoas de deficiência mental e física). Ela era negra, seu queixo era desfigurado, seus dentes mal-formados, seu cabelo era muito mal-arranjado. Sua presença era inquietante. Mas havia uma comoção que assolava meu espírito, e eu não saberia descrever (no máximo, o fato de que ela deve passar por diversas dificuldades na sociedade). É o sentimento hipócrita de pena que ataca todos os “normais”; é o mesmo sentimento que ainda sustenta o racismo, o machismo, a homofobia. Uma mesma pessoa que sente pena de um debilóide pode mesmo trocar de assento num ônibus se um destes sentar ao seu lado. Eu venho acreditando cada vez mais nas coincidências; mas nunca acharei coincidência a cena que vi há algum tempo, onde uma mulher passava pela catraca do ônibus e, procurando um local para sentar, se digiriu a um assento vago ao lado de um sujeito que tinha Síndrome de Down, pois aparentemente era o único lugar vago; contudo, quando viu que o assento posterior estava também vago, e que seu acompanhante à esquerda era uma mulher “normal”, conseguiu impedir o ato no último instante (apenas jogou o corpo pela metade) e se dirigiu à poltrona de trás. Feira de Santana. O politicamente correto me obriga a por a palavra &lt;em&gt;normal&lt;/em&gt; entre aspas. O politicamente correto ainda pode destruir um mundo inteiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que a festa que o mundo fez quando Obama foi eleito não foi um grande ato racista porque foi gloriosa demais. Existem as comoções sinceras, sim. Logo depois de encontrar a repulsiva freqüentadora da APAE, cheguei no Terminal Central da cidade e vi – meu irmão me apontou – uma família de pai e mãe com um casal de filhos pequenos, onde a filha tinha uma deficiência física – era cotó, não possuía a mão direita. Me emocionei de imediato; meu irmão deu um riso nervoso; a menina era graciosa, linda, com seu vestidinho rosa, seu doce penteado típico de crianças. Tinha seus cinco ou seis anos, e não tinha uma mão. Seu bracinho balançava para lá e para cá, afinal ela se locomovia bastante, precisava pôr para fora sua energia infantil. Eu e meu irmão apenas comentamos se ela deveria sofrer na escola, sendo vítima de gozações. Meu irmão, nos seus já clássicos pessimismos e franquezas, disse “Claro”. Mas não conseguimos dizer mais nada. Quando peguei o ônibus para ir à UEFS e assistir a primeira aula que me interessou no semestre, vi que a família o tinha pego também. A mãe sentou com o filho no colo em algum assento, mas o pai e a filha não acharam lugar. Meu irmão foi mais rápido e deu seu lugar a eles. A menina sentou do meu lado e o pai escolheu ficar em pé; porém, depois percebeu que era mais prático ela viajar no colo dele. E quando ele foi levantá-la e recomendá-la a tomar cuidado, ela se apoiou numa das barras da cadeira do cobrador com o bracinho sem mão, esticando-o para alcançar o apoio e dobrando seu pedacinho deficiente para conseguir encaixá-lo na barra de ferro. Quando vi aquilo, um batalhão de lágrimas me invadiu. Não sou eu quem dirá se minha emoção foi sincera, ou foi a velha piedade hipócrita. Mas eu estava abalado com aquela cena, com aquela menina. Agora, escrevendo esse texto, penso que Saul Bellow escreveria uma cena dessas de maneira magistral. Na hora, só conseguia pensar em você, Dolores, você que gosta de crianças... como você se sentiria nesta situação? Eu só queria evitar passar vergonha em público e encontrá-la logo para contar isso – só que, não sei porque, esqueci completamente de fazê-lo, quando a encontrei hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-5548694923098855355?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/5548694923098855355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/11/feira-de-santana-viii.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5548694923098855355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5548694923098855355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/11/feira-de-santana-viii.html' title='Feira de Santana VIII'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SwM3uwVSi3I/AAAAAAAACGY/u1y3qbpzafE/s72-c/eu+e+uyat%C3%A3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-5620630114789114828</id><published>2009-11-05T17:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T17:30:50.966-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Cinema em Feira de Santana II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400795299292692034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 248px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SvN6tcbwvkI/AAAAAAAACGA/jGO-tqtNZRY/s400/new-blissfully-yours-pdvd_004.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Continuando o post anterior, eu havia afirmado que seria muito intrigante alguém reclamar tanto do cinema e todas as questões das mais diversas naturezas que o envolvem, e não mover um fio de cabelo para tentar mudar a situação. Eu seria esse alguém – mas não fui. Como falei no finalzinho na primeira parte desse tópico, fiz o que cabia a mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estudo na UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana. Chegando lá, me engajei num cineclube que era fantasma aos olhos da maioria: o &lt;strong&gt;Projeto Imagens – Cinema na UEFS&lt;/strong&gt;. Seduzindo por esse nome tosco, fiquei ávido por promover exibições de grandes filmes e suscitar debates e discussões. Seria minha carta aberta de ódio declarado contra a programação do Multiplex. Seria minha carta de amor a todos os feirenses, meu sacrifício para fazer com que meu povo tivesse acesso a vários filmes que o cinema daqui nunca passaria, e que as locadoras daqui nunca poriam em suas prateleiras. Passei a entrar em contato com várias pessoas para tocar essa idéia para a frente; o projeto já existia mas as mostras não me contemplavam; a qualidade dos filmes exibidos para mim eram medianas. Mas eu tive o total apoio de um grande homem – aliás, o maior sujeito que conheci na universidade (e nisso incluo professores, estudantes, funcionários e os bichos do campus) – chamado Paulo Fabrício dos Reis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Alguns diriam: é de uma arrogância e pretensão sem medida sair por aí dizendo que irá trazer ao “seu povo” o que eles não têm, como o messias. Desconsidero esse argumento porque, ao achá-lo válido, passo a acreditar que toda iniciativa de fomento cultural e artístico é arrogante e pretensiosa e a ela não se deve dar crédito. O que eu fiz era o que estava ao meu alcance: corri atrás dos filmes e divulguei como pude: filmes de qualidade (e essa opinião não é apenas minha) foram exibidos numa sala de projeção que se encontra dentro da biblioteca central da UEFS, também localizada no campus universitário; esses filmes foram exibidos gratuitamente; esses filmes foram exibidos em dois turnos, para dar mais oportunidades ainda; esses filmes foram apresentados por seus idealizadores (eu, no caso); o membro da comunidade universitária, mas não só ele, teve uma grande oportunidade para apreciar nomes como Akira Kurosawa, Federico Fellini, François, Truffaut, Charles Chaplin, Roberto Rossellini, Buster Keaton, Vittorio de Sica, John Ford, Luis Buñuel, Andrei Tarkovsky, Stanley Kubrick, Alain Resnais e Francis Ford Coppola. Esses são apenas alguns nomes que me lembro e que exibi no Imagens. Diretores contemporâneos já consagrados também tiveram espaço; consegui que o grande filme vencedor do Cannes &lt;em&gt;4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias&lt;/em&gt; fosse exibido lá, por exemplo. Porém, esse batalhão de grandes cineastas não despertou a paixão cinéfila no estudante universitário feirense.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Todas as mostras idealizadas por mim eram humilhadas pelas de meus companheiros de cineclube no quesito quantidade de público. Enquanto as deles conseguiam trazer mais de 20 pessoas, o recorde de público das minhas era de 10. Muitos abandonaram na metade as sessões de Fellini, de De Sica... muitos não deram bola até mesmo para Godard, este que pensei ter um público de curiosos devido à música &lt;em&gt;Eduardo e Mônica&lt;/em&gt; de Legião Urbana. A cada sessão de quinta-feira (o dia que acabou virando o “meu”), o número diminuía. Sessões foram canceladas por não vir ninguém assistir o filme, num lugar freqüentado por milhares de pessoas, sem considerar a comunidade feirense geral. Já cheguei à UEFS às 06:30 da manhã para colar cartazes; divulgações foram feitas, e-mails foram enviados; mas nada disso fez nenhuma mudança significativa do ponto de vista da quantidade. A grande maioria continua sem querer saber o que é &lt;em&gt;A General&lt;/em&gt;, o que é &lt;em&gt;Os Incompreendidos&lt;/em&gt;, o que é &lt;em&gt;O Poderoso Chefão&lt;/em&gt;; as pessoas têm mais o que fazer, têm que estudar e trabalhar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400795302798773586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 282px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SvN6tpfrTVI/AAAAAAAACGI/xR0TuM97Slk/s400/John-Ford-Posters.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma das experiências mais traumáticas foi o &lt;em&gt;Tributo a John Ford&lt;/em&gt; que organizei, este que para mim é o grande diretor do cinema. Fiquei ciente de que o público seria mínimo; me questionei várias vezes antes de lançar o tributo com medo de ver uma rejeição completa a esse grande mestre. Mas resolvi confiar uma vez mais nos universitários de Feira de Santana. E, obviamente, me dei mal. Passei quatro grandes filmes desse homem extraordinário - dentre os quais &lt;em&gt;Rastros de Ódio&lt;/em&gt;, que para mim não só é o melhor filme de sempre como um patrimônio da humanidade e um dos pouquíssimos grandes filmes que conseguem chegar perto de uma boa obra literária ou de uma obra-prima da música - e tive de passar pelo desgosto de contar o número de espectadores apenas nos dedos. E, no último filme do tributo, &lt;em&gt;O Homem que matou o facínora&lt;/em&gt;, vi apenas uma alma assistindo a película. Era a recepção de Feira de Santana a John Ford. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Contudo: apesar de tudo isso, sempre há o lado bom da coisa. E existe algo que é muito melhor do que ser reconhecido ou elogiado pelas mostras que promoveu (isso aconteceu comigo) ou do que estar ciente de que muito provavelmente nenhum cineclube da Bahia de exibições gratuitas dentro de uma universidade possui a diversidade e o trabalho sério e incansável do Projeto Imagens. Existe a sensação inexplicável que senti hoje, e que só senti porque faço esse trabalho. Comecei esse texto na sala do Projeto Imagens onde monitoro às quintas-feiras, exibindo &lt;em&gt;2001: Uma odisséia no espaço&lt;/em&gt; para a comunidade; estou concluindo o texto em minha residência. Lá, porém, em certo momento, o filme acabou, e eu fui desligar os equipamentos e fechar a sala de projeção. Então, uma menina que tinha assistido o filme estava observando o mural do projeto com todas as mostras em cartaz e me pediu uma caneta para anotar algo. E eu vi essa menina anotado na própria mão o dia e horário de um filme em cartaz que não tinha nada a ver com a obra que ela tinha acabado de presenciar: era uma mostra sobre Stephen King, e o filme que ela anotava era &lt;em&gt;O Iluminado&lt;/em&gt;, baseado em livro deste. Mas por quê? Porque o diretor deste longa é Stanley Kubrick, o mesmo de &lt;em&gt;2001&lt;/em&gt;, que ela tinha acabado de ver e que, pelo visto, tinha transformado-a em mais um dos inumeráveis fãs desse grande cineasta americano. Eu vi a cena se desenrolar, e percebi que ela só aconteceu por interferência minha (e por Kubrick, claro, que fez aquela obra genial). Senti a tal emoção inexplicável. E é essa emoção que os me criticam por sair por aí colando cartazes debaixo de sol quente e chuva, que os me consideram uma besta por me “sujeitar” aos mais variados trabalhos braçais em prol do Projeto Imagens, que os que não conseguem acreditar como eu posso perder meu tempo nesse negócio onde não ganho um centavo, que os que chegam a sentir pena de mim devido a uma suposta ingenuidade minha; é essa emoção que esses que me censuram por tais motivos nunca irão entender.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-5620630114789114828?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/5620630114789114828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/11/cinema-em-feira-de-santana-ii.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5620630114789114828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/5620630114789114828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/11/cinema-em-feira-de-santana-ii.html' title='Cinema em Feira de Santana II'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SvN6tcbwvkI/AAAAAAAACGA/jGO-tqtNZRY/s72-c/new-blissfully-yours-pdvd_004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-6095493159578034880</id><published>2009-10-28T15:09:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T15:15:06.469-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Cinema em Feira de Santana I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397776706854458402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SujBUPTwFCI/AAAAAAAACFw/JaYStoSfckU/s400/inglorious-bastards-12.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na última semana, tivemos um grande acontecimento no Shopping Boulevard da cidade de Feira de Santana: dois filmes de diretores renomados entraram em cartaz ao mesmo tempo. São eles: &lt;em&gt;Bastardos Inglórios&lt;/em&gt;, de Quentin Tarantino, e &lt;em&gt;Anticristo&lt;/em&gt;, de Lars Von Trier. Um fato como esse raramente se dá nesta cidade. E mesmo ele não é grande coisa assim: como se sabe, Tarantino é até um ótimo diretor, talvez o melhor americano contemporâneo, mas Von Trier é muito ruim. Os dois, entretanto, possuem renome, são premiados mundialmente e têm fãs doentes e inconversáveis. A entrada simultânea dos seus últimos trabalhos no Multiplex é motivo de um churrasco em comemoração, só comparável à chegada-relâmpago de &lt;em&gt;Medos Privados em Lugares Públicos&lt;/em&gt;, de Alain Resnais – filme este que jamais saberei se é bom, mas que chama a atenção pelo cineasta consagrado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém: grande parcela dos fãs de Tarantino e Von Trier (ou qualquer dos cineastas queridinhos atuais) se encontra justamente bem longe daqui; o seu maior contingente está sendo muito bem alimentado nos cinemas das capitais. A contradição se institui de maneira ardilosa: assim como não faz a menor diferença para quem mora nas capitais se dois filmes possivelmente acima do medíocre entrem concomitantemente em cartaz no cinema de uma cidade do interior da Bahia, também não importa aos moradores daqui, porque a esmagadora maioria da população feirense estará bem mais interessada em &lt;em&gt;Tá chovendo hamburguer&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Golfinho – a história de um sonhador&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Michael Jackson’s This is it&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O consumo de cinema em Feira de Santana está diretamente ligado ao consumo de cinema em todo o Brasil. Essa afirmação é uma obviedade, tendo em vista o fato de que Feira é uma cidade brasileira. Mas profiro-a deste modo para lembrar que a decadência de consumo de filmes é uma realidade nacional que nem ao menos tange no campo quantitativo, mas no qualitativo: não há espaço para filmes bons, não há oportunidade para filmes alternativos. Criou-se um grupo seleto de filmes comerciais e/ou estadunidenses que foi intitulado, não sei por que, de “grupo dos filmes alternativos que todo jovem deve assistir”: &lt;em&gt;Amelie&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dogville&lt;/em&gt; (do mesmo Von Trier), &lt;em&gt;Peixe Grande&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Alta Fidelidade&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Hora de Voltar&lt;/em&gt;... Tendem a considerar um filme coreano como &lt;em&gt;Oldboy&lt;/em&gt; alternativo e “cult”, esquecendo-se de que ele só chegou aos cinemas do Brasil (isto é, de países longínquos, pois, no mercado mundial de filmes, o Brasil &lt;em&gt;&lt;strong&gt;é&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; “longínquo”) porque fez tremendo sucesso comercial no seu país de origem e em festivais de cinema mundo afora. E, devido à superabundância de filmes comerciais ruins, todo filme bom virou sinônimo de fiasco de bilheteria, já que não segue os preceitos estéticos dos filmes ruins que fazem sucesso; não se utiliza da mesma fórmula e não consegue ser assimilado com clareza e honestidade cinematográfica. O mal do Brasil foi ter apostado sem limites nos filmes ruins para ganhar dinheiro, dando pouco espaço para os bons. Isso culminou na &lt;em&gt;mediocrização&lt;/em&gt; do apreciador de cinema. E o fenômeno ocorrido é o seguinte: o pouco que sobra dos filmes bons exibidos vai justamente para as capitais e cidades “mais” importantes (Feira não se inclui aí; o “mais” pode ser substituído pela expressão “eixo sul-sudeste”). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antigamente, como diria Caetano Veloso, as pessoas iam ao cinema assistir Fellini. As pessoas choravam era com Vittorio de Sica. Todo mundo queria esperar o novo filme de Godard ou saber quando viria novamente Marlon Brando para cá. Com o jorro frenético de filmes comerciais ruins no mercado do cinema nacional, todo o bom senso do apreciador de cinema sucumbiu. Duvido muito que as pessoas em Feira conseguissem assistir pelo menos quatro filmes ininterruptamente. Duvido mais ainda que numa sala de exibição do Orient ninguém atenda o celular durante a exibição ou trave conversas paralelas. Um jovem feirense, porém, consegue ficar num &lt;em&gt;Ocktober Fest&lt;/em&gt; desde duas horas da tarde até altas madrugadas, sem parar. Uma criança feirense conseguiu ler o último volume de &lt;em&gt;Harry Potter&lt;/em&gt; em até dois dias, lendo horas sem parar num dia. Mas assistir dois filmes seguidos é praticamente impossível. Eu mesmo sou atingido por esse mal da mediocrização do apreciador de cinema em Feira e em várias cidades do Brasil: à exceção, talvez, de &lt;em&gt;Persona&lt;/em&gt;, nunca consegui assistir um filme de Ingmar Bergman sem dar uma boa pausa em algum momento para beber uma água, comer ou mesmo ver o que está passando na televisão. E mesmo &lt;em&gt;Persona&lt;/em&gt; desconfio que fui do início ao fim por o filme ter menos de uma hora e meia de duração. Quando assisti &lt;em&gt;Blow-up&lt;/em&gt;, de Antonioni, fiquei orgulhoso de mim por ter visto o filme todo sem pausar e sem me distrair. Quando fui assistir &lt;em&gt;A Noite &lt;/em&gt;(do mesmo diretor), porém, tive de interromper a exibição várias vezes... Minha mente feirense não conseguia ver diretamente, sem distração, um filme italiano em preto-e-branco! O preparo do feirense para assistir filmes é o mais precário possível; toda desculpa é pouca: perdemos o interesse quando vemos que o filme não tem qualidade de DVD; perdemos o interesse quando vemos que ele é preto-e-branco; perdemos o interesse quando vemos que ele não é americano; perdemos mais ainda quando ele é nacional e os personagens xingam demais; e, a perda de interesse mais criminosa de todas: ignoramos um filme prontamente quando vemos que ele está legendado! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397776709889829378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SujBUancKgI/AAAAAAAACF4/pzfUAM9q1dw/s400/fachada.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O feirense que consegue superar todos esses estágios já é um iniciado, um privilegiado nesta princesa do sertão. Só que aí ele precisa lidar com outros problemas, como o da apreciação insegura: um filme de Angelopoulos ou qualquer um da Europa Oriental é lento demais – devo achar uma obra-prima, ou um saco? Um filme sul-coreano contemporâneo é violento demais – devo achá-lo uma obra-prima da estética&lt;em&gt; hardcore&lt;/em&gt; ou um trabalho de mal gosto e desnecessariamente pesado? Um filme europeu ruim tem sexo demais – devo achá-lo poético e original ou petulante demais? Um filme tal não tem enredo e o final é aberto – devo achar isso genial ou uma charlatanice? Um filme se utiliza de recursos televisivos – isso é um achado ou amadorismo? O espectador fica delirando, sem saber que postura adotar, porque acabou de sair do estágio descrito no parágrafo anterior e só se sente seguro quando emite um juízo crítico baseado em fórmulas e fôrmas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cinema em Feira hoje (o cinema, o estabelecimento, o local onde se passam os filmes) é lamentável. A média de chegar algo que preste lá é de um a cada três anos. Os melhores momentos são quando chegam os filmes do Oscar – mas nos últimos anos até mesmo esses momentos podem ser ignorados. Todas as locadoras da cidade são espetacularmente ruins; apenas a &lt;a href="http://megadvdmania.com.br/"&gt;DVDMania &lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(foto acima)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, localizada na Avenida João Durval, é razoável. Alguém pode me acusar de que só faço reclamar e não movo uma palha para tentar mudar essa situação. Mas o pior é que sim, meus caros, eu fiz: tentei mudar um pouco a situação. Bem pouco, mas era o que cabia a mim, um único ser humano sem recursos financeiros dignos. Mas essa história eu conto em outro post.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-6095493159578034880?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/6095493159578034880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/10/cinema-em-feira-de-santana-i.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6095493159578034880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6095493159578034880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/10/cinema-em-feira-de-santana-i.html' title='Cinema em Feira de Santana I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SujBUPTwFCI/AAAAAAAACFw/JaYStoSfckU/s72-c/inglorious-bastards-12.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-1830405539389162690</id><published>2009-09-20T07:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T07:44:03.831-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana VII</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383559541191676466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SrY-4R_lEjI/AAAAAAAACFg/C_PlJuvuJXo/s320/utopia.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;a href="http://provocacoesponto.blogspot.com/2009/09/tempo.html"&gt;Maurício Correia contou um caso&lt;/a&gt;: na última sexta-feira, dia 18 de setembro – aniversário da cidade de Feira de Santana – ele estava num ponto de ônibus, à noite, quando ouviu o barulho de foguetes estourando no céu. As pessoas ao redor, entretanto, se alarmaram, pois pensou-se que fossem tiros. Eis a imagem que designa Feira de Santana: no dia de aniversário dos 176 anos da Gloriosa, seus habitantes confundem fogos de artifício comemorativos com tiros de revólver.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para além da Igreja Senhor dos Passos, para além das árvores da Mª Quitéria, para além da estrutura orgiástica da Marechal, para além da falta de praia na cidade, para além de todos os cartões-postais, o que me parece indispensável é o feirense – como disse Italo Calvino, num trecho que se encontra fixado aqui no layout do blog, “&lt;em&gt;de uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas&lt;/em&gt;”. E minha pergunta é: que resposta Feira pode nos dar? Que resposta nós, feirenses, podemos dar a nós mesmos? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A intenção de máscara que assola o Brasil, nos sistemas de saúde, de educação e/ou econômico, atinge graus de hipocrisia em Feira de Santana. No dia do aniversário da cidade, me dirigi ao Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), para prestigiar o evento &lt;em&gt;Aberto 2009&lt;/em&gt;, cujo propósito é expor, fazer e pensar arte e cultura em mais de dez horas, ininterruptamente. Mas o que se viu na programação foi uma valorização um tanto incoerente: a principal atração, a finalização do dia, era uma apresentação de balé clássico; até onde sei, o balé clássico não tem nada de regional, não tem tradição alguma aqui em Feira de Santana e em todo o Sertão ou Recôncavo Baiano. As apresentações regionais do &lt;em&gt;Aberto&lt;/em&gt;, portanto, foram secundarizadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me questiono se essa postura de dar mais importância ao estrangeiro que ao local é de fato desprezível. Afinal, se conseguimos “exportar nosso produto”, se conseguimos fazer com que uma certa academia de letras de cordel se encontre não no nordeste, mas na região sudeste do país; se conseguimos fazer com que João Gilberto seja mais cultuado no Japão do que aqui; se conseguimos fazer com que a novela brasileira seja mais valorizada lá fora do que aqui; se conseguimos fazer com que todos os bons jogadores de futebol do Brasil tendam a jogar mais na Europa do que aqui; então não estando cumprindo nosso papel de maneira válida e interessante? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se estou sendo radical dizendo que nossa forma de valorizar nossa cultura é apenas exportando-a, abram meus olhos. Aqui em Feira, a valorização da cultura local é estritamente uma jogada política. Jamais darei credibilidade à gestão atual do CUCA; não acredito no &lt;em&gt;Aberto 2009&lt;/em&gt;, como não acreditei na autenticidade do &lt;em&gt;Bando Anunciador&lt;/em&gt; nem da &lt;em&gt;Caminhada do Folclore&lt;/em&gt;. Mas acredito que é preciso saber que existe o espírito feirense. E, no dia em que deixarmos de pensar que só porque estamos em Feira de Santana - interior da Bahia - estado do Brasil - país da América do Sul – nada pode acontecer por aqui, estaremos dando um passo para uma grande mudança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383559545035016466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SrY-4gT5yRI/AAAAAAAACFo/yVl0urfG9eM/s320/1468.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;foto: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://blogdafeira.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Blog da Feira&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sei que minha postura, que uns chamariam de romântica e outros de utópica, é risível. Eu não gostaria que as pessoas rissem, porém. Só que é razoavelmente impossível não rir de algo dito desta forma. &lt;a href="http://www.blogdafeira.com.br/post.asp?id=1468"&gt;Segundo o Blog da Feira&lt;/a&gt;, o prefeito da cidade Tarcísio Pimenta, quando visitou o &lt;em&gt;Aberto 2009&lt;/em&gt;, parabenizou a iniciativa do CUCA e &lt;em&gt;“aproveitou também para revelar ao BF [Blog da Feira] que quer começar a fazer uma ‘revolução’ na cultura”&lt;/em&gt;. Eu rio desse comunicado; acho extraordinário um prefeito que não tem cuidado com as palavras que usa. É lamentável que hoje, no século XXI, em Feira, a palavra “revolução” seja dita de maneira tão despropositada. Se dita assim no século XIX, com certeza repercutiria bem mais. Porque o meu recado para vossa excelência é esse, caro prefeito: jamais torne a utilizar essa palavra em púbico novamente – a sua administração da cidade não está à altura dela. E se um dia o senhor me provar o contrário, eu o respeitarei – e me sentirei honrado em considerá-lo um grande homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-1830405539389162690?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/1830405539389162690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/mauricio-correia-contou-um-caso-na.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1830405539389162690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1830405539389162690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/mauricio-correia-contou-um-caso-na.html' title='Feira de Santana VII'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SrY-4R_lEjI/AAAAAAAACFg/C_PlJuvuJXo/s72-c/utopia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-1219000667935245339</id><published>2009-09-14T20:26:00.001-07:00</published><updated>2009-09-14T20:26:29.601-07:00</updated><title type='text'>Testes com o Banner</title><content type='html'>Fazendo testes com o Banner.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-1219000667935245339?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/1219000667935245339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/testes-com-o-banner.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1219000667935245339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1219000667935245339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/testes-com-o-banner.html' title='Testes com o Banner'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3121660753955954854</id><published>2009-09-14T19:38:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:51:33.134-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bairros'/><title type='text'>Feira de Santana VI / Conceição I 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sq7_8ERonlI/AAAAAAAACEg/8r8DPqwm1C0/s1600-h/regina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381520012159262290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sq7_8ERonlI/AAAAAAAACEg/8r8DPqwm1C0/s400/regina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um dos maiores fenômenos urbanos contra os quais pouquíssimas cidades ainda se encontram vacinadas é o &lt;em&gt;Fenômeno do Som Automotivo&lt;/em&gt;. Este tipo de ocorrência é facilmente localizável aqui em Feira: em qualquer esquina ou porta de residência inconveniente (eu ia escrever &lt;em&gt;bar&lt;/em&gt;, mas sempre põem a imagem da “esquina” ao lado da do “bar”, o que me é tão incompreensível quanto à velha história de sempre que falarem de &lt;em&gt;jazz&lt;/em&gt; automaticamente comentarem sobre &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;, de modo que resolvi não escrever “bar”, muito embora não tenha tido intenções de eufemizar a expressão “bar” trocando-a por “residências inconvenientes”, pois são dois estabelecimentos completamente distintos – há bares e há residências inconvenientes, assim como há bares inconvenientes e residências apenas) podemos perceber, às vezes da pior maneira possível, uma agressão inconseqüente aos nossos ouvidos. No meu caso, a agressão se dá devido ao número intragável de decibéis que costumam arrotar através daqueles canhões de som; desgosto também da forma como a música, no volume altíssimo a que é sujeita, perde da sua nitidez grosseiramente, transformando-se num pudim ruidoso gelatinosamente macabro. Mas a música original me é bem deleitável. Alguns, entretanto, se revoltam justamente não pelo volume nem pela ética da equalização do som, mas pela própria música de fato, que se lhes assemelha de um mau gosto formidável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não sei como o&lt;em&gt; Fenômeno do Som Automotivo&lt;/em&gt; funciona nos outros estados do Brasil; mas, na Bahia – em Feira de Santana, a Gloriosa –, os estilos musicais predominantes são o Pagodão Baiano e o Arrocha. O que gosto e conheço de Silvano Sales, o João Gilberto do Arrocha, não é de álbum baixado na net e muito menos de canções escutadas na rádio, mas do som dos carros na rua. O tanto de vezes que já ouvi a novíssima versão dele da música de abertura da novela &lt;em&gt;Paraíso&lt;/em&gt;, de Victor &amp;amp; Leo, não é quantificável. Memorizei dezenas de refrões de pagodões graças a esses carros. Em Cabuçu, terra que é e sempre será extensão espiritual de Feira, o Fenômeno do Som Automotivo já beira ao nível do transcendental: lá, existe toda uma postura a ser religiosamente seguida, cuja origem ainda é um mistério, mas que preza por um bom pagodão na praia advindo de um carro potente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No imaginário urbanístico de Feira de Santana, o Som Automotivo tem presença marcante – para alguns, traumática. Esse padrão de aplicação sonora reformulou o estilo Pagodão: pelo menos para mim, o Pagodão Baiano é um estilo que se cristaliza fundamentalmente em três raízes profundas: 1) a aversão a estúdios e álbuns gravados nestes locais 2) a adaptação integral a shows ao vivo e a gravações ao vivo, confluindo para improvisações de alternância rítmica e mantimento de mesma linha melódica, bem como interações constantes com o platéia &lt;strong&gt;[link corrompido – vídeo do &lt;em&gt;Todo Enfiado&lt;/em&gt;, professora primária, blá blá blá]&lt;/strong&gt; e 3) a execução ininterrupta de gravações ao vivo em carros com som automotivo no volume mais alto possível, “recheando” a música original de ruídos que tornam certas passagens ininteligíveis. A reformulação a que me refiro se encontra neste ponto 3; não consigo mais conceber uma música do Pagodão Baiano sem imaginar essa poluição sonora e sem imaginar uma faixa do disco arranhada e depois o barulhinho da trava automática e depois um sujeito entrando no carro para passar a faixa ou direcionar o controle remoto para que este funcione.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por fim, existe o último motivo para que uma vítima do &lt;em&gt;Fenômeno&lt;/em&gt; se sinta agredida: é o susto medonho que sentimos quando ouvimos uma música que não seja nem pagode, nem arrocha. E, mais ainda, se for uma música não-comercial. Levei um susto desses, incomparável, quando andava pela Conceição I. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trotava eu às pressas, sob um Sol terrífico, desviando da churrasqueira de um bar (esse é outro fenômeno, o &lt;em&gt;Fenômeno da Fumaça das Churrasqueiras de Bar em Pleno Verão de Sol Quente Que Esquenta Ainda Mais Quem Por Ali Passa&lt;/em&gt; – quem nunca se revoltou com aquela churrasqueira que fica no caminho da Rodoviária, na rua mais sacana da história, em cuja extremidade oposta se encontram os fundos do Hipermercado G Barbosa, donde saem os cheiros de peixes podres e restos de alimentos mais fétidos?), e dobrava numa rua estreita, quando ouvi e estaquei: um carro com som automotivo mega potente, passava, numa lentidão filha da p***, tocando &lt;em&gt;Fidelity&lt;/em&gt;, de Regina Spektor. Ora: essa era uma música que eu já conhecia há tempos! Eu já tinha sido fã de Spektor e até já tinha largado de ser! É uma música que acho bela e admirável! E Regina Spektor, coitada, na época ainda desconhecida, foi tachada de &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt; e se deu muito mal por causa disso! Porém, a Entidade mais mefistofélica da história da humanidade, a Rede Globo de Televisão, tinha posto essa música na trilha sonora da novela das oito &lt;em&gt;A Favorita&lt;/em&gt;. E foi justamente nessa época que, passando pela rua principal da Conceição, eu ouvi &lt;em&gt;Fidelity &lt;/em&gt;sendo subjugada pelo &lt;em&gt;Fenômeno do Som Automotivo&lt;/em&gt; em Feira de Santana! Estarei sendo eu precipitado em dizer que, graças à Globo, uma música de Spektor foi ouvida em toda a Conceição?! E qual não foi a surpresa em, ao invés um conglomerado de ruídos sonoros que penava para se fazer entender algo como “que ovo é esse, Hambúrguer? / Parece até de avestruz” ou “Tô no celular / Falando de um bar”, ouvir “And it breaks my ha-ah-ah / ah-ah-ah, ah-ah-ah / ah-ah-ah-aart”!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por alguns dias fiquei preocupado: senti que a cultura de Feira estava sendo ameaçada pela Maligna Emissora. Mas aquele caso foi raro, isolado, e nunca mais se repetiu, pelo menos diante de mim. Será que, aqui em Feira, ouvirei algum dia num volume insuportável um &lt;em&gt;Clair de Lune&lt;/em&gt; de Debussy? Não creio que a probabilidade seja zero; afinal, essa composição toca a todo momento na novela &lt;em&gt;Alma Gêmea&lt;/em&gt; (atual “Vale a Pena Ver de Novo”), e sempre nas piores e mais detestáveis cenas – infelizmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3121660753955954854?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3121660753955954854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/feira-de-santana-vi-conceicao-i-2.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3121660753955954854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3121660753955954854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/feira-de-santana-vi-conceicao-i-2.html' title='Feira de Santana VI / Conceição I 2'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sq7_8ERonlI/AAAAAAAACEg/8r8DPqwm1C0/s72-c/regina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-781178362821207428</id><published>2009-09-01T18:45:00.002-07:00</published><updated>2009-09-14T19:51:55.424-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bairros'/><title type='text'>Conceição I 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sp3PoK7bulI/AAAAAAAACEY/ra_6qRO1GqE/s1600-h/013.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376681819185592914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sp3PoK7bulI/AAAAAAAACEY/ra_6qRO1GqE/s400/013.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje vou falar um pouco do bairro da Conceição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como eu já havia me pronunciado, tenho a pretensão de falar de alguns bairros de Feira de Santana. Porém: não sou antropólogo. Não tenho objetivos de realizar um trabalho etnográfico. Longe da obra descomunal &lt;em&gt;Tristes Trópicos&lt;/em&gt; de Lévi-Strauss, nunca quis escrever um &lt;em&gt;Tristes Entroncamentos&lt;/em&gt; ou coisa parecida. Quero exatamente não o fazê-lo para modelar uma outra linha de discussão: a minha. Sem maiores megalomanias, o que estou querendo dizer é que, ao falar da Conceição, apenas o farei das partes do bairro que eu conheço, e que são poucas. Mas é justamente esse conhecimento incompleto que me fascina; quero saber até onde vai a força das impressões pessoais e das experiências particulares. Tenho alguns conhecidos e um grande amigo que moram na Conceição. Como se sabe, esse bairro é dividido em &lt;strong&gt;Conceição I&lt;/strong&gt; e&lt;strong&gt; Conceição II&lt;/strong&gt;; falarei apenas da primeira divisão, pois nunca pus os pés na segunda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A alguns posts atrás, &lt;a href="http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/em-certas-cidades-do-brasil-pode-se.html"&gt;falei dos &lt;em&gt;bairros-cidade&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;e fiz que estava decidido a encontrar bairros assim em Feira de Santana. Mas, convenhamos: isso é praticamente impossível. Nunca saberemos, até que vivenciemos a situação, o que é ter numa mesma cidade um bairro só de brancos ou um bairro só de negros, fenômeno social que acontece nos Estados Unidos. Até que por lá passemos algum tempo, não saberemos nunca que sensação pasmosa é essa que nos atinge quando entramos numa igreja e só vemos pretos. Nem como é a tensão de andar numa rua cheia de descendentes de orientais perambulando com fuzis na mão. E a maioria dos feirenses mal sabe o que é uma favela &lt;em&gt;de verdade&lt;/em&gt;; não sabemos com precisão o que é não poder sair de casa por medo de ser levado à Fornalha, ou fingir que não está vendo uma gangue em pleno dia fechando papelotes de cocaína.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Conceição não possui distinção alguma, assim como boa parte dos bairros de Feira de Santana. Nos últimos anos, chamou certa atenção por ter um representante na câmara: o vereador Lulinha. Conheço um sobrinho dele que me conta algumas coisas; os casos das festas promovidas por Lulinha no bairro são dos mais extravagantes: vão de fechar toda uma rua pra festejar a assar um boi inteiro abatido na hora à vista de todos. Não acompanho as melhorias que Lulinha proporcionou ao bairro, mas sei que os moradores comentam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que sei é que as pessoas que conheço do bairro são completamente diferentes umas das outras. Não têm alguma semelhança, mesmo que mínima, como os moradores de uma Brasília, uma Rua Nova, uma Santa Mônica ou um Conjunto Feira X. Não é um bairro peculiar, longe disso; sua estrutura geográfica também não chama a atenção. O que realmente faz sucesso por lá é o &lt;strong&gt;Motel Eros&lt;/strong&gt;, localizado na entrada do bairro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376681437313761282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sp3PR8WGAAI/AAAAAAAACEQ/Ur8_VvLtm_Q/s400/014.JPG" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu amigo conta os clientes imprevisíveis que entram por lá: não há discriminação de hora, dia, raça, cor, sexo, idade. Não há vidro fumê de carro que resista ao sol revelador de Feira no horário diurno. Pode ser o automóvel mais sofisticado; basta darmos uma olhadela pro lado, e veremos três homens dentro de um carro fazendo a velha curva para entrar no motel, ou um velho e duas mulheres, ou dois velhos, ou até jovens muito jovens. Já passei por ali e já vi gente entrando lá também, sempre de carro. A reação infantil que temos é irresistível, se temos um acompanhante do lado para comentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Em situação normal:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“Hum... ali vai jogar duro!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Se for de dia:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“Uma hora dessas? P... que pariu!”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Se a pessoa for muito idosa:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“Não tem vergonha? Nessa idade fazendo essas coisas?”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Se for dois homens:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“Me liguei... entendi tudo!”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Se tiver mais de duas pessoas no carro:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“P....! Vai ser massa esse daí, viu?”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Se tiver mais de cinco pessoas:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“Caralho! Que orgia é essa?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Se tiver mais de dez pessoas e o carro for uma van:&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um caso desses parece que não aconteceu no Eros ainda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho um segredo para revelar sobre a Conceição: foi neste bairro que flanei sozinho de madrugada pela primeira vez em Feira de Santana. Obviamente, estou desconsiderando as madrugadas em que voltava pra casa (ou seja: Queimadinha), porque neste caso não estou “flanando” e sim apenas “voltando para casa”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho também outros casos da Conceição para contar, como o do dono de um supermercado que teve sua cabeça decepada. Mas isso é assunto para outros posts.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-781178362821207428?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/781178362821207428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/conceicao-i-i.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/781178362821207428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/781178362821207428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/09/conceicao-i-i.html' title='Conceição I 1'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sp3PoK7bulI/AAAAAAAACEY/ra_6qRO1GqE/s72-c/013.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-1755068523412350294</id><published>2009-08-31T10:25:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T10:26:09.160-07:00</updated><title type='text'>Atualização</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Breve novas atualizações no blog. Estou meio sem tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-1755068523412350294?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/1755068523412350294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/atualizacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1755068523412350294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/1755068523412350294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/atualizacao.html' title='Atualização'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-751050193559281562</id><published>2009-08-15T19:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T18:29:07.095-07:00</updated><title type='text'>Novo banner</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SrA_RNiDU-I/AAAAAAAACFI/0z7uP2PSnIk/s1600-h/O_Tedioso_Argumento_-_Banner.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381871119630554082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 101px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SrA_RNiDU-I/AAAAAAAACFI/0z7uP2PSnIk/s320/O_Tedioso_Argumento_-_Banner.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pra variar (leia-se "para tomar vergonha na cara"), um novo banner no blog, creio que melhor que o anterior. Eternamente grato a Caio Augusto, que é quem fez o banner, que &lt;/span&gt;&lt;a href="http://caioaugusto.carbonmade.com/"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;possui cadastro neste site&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, escreve &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.pequenouniversofantastico.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;nesse blog&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, integra a equipe do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.torosessentaenove.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;documentário Tôro 69&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; e deve fazer mais coisas que não estou lembrado agora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-751050193559281562?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/751050193559281562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/novo-banner.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/751050193559281562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/751050193559281562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/novo-banner.html' title='Novo banner'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SrA_RNiDU-I/AAAAAAAACFI/0z7uP2PSnIk/s72-c/O_Tedioso_Argumento_-_Banner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8563796217516360616</id><published>2009-08-14T03:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:08.851-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana V</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SoU6MyfUdBI/AAAAAAAACD4/FGXKFqygs-o/s1600-h/012.1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369762122095162386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 252px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SoU6MyfUdBI/AAAAAAAACD4/FGXKFqygs-o/s400/012.1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Considerar Feira de Santana um adolescente de classe média baixa que gosta de futebol e música pop e que nunca lerá um livro de Bergson é uma idéia, a meu ver, bastante plausível. Se o que rege a existência através dos anos são as gerações, podemos considerar que quem lhes dá consistência são os jovens, pois a idéia de “geração” implica em &lt;strong&gt;mudança&lt;/strong&gt;, e não há símbolo maior que represente as mudanças do que os jovens – a própria imagem de &lt;em&gt;passagem do tempo&lt;/em&gt; não é mais forte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partindo desse raciocínio, chegamos a Feira. Quem sai à frente, na representação espiritual da Feira de hoje são – e essa é uma opinião pessoal – os jovens também de hoje. Amanhã, portanto, seriam os jovens de amanhã. O passado de Feira possui apenas valor histórico. O saudosismo dos velhos de Feira não pode interferir em momento algum no andamento das coisas. Não estou “defendendo” o meu grupo etário; simplesmente precisamos nos fazer valer enquanto &lt;em&gt;presente&lt;/em&gt; e atuais para, com propriedade, transformarmo-nos em passado quando nosso futuro imediato chegar – e assim sucessivamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conclusão arbitrária: a visão dos jovens (dos de menos de 40 anos, no mínimo) é a que prevalece. E, hoje, os feirenses não consideram que sua terra é um &lt;a href="http://provocacoesponto.blogspot.com/2009/08/caos-ii.html"&gt;Caos&lt;/a&gt;, pelo menos não no sentido bíblico da palavra. &lt;a href="http://provocacoesponto.blogspot.com/"&gt;Maurício&lt;/a&gt;: já peguei ônibus lotado, já flanei por Feira às dezoito, já me esbarrei com transeuntes na Sales Barbosa, e lhe digo que existe a possibilidade de o Caos não estar aí. Existe apenas (ou &lt;em&gt;sobretudo&lt;/em&gt;) um desejo literário, fetichesco, convencional e tendencioso – da parte de todos nós – de associar o caos a multidões, aglomerações e choques físicos. Acredito sinceramente que não há metrópole em horário algum aqui, não por não existir de fato, mas porque nós, na nossa postura absurda de ilusão de “quase capital”, assim que vemos uma brecha para nos assemelharmos às grandes, passamos a &lt;em&gt;forçar a barra&lt;/em&gt; miseravelmente, e essa conjuntura artificial ajuda a eliminar todas as possibilidades de sermos metrópole em algum horário do dia. Quando entramos num ônibus lotado, o sentimento que nos invade não é o mesmo, mas é parecido com aquele que nós sentimos quando vemos um engarrafamento enorme nas ruas: sempre ouço comentários eufóricos e alegres, e eu mesmo, quando avisto as dezenas de automóveis, penso, involuntariamente, na Avenida Paulista, no Brasil Urgente com Datena e num conto de Cortázar. Penso que a imagem é distante demais para ser real. Penso que o feirense não se enfastia realmente quando cai num engarrafamento, porque não tem esse costume. Há acima de tudo a ilusão que a imagem do engarrafamento traz que é a de uma sofisticação urbana da cidade, e daí vem o desejo de querer se estressar com o carro parado na rua durante horas. E todos pensam: “É, Feira realmente está crescendo”. Ora, Feira cresce desde o século retrasado, assim como toda e qualquer cidade. Mas, enquanto o crescimento de outras cidades é um fato histórico, uma notícia de jornal ou uma propaganda política, o de Feira é um conto de Murilo Rubião. Existem outras cidades como Feira; não as conheço; mas sei que, caso encontre algumas delas, o susto não seria pequeno – como quando fiquei intrigadíssimo ao ver que certa rua do centro de Nova Iguaçu-RJ era idêntica à Conselheiro Franco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que é o Caos em Feira de Santana? Um ônibus lotado ou um taxista se masturbando em pleno dia no centro da cidade dentro de seu próprio táxi com as janelas abertas? Deixo essa pergunta e deixo também um desafio: tentar imaginar Orson Welles, com aquela expressão fúnebre, ao invés de “Rosebud”, balbuciar: &lt;em&gt;Feira de Santana&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8563796217516360616?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8563796217516360616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feira-de-santana-v.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8563796217516360616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8563796217516360616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feira-de-santana-v.html' title='Feira de Santana V'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SoU6MyfUdBI/AAAAAAAACD4/FGXKFqygs-o/s72-c/012.1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-6761709443110561021</id><published>2009-08-09T11:18:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:08.852-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sn8TkydDDeI/AAAAAAAACDo/dez2tw-eZwg/s1600-h/009.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368030803588746722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sn8TkydDDeI/AAAAAAAACDo/dez2tw-eZwg/s400/009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/neysantana"&gt;Ney Santana&lt;/a&gt; me disse que Feira é uma cidade ao mesmo tempo urbana e rural: numa rua do centro podemos verificar, de um lado, lojas como a &lt;em&gt;Marisa&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;C&amp;amp;A&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;Lojas Americanas&lt;/em&gt; e, do outro, barracas de feirantes com suas verduras, suas frutas e suas mandiocas. Ney: discordo de você. Creio que muito provavelmente você está certo. Mas eu me recuso a aceitar Feira como uma cidade polarizada sócio-economicamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Proponho aos leitores considerar que existe, no exercício de intelectualidade do homem, um desejo irrefreável de se enxergar dicotomias nos mais diversos aspectos da sociedade. Esta, observada por Ney, possui alguns desdobramentos. No Rio de Janeiro, são clássicos os estudos sobre a gritante diferença de estética visual, de personalidades e de &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt; entre os bairros nobres e as favelas. Na região Norte, são mais clássicos ainda os estudos sobre a recentíssima urbanização do local e as tribos indígenas perdidas no espaço e, quiçá, no tempo. Querem trazer essa divisão para Feira de Santana. Mas, como falei com outras palavras no post anterior, sua única “divisão” é seu caráter de não-capital e não-cidade-interior. Feira é uma distorção dimensional no estado da Bahia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não acredito na visão bipolar em Feira de Santana. Peço mais uma vez para pôr em prática meus dotes de péssimo exemplificador e pior ainda criador de metáforas. Não obstante, tenho mais uma em mente. Evoquemos a química: o H²O e o óleo podem ser depositados dentro de um mesmo recipiente, numa mesma quantidade, e jamais irão se misturar. Me falta à memória qual elemento possui densidade maior ou menor e qual repousaria no fundo do recipiente enquanto o outro permaneceria por cima. O que importa é que no Rio de Janeiro é assim; na Região Norte é assim; nos bairros dos EUA, com suas distinções raciais, também é assim; mas em Feira, a mistura é a de água com açúcar; água com sal; leite com achocolatado em pó - e a amálgama se realiza. As lojas só estão de um lado e as barracas de outro por mera questão competitiva de “alguém chegou primeiro”. Entretanto, percebam que, quando se vem à mente o G Barbosa da Rodoviária, podemos imaginar o estabelecimento isolado, e nossas únicas associações externas são de natureza referencial (a Rodoviária e o Colégio Luís Eduardo). Por outro lado, quando imaginamos o G Barbosa da Marechal, nos vem à mente toda aquela região próxima cheia de barracas vendendo camarões, todos aqueles becos vendendo farinhas de copioba, todos aqueles camelôs vendendo capas de celulares que nunca se encaixam nos nosso modelos e sempre precisamos voltar para trocar. O que estou querendo dizer é que a divisão de lados das ruas do comércio nem é tão arbitrária assim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu exemplo mais desconcertante se encontra a menos de 100m da minha residência. A Queimadinha, meu bairro, não é nobre, não é nem um pouco pacata e seus moradores em geral não possuem a beleza convencional da mídia (estou querendo dizer que, pela convenção, a fealdade se sobressai aqui). Mas, assim que atravesso o &lt;a href="http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/o-beco-de-tata.html"&gt;Beco de Tatá&lt;/a&gt;, dou de cara com a Rua Anápolis: os quarteirões que a constituem são formados por casas belíssimas de dois carros nas garagens, cujos donos são no mínimo de classe média, médicos ou concursados federais, ao mesmo tempo em que seus vizinhos são pobres e as paredes das casas destes têm tinta descascada. Os meninos das casas pobres andam descalços e sem camisa e brincam na rua de jogar pedra uns nos outros; suas mulheres são negras de ancas colossais, de braços serenos e vulgares, de histeria imprevisível e apaixonante. Enquanto isso, as brancas, com seus olhos inflexíveis e sua saúde de academia, com seus cabelos lisos e sua ruividão fogosa, se dirigem aos colégios conceituados da cidade para completar seus estudos abaixando o guarda-chuva para este não tocar a cerca elétrica, e desfilam pela Rua Anápolis desviando da bicicleta torta do crioulozinho que já sabe cantar Fantasmão e dos buracos enormes que surgem naquele amontoado de paralelepípedos toda vez que chove um pouco mais forte.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-6761709443110561021?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/6761709443110561021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feira-de-santana-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6761709443110561021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6761709443110561021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feira-de-santana-iv.html' title='Feira de Santana IV'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sn8TkydDDeI/AAAAAAAACDo/dez2tw-eZwg/s72-c/009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3463651727118824165</id><published>2009-08-06T19:49:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:42.591-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='habitantes'/><title type='text'>Feirenses II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sn8WrFt_MsI/AAAAAAAACDw/ZcszJiB3UZM/s1600-h/tartufo2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368034210374169282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sn8WrFt_MsI/AAAAAAAACDw/ZcszJiB3UZM/s400/tartufo2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chamai-me Daniel. Sou estudante universitário. Faço Licenciatura em Letras Vernáculas na UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana. Sou homem, corinthiano. Sou feirense – nasci e sempre vivi aqui.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, assisti duas estudantes do mesmo curso que o meu fazendo uma apresentação teatral como avaliação de uma disciplina. Elas recitavam Vinicius de Moraes. Elas gritavam, andavam no palco (o assoalho da sala de aula), se jogavam no chão. Esfregavam as mãos nos próprios corpos, realçavam seus seios, salientavam suas pernas, lançavam olhares sedutores. Tudo aquilo beirava ao ridículo – mas era absolutamente fascinante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao final do espetáculo, perguntei às duas: vocês são de Feira? E elas responderam: Não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquela apresentação foi uma afronta pessoal aos moradores de Feira de Santana. No começo, todos davam risinhos, eu incluso. Ao final, aplausos. Agora, se me perguntam: era de qualidade? Respondo de imediato: não. Mas, o que é que despertava essa admiração? Respondo também: não era admiração – era vergonha. Uma das meninas estava com o joelho todo &lt;strong&gt;ralado&lt;/strong&gt;, porque se jogava no chão nos ensaios, e a outra estava rouca. Decididamente, nós, feirenses, não faríamos aquilo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Tedioso Argumento&lt;/em&gt; não é um blog de anti-apologia à Feira de Santana. Neste espaço, procuro apenas entender certos atributos que são comuns aos feirenses e incomuns ao que chamamos de noção normal das coisas. E a nossa “noção normal das coisas” deriva do eixo Rio-São Paulo, que herdou a noção européia e ocidental. Tenho para mim que os feirenses são um tanto quanto inseguros; sua capacidade de ousar é débil – e &lt;strong&gt;ousadia&lt;/strong&gt; é uma palavra do gênero feminino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por que minha primeira pergunta às meninas teve relação com as suas respectivas cidades natais? Por que eu simplesmente não afirmo que essa pacatez do espírito feirense é algo que ocorre em qualquer cidadezinha do interior? Deixo a resposta da primeira pergunta para outra ocasião. Mas, quanto à segunda, sei que Feira não é uma cidadezinha; sei que as cidades das meninas são bem menores que Feira; sei também que existe a possibilidade dessas meninas agirem assim justamente porque vieram de um lugar menor e são minoria na gigante Princesa do Sertão – mas o contrário, isto é, quando um feirense vai para uma cidade maior, não ocorre. Talvez seja esse o problema: se Feira não é cidadezinha, logo, o efeito “se amostrar ousado” nas cidades grandes não é possível, pois viemos de uma cidade semi-grande. Um pneumônico pode ser internado e sair do hospital em algumas semanas ou meses. Mas um gripado pode passar o ano todo tossindo. E, enquanto as meninas do interior chegando às cidades maiores são como o pneumônico, os feirenses não passam de gripados, pois jamais poderão ser internados nas cidades maiores que a sua. A situação é tão ridícula e confusa que me obriga a criar essa metáfora bisonha da pneumonia e da gripe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de usar termos depreciativos (como “ridícula”) exatamente para dizer que não estou os usando para tal fim. Apenas preciso caracterizar com adjetivos o que penso a respeito, mesmo que não ache a coisa de toda má.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3463651727118824165?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3463651727118824165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feirenses-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3463651727118824165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3463651727118824165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feirenses-ii.html' title='Feirenses II'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sn8WrFt_MsI/AAAAAAAACDw/ZcszJiB3UZM/s72-c/tartufo2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-6040502522260815483</id><published>2009-08-01T11:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:42.591-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='habitantes'/><title type='text'>Feirenses I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SnSKhVvvaCI/AAAAAAAACDg/N7dQGd1mTsE/s1600-h/Queimadinha20.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365065361482803234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SnSKhVvvaCI/AAAAAAAACDg/N7dQGd1mTsE/s400/Queimadinha20.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em viagem a Niterói, fizemos várias paradas para café, almoço e lanche. Em alguma destas – se não me engano foi a que veio depois do maior percurso ininterrupto do ônibus –, fui na lanchonete do posto, me dirigi ao funcionário e perguntei se tinha suco. O sujeito me respondeu prontamente:&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Tem suco de caju e de acerola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tomei um grande susto cujo motivo não pode ser representado por escrito. Estávamos em Minas Gerais, e o atendente tinha o sotaque característico do local. Depois de muito tempo dentro de um ônibus e sem qualquer contato externo humano, o choque que sofremos não é ignorável, pois nosso espírito enrijece e se torna mais sensível à quebra do jejum. Eu não viajei sozinho; no mesmo veículo vieram amigos, conhecidos e estranhos. Mas, numa viagem de mais de 24 horas, chega um momento em que meus companheiros perdem algum de seus núcleos humanos (devido às suas posições semi-estáticas, aos seus humores parecidos e, aparentemente, às suas mesmas aptidões para o cansaço e o entusiasmo) e se tornam apenas Passageiros de um ônibus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao ouvir o mineiro se pronunciar, a potência da linguagem reavivou minha capacidade de interagir com os homens: mesmo já o tendo avistado (e ele a mim), o choque do “reencontro” só se deu inteiramente quando ouvi sua voz. Estou, assim, deixando de modo tácito que a linguagem é mais potente que o olhar. Agora, então, afirmo direta e livremente: a linguagem é mais potente que o olhar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se a voz do mineiro já me reanimava, seu sotaque fez-me despertar um sentimento bem feirense: a desconfiança. Porque o feirense é, [advérbio de modo], um desconfiado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dizem que em Fortaleza os cearenses são tão desconfiados que negam até um copo d´água. Dizem que os paulistas põem meia dúzia de trancas e cadeados em suas portas e portões. A desconfiança do feirense é mais sofisticada. Numa fila de banco, se alguém chegar com um maço de notas e pôr em cima do balcão, ninguém vai achar que se o dono olhar para o lado um espertinho possa beliscar rapidamente uma notinha de cem. Essa desconfiança de superfície não se dá tanto em Feira. Aqui, desconfiaríamos de pessoas que poderiam cortar a fila; nosso maior medo é ser passado para trás por meio da malícia. Na espera de um caixa livre no hipermercado, sempre avisamos ao nosso anterior que tal caixa foi liberado antes que ele o veja por conta própria. Um motorista de ônibus coletivo sempre vê um novo passageiro que entra como um desordeiro em potencial. Sempre achamos que o que vem de fora veio para nos desprezar. E, por mais que não tivesse o menor cabimento, quando ouvi o mineiro falando comigo, minha pessoa reagiu como se tivesse sido alvo de menosprezo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me recordo da dona do mercado que fica quase em frente à minha casa. Compro o básico lá desde que me entendo por consumidor capitalista; meus pais sempre compram lá; meu avô é um verdadeiro devoto do mercado; todo mundo conhece todo mundo. Mas até hoje, ela, quando me entrega o troco, ao invés de colocá-lo em minhas mãos, despeja no balcão para eu sair catando. E quando eu tive de ligar para um estabelecimento de Salvador, à noite, para conseguir uma informação urgente, a soteropolitana que me atendeu agiu como se soubesse lidar com aquela situação há anos e que esta lhe era recorrente. O único detalhe é que, sem maiores explicações, a situação era inédita e exclusiva; logo, era ela quem agia diferente das maneiras com as quais eu estava acostumado. E o melhor de tudo era o seu leve desespero muito elegante quando viu que não poderia me ajudar – eu ficava assombrado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Agora eu preciso que alguém venha e me diga que a dona do mercado não é assim por ser feirense, mas por causa da própria personalidade dela. Assim como a fulana que atendeu o telefone em Salvador não era assado por ser soteropolitana, mas por causa da própria personalidade dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em Ilhéus, é absolutamente normal dar carona.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-6040502522260815483?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/6040502522260815483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feirenses-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6040502522260815483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6040502522260815483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/08/feirenses-i.html' title='Feirenses I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SnSKhVvvaCI/AAAAAAAACDg/N7dQGd1mTsE/s72-c/Queimadinha20.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3335404450043205837</id><published>2009-07-28T05:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:08.852-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sm71gkaIzoI/AAAAAAAACDY/KAiscYvueaU/s1600-h/008.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363494146122763906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 277px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sm71gkaIzoI/AAAAAAAACDY/KAiscYvueaU/s400/008.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em certas cidades do Brasil pode-se constatar a presença marcante de alguns bairros enquanto pólos delineados e independentes. Essa independência não é a de natureza comercial; é aquela de cunho social e antropológico, aquela que afeta o imaginário local e ganha distinção literária, geográfica, popular e às vezes turística. Tais bairros acabam se tornando cidades dentro da cidade, pois, ao que parece, a limitação máxima utilizada para se diferenciar um cidadão de outro é de caráter municipal. Aceitar os bairros como diferenciadores seria delicado em demasia, já que, seguindo o mesmo raciocínio, poderíamos delimitar o morador não só pelo seu bairro, mas também pela rua e por fim pela casa – chegando à conclusão sofística de que todos os seres humanos são completamente diferentes uns dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Essa idéia dos “bairros-cidade” (engraçado lembrar que o termo “cidade-estado” já existiu) pode ser aplicada em locais como Salvador (Barra, Rio Vermelho, etc.) ou Rio de Janeiro (Leblon, Lapa, as favelas); mas o que me interessa é saber se o fenômeno ocorre em Feira de Santana. Parecerá óbvio que os bairros-cidade são, no sentido quantitativo, complexos demais para surgirem em não-capitais. Feira, entretanto, já possui um bairro assim: o Feira VI. Que, aliás, nem bairro é: é um conjunto que integra o bairro do Campo Limpo. Partirei da lógica de que, se já existe um, é porque pode existir mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pretendo pesquisar alguns bairros para sabê-los “bairros-cidade” ou apenas bairros. Essa “pesquisa” levaria anos, mas devo fazê-la dedicando apenas horas (talvez dias) para cada um dos bairros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu estado de pré-decepção já é latente, mas não triste. Afinal, como sair por aí dizendo que feirense é tudo igual e depois querer achar distinção entre bairros? Acontece que a particularidade presente no Feira VI é por demais desconcertante e não pode ser ignorada. Nasce daí meu desejo de encontrar outro bairro-cidade: para saber se o seu nível peculiar pode ser tão alto e deslumbrante quanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3335404450043205837?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3335404450043205837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/em-certas-cidades-do-brasil-pode-se.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3335404450043205837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3335404450043205837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/em-certas-cidades-do-brasil-pode-se.html' title='Feira de Santana III'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sm71gkaIzoI/AAAAAAAACDY/KAiscYvueaU/s72-c/008.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-8174427413347150981</id><published>2009-07-13T18:34:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:55:54.155-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ruas'/><title type='text'>Minha Rua II (O Beco de Tatá)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358124624993020418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Slvh9Tb7agI/AAAAAAAACDI/BLeYlK0pClQ/s400/006.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Origem do nome: a casa que se encontra à esquerda é habitada por uma família. Nesta, existe uma mulher, cujo nome desconheço, que carrega o apelido de Tata. Por isso, ou melhor, por algum motivo, o beco passou a ser chamado de Tatá (com a tonicidade na segunda sílaba).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando criança, ouvi de um colega meu que um sujeito tinha sido morto a tiros no beco de Tatá. Minha mãe não gostou d’eu ter escutado histórias violentas. Não sei por quanto tempo passei, desde então, a considerar o beco de Tatá muito perigoso. Entretanto, conheci todos os moradores que tangenciam o beco; agora já sei quem são, o que fazem e, inclusive, que não são assassinos nem ladinos. Mas essa história deixou uma marca profunda no meu imaginário: atravesso o beco inúmeras vezes; é uma das minhas principais vias de acesso; e sempre que passo por ali à noite bem tarde, penso que alguém poderia aparecer e me dar seis tiros nas costas, como o caso já clássico do homem que morreu no dito local. Sempre acho que seria uma tremenda falta de sorte morrer tão perto de casa, faltando tão pouco para abrir o portão e ficar seguro novamente – uma lógica bastante esquisita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É possível que a minha avó paterna tenha falecido por causa do Beco de Tatá – nunca se soube ao certo como se deu a doença que lhe foi fatal. Na foto abaixo, identifico a casa onde ela viveu: à esquerda, portas e portão amarelos. Como se vê, ela fica ao lado da casa na esquina do beco (a casa onde mora/morou Tata).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358124635960118146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Slvh98SsC4I/AAAAAAAACDQ/LfQUkKCcBP4/s400/007.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha avó morou nessa casa com meu avô por muitos anos. Eles vieram da zona rural, são de origem humilde. Para os não-adeptos à politicamentecorretocracia, eles eram dois ignorantes (meu avô ainda vive). E minha avó sempre teve um apego proustiano à casa dela. Quase nunca saía; quase sempre, quando o fazia, era pra andar pela rua; e sempre que o fazia, meu avô tinha que estar em casa, para esta não ficar só. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um dia, a prefeitura, não se sabe como, percebeu que o beco de Tatá era uma via de acesso bastante movimentada e com um tráfego razoável de veículos. Até carros conseguiam passar por ali, às suas maneiras. E, por conta disso, ficou decidido que uma rua de fato seria construída no lugar do beco – para isso, seria necessário a demolição completa das casas circunvizinhas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao que me parece, as únicas casas atingidas seriam a de Tata e as do lado direito. Mas, alguém, fatalista como eu, se aproximou de minha avó e lha informou que a casa dela também seria extinta. Esse boato, nos ouvidos dela, a fez adoecer – uma enfermidade que nenhum médico de Feira de Santana conseguiu diagnosticar. O mais próximo a que chegaram, com os sintomas de então, era afirmar que minha avó tinha entrado em depressão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não existia a menor possibilidade da casa da minha vó sair do lugar. Todos tentamos explicar-lhe, em vão. Se Oscar Niemeyer a visitasse e também dissesse para não se preocupar, de nada adiantaria. A minha avó já tinha alojado aquilo na cabeça e, mesmo que se convencesse do contrário, sempre sobraria o leve e nanométrico receio de que, talvez, quem sabe, porventura, a casa poderia ser danificada – e foi esse 1% da coisa que piorou assustadora e gradativamente a doença da minha vó. Paralelamente, ninguém tinha gostado – por motivos claros – da novidade. A Queimadinha, então, vivenciou uma revolta: vários moradores começaram a fartar de pedregulhos e bugigangas todo o beco, para torná-lo intransitável até mesmo para pessoas. Eu, um pouco mais crescido, jamais havia presenciado antes semelhante espécie de ato em conjunto; foi a primeira resolução política posta em prática que perpassou meus olhos. E, para subir o beco, precisava ir pelos cantos. Quando chovia, era impossível, pois alagava. Essa “revolta” dos moradores me prejudicou – mas eu, desde o início do baque, me sentia tranqüilizado e fascinado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Não me interpretem mal: meu fascínio não era intelectual, nem apreciativo, muito menos estético, pois nunca fui menino prodígio, e nem queria saber o que significavam esses conceitos. Mesmo que hoje isso me fascine, o “fascínio” da época era essencialmente pueril, o mesmo que senti quando ganhei, anos atrás, um boneco dos Cavaleiros do Zodíaco. Um tanto diferente, pois no segundo caso uma posse pessoal estava envolvida; no primeiro, o fascínio era de natureza dostoievskiana: eu admirava aquilo, mas em hipótese alguma poderia me envolver, por motivos vários).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha avó se dirigiu a vários hospitais e vários médicos a examinaram no próprio domicílio. Só não foi a Salvador ou qualquer outro lugar porque, além de ser dispendioso para os seus familiares, não parecia algo nada interessante a se fazer: se sair de casa era um suplício, sair de Feira de Santana poderia ser mortal. Tomou mil e um remédios, rechaçou a paciência de meia-dúzia de pessoas, estimulou a comiseração de mais dezenas e despertou a curiosidade para acompanhamento do caso de provavelmente muitas outras dezenas. A pior parte da minha semana era sempre o momento em que “precisava” visitar minha vó cuja sanidade já não tinha mais robustez: atravessava a rua, adentrava o quarto mal-cheiroso e constatava que o penico não estava vazio (o penico era sempre a primeira coisa que eu fitava quando entrava lá, e nunca estava vazio); preferia olhar primeiro para um penico maciço em fezes e urina do que para um rosto humano velho e acabado; era mais fácil ver aquela fôrma branca e redonda do que encarar aqueles olhos pastosos e brancos de tão gastos. Pois eu sabia que o penico não ia me pedir para pegar na mão dele; eu sabia que o penico não ia me chamar de Seu Zacarias e nem iria perguntar se o leite estava bom; aquele penico cheirando a merda só iria me fazer chorar se, na pior das hipóteses, o odor do seu conteúdo fosse forte demais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quem matou a minha avó? A Prefeitura? Os remédios inúteis? O fofoqueiro? Ou foi o Beco de Tatá, um espaço físico? Ou foi a casa dela, outro espaço físico? Ou foi a personalidade dela, que tinha um apego doentio a um espaço físico? Será que realmente “o espaço físico de uma cidade é importante demais para não estar em primeiro plano”? Creio que ninguém nunca me responderá a essas perguntas. Creio, inclusive, que as respostas estão aí, em Feira – mas num idioma que nenhum dicionário poderá decifrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-8174427413347150981?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/8174427413347150981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/o-beco-de-tata.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8174427413347150981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/8174427413347150981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/o-beco-de-tata.html' title='Minha Rua II (O Beco de Tatá)'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Slvh9Tb7agI/AAAAAAAACDI/BLeYlK0pClQ/s72-c/006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-6816732280760981000</id><published>2009-07-04T17:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:08.852-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana II</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sk_3iKMV8CI/AAAAAAAACC4/OnUa5w6YqQs/s1600-h/005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354770648190545954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sk_3iKMV8CI/AAAAAAAACC4/OnUa5w6YqQs/s400/005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Feira de Santana é como essa Igreja da foto acima: verde e marrom. Uma cidade que possui um senso prático altamente estranho, ao mesmo tempo em que organiza (sem critério algum) sua estrutura de modo a despertar nos homens a seguinte reflexão: “será que essas coisas só acontecem aqui?” Existem três limiares: o primeiro é o desejo romântico de que tudo que aconteça aqui lhe seja exclusivo; o segundo é o bom senso que sabe que essas coisas acontecem em qualquer lugar; e o terceiro é um meio-termo ainda não definido, mas é justamente desse último que Feira tenta se aproximar. Nós, feirenses, não nos apegamos descomedidamente às nossas exclusividades; entretanto, se nos pedem uma descrição rápida de nossa cidade, certamente a faremos pondo umas reticências no começo: “Rapaz...” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Feira de Santana é como essa Igreja da foto acima: uma casa de Deus recém-pintada quando antes era um bar. Por motivos óbvios, a foto desperta risos. E essas gargalhadas não são nem contidas nem colossais: mais uma vez, escolhemos o meio-termo. Nesse caso, ele se deve ao fato de que o motivo das risadas não é a construção bizarra da Igreja, e sim porque esta, apesar de tudo, funciona. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me perguntam onde está o marrom desta Igreja. Não é nas janelas. Ele simplesmente está aí, porque passa essa impressão. As coisas que acontecem em Feira podem ocorrer em qualquer outra cidade do interior; mas a minha terra proporciona esta impressão. E pela mesma razão que escrevo Igreja com I maiúsculo, o faço com o nome deste complexo demográfico chamado Feira de Santana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me perguntam se antes aí era um bar mesmo. Não sei. Assim como, daqui a 20 anos, as crianças irão perguntar se antes dos viadutos aquela avenida era daquele jeito mesmo. E nós, os jovens de hoje, não saberemos o que dizer. Apenas iremos nos orgulhar de ter visto a João Durval sem aquela pista de asfalto enorme rasgando o céu; nos sentiremos privilegiados ao saber que ela não foi fotografada, nem foi filmada, e toda a memória se encontrará apenas em nós. Não haverá quase nenhum registro audiovisual de Feira de Santana; nunca teremos um Pelourinho, nem um Pão-de-Açúcar, nem guerras civis. A gripe suína não chegará aqui. Nossos museus nunca trarão sequer réplicas de grandes obras; nossas bibliotecas nunca terão ar-condicionado; nossos homicídios nunca serão mórbidos; nossas putas nunca terão uma arcada dentária perfeita; nossos furtos jamais serão planejados, e nossos planos sempre soarão fraudulentos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Todavia, sempre teremos algo a dizer. &lt;a href="http://bandeiraaovento2005.blogspot.com/2006/01/escusa.html"&gt;Sempre haverá um cocô de cabrito para se chamar de tenro&lt;/a&gt;. Sempre seremos o ponto de referência mais insólito e inconfundível da história do Brasil – a história que ninguém se atreverá a contar, porque soará, em todos os sentidos, tola e pueril demais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-6816732280760981000?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/6816732280760981000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/feira-de-santana-ii.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6816732280760981000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/6816732280760981000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/feira-de-santana-ii.html' title='Feira de Santana II'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/Sk_3iKMV8CI/AAAAAAAACC4/OnUa5w6YqQs/s72-c/005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-9096886778787636881</id><published>2009-07-02T10:33:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:55:54.155-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ruas'/><title type='text'>Minha Rua I</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkzwGzuUcVI/AAAAAAAACCw/tAJX90L0-VU/s1600-h/004.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353918056791044434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkzwGzuUcVI/AAAAAAAACCw/tAJX90L0-VU/s400/004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;strong&gt;Moro na rua principal do bairro da Queimadinha – Rua Intendente Ábdon.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As casas da minha rua não são todas como a da foto acima. O estranho da coisa nem chega a ser uma casa de andar cuja parte de cima está abandonada e cuja parte de baixo vende acarajé e funciona como salão de beleza; o problema todo está no chão: todas as casas do trecho onde moro ficaram estranhas depois que a Intendente foi asfaltada.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A palavra &lt;strong&gt;Saudosismo&lt;/strong&gt; é porventura mais abrangente do que pensamos. Ela poderia se aplicar facilmente ao meu sentimento de “revolta em miniatura” quando vi a minha rua sendo asfaltada. Mas, com efeito, eu realmente penso, ou acho que penso, que a estética da rua foi violada quando seu chão de pedras passou a trajar essa imagem pateticamente urbana que é o asfalto. E, se na minha lógica pessoal eu sei que as coisas mudam e nada pode ser feito, nessa mesma lógica eu creio que não posso indiferente às mudanças que me cingem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era menor e meu pai passava pela Mª Quitéria comigo, ele sempre dizia: “aqui, Daniel, antes, era tudo mato”. Essa frase soava “bela” (isto é: soava como esse tipo de frase deve soar) porque ele, quando criança, viu e viveu esse “mato”. Por conta disso, no momento em que meu pai profere a frase, algo mais se impõe nesta do que a própria língua/linguagem; a experiência do meu pai entranhou-se no seu &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt; lingüístico e provocou um efeito particular de “belo nostálgico” que só ele poderia proporcionar. Eu, quando digo a mesma coisa a alguém, me sinto todo desengonçado; minha dicção se engalfinha e as palavras têm vergonha de sair, pois sabem que não têm fibra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, observem a esquina na qual a casa descrita acima se encontra (onde o homem na carroça vai entrando): ali, e também do outro lado que lhe é oposto, existia um esgoto a céu aberto. Os avanços da cidade taparam esses esgotos. A imagem de um &lt;strong&gt;Esgoto&lt;/strong&gt; é grotesca se comparada com a de um &lt;strong&gt;Mato&lt;/strong&gt;. Entretanto, quando digo que tal trecho de minha rua tinha um esgoto a céu aberto, falo com toda a propriedade, porque eu vi esse esgoto – senti seu cheiro pútrido, joguei lixo nele, urinei às escondidas, fiz piadinhas com quem morava próximo e, nos momentos de ócio mais intenso, fui capaz de pensar seriamente em me dirigir à prefeitura para fazer uma reclamação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-9096886778787636881?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/9096886778787636881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/minha-rua-i.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/9096886778787636881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/9096886778787636881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/07/minha-rua-i.html' title='Minha Rua I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkzwGzuUcVI/AAAAAAAACCw/tAJX90L0-VU/s72-c/004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3503780074159179986</id><published>2009-06-28T05:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:53:01.999-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lugares'/><title type='text'>O Shopping Boulevard (ou quase)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkdofLr0CjI/AAAAAAAACCQ/tIXlD3yoJOw/s1600-h/003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352361567074912818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 308px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkdofLr0CjI/AAAAAAAACCQ/tIXlD3yoJOw/s400/003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Eu odeio o Shopping Boulevard. E o pior: tenho motivos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(essa foto é do blog do Dimas)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dizem que o Shopping Boulevard se localiza na Avenida João Durval, uma das mais importantes da cidade. Ora: isso é mentira. O Shopping fica é na Coronel. Não sei qual o nome desse bairro. Não sei se “Coronel” é uma corruptela ou abreviatura. Não sei porque, nem como, mas desde que me entendo por gente eu me refiro a ele como “A Coronel”. Mas, enfim: é o bairro que fica, digamos, no sentido vertical, entre a Queimadinha e o Caseb (entre a Avenida Mª Quitéria e a Avenida João Durval).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há alguns meses, tivemos uma transformação devastadora na cidade: o nome de seu principal Shopping Center mudou. Passou de &lt;em&gt;Iguatemi&lt;/em&gt; para &lt;em&gt;Boulevard&lt;/em&gt;. Desconheço os motivos; são extensos e misteriosos. Oficinas serão ministradas, livros serão lançados, minisséries globais inspirar-se-ão, todos farão de tudo para tentar explicar o porquê da crise mundial, ou melhor, do novo nome do shopping, mas nunca esclarecerão de fato. Já me contaram mil versões, e nenhuma me pareceu verossímil. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No começo, a confusão era caótica. As pessoas &lt;strong&gt;davam mole&lt;/strong&gt;. Alguém dizia: “Vou no Iguatemi”. Quem corrigisse primeiro, era o tal: “É &lt;em&gt;Boulevaaaaard&lt;/em&gt;, tonto!” Quem dizia direto: “Vou ao Boulevard”, quase que recebia aplausos; era tido como iluminado. O mundo feirense se dividiu entre os que “se ligavam” no novo termo e os lerdos apegados ao passado. O diálogo abaixou se reproduziu infinitamente em Feira:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Vou ao Boulevard.&lt;br /&gt;- AONDE?&lt;br /&gt;- Boulevard! O Shopping! (os mais cruéis estalam os dedos ou dizem “Alô-ô”)&lt;br /&gt;- Ah. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A própria construção frasal se alterou: o uso do “ao”, antes, soaria cacofônico demais: vou-ao-i-gua [o-u-a-o-i]; como “boulevard” se inicia com consoante, podemos ficar mais à vontade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse fenômeno [lingüístico ou social?] da troca de nomes do shopping só é comparável à mudança extraordinária (creio que no final da década de 90) dos números de telefone, quando o dígito 3 fora adicionado na frente de todos os fixos do município. Muitos feirenses quebraram suas cabeças, e até mesmo se revoltaram. Piadas foram feitas, cantadas foram inventadas (eu mesmo, pedindo número do telefone de uma garota, dizia: “diga aí: três...”), e o número 3, ou a ausência dele, tornou-se a imagem do descaso e da decadência. Quando você chegava naquela loja de autopeças e via pintado o número 223-4567, pensava: “Poxa, esse daí já era”. Pior mesmo é se o estabelecimento ainda estiver funcionando: “Porra!, eles nem pra dar uma ajeitada no local!” Apenas observo a falta do 3, resolvo avaliar todo o ambiente; e constato que, com efeito, as paredes estão sujas, as cadeiras estão sem pernas, as luzes estão fracas, as moscas estão cada vez mais gordas, as tintas se descascaram, e as almas de todos, funcionários e clientes, já há muito foram corroídas e completamente arruinadas pelas carcomas do tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3503780074159179986?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3503780074159179986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/06/o-shopping-boulevard-ou-quase_28.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3503780074159179986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3503780074159179986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/06/o-shopping-boulevard-ou-quase_28.html' title='O Shopping Boulevard (ou quase)'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkdofLr0CjI/AAAAAAAACCQ/tIXlD3yoJOw/s72-c/003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-3934838697921879163</id><published>2009-06-27T04:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T19:52:08.852-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidade'/><title type='text'>Feira de Santana I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eis a primeira ocorrência que me aparece - sem discriminação de tamanho, cor ou conteúdo impróprio - quando digito &lt;strong&gt;Feira de Santana&lt;/strong&gt; no Google Imagens:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351965202047029410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 186px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkX__s5D0KI/AAAAAAAACB4/YHsgE8QGadg/s200/001.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não afigurou-se-me muito interessante. Essa mésoclise foi concebida em 2 segundos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351965206854671346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkX__-zSm_I/AAAAAAAACCA/cAmmXD8l238/s200/002.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Essa foto é mais bonita. Nenhuma das duas é de minha autoria, tampouco sei quem é o autor (dono). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Davi Santana de Lara diz que o Sol de Feira de Santana é completamente diferente do Sol de Salvador. Aqui, além de mais quente, é bem mais mal-intencionado: sua luz, além de uniforme, pacata e disciplinada, se utiliza dos meios mais inexplicáveis para não deixar passar nada - nenhuma cicatriz pode ser camuflada, nenhuma acne passa despercebida. Nenhuma vileza é esquecida, afinal. O Sol de Salvador é mais dinâmico, permite alterações de humor; você pode, sim, se esconder nas ruas de Salvador. Aqui, não. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nos homicídios da capital, quem vê sangue escorrendo, pensa: "é vermelho". Em Feira, pensa: "é vermelho e quente". Em Salvador seria necessário tocar o sangue para sentir a quentura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não posso continuar o post nessa linha, pois descambaria num texto a la Arnaldo Jabor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas Davi exemplifica sua teoria: seu chaveiro é um Buda (é?) em miniatura. Em Salvador, ele apenas enxergava o Buda como um todo. No Sol escaldante de Feira, ele conseguiu ver contornos antes jamais visualizados, pedaços acidentados e marcas milimétricas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É o Sol de Feira de Santana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-3934838697921879163?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/3934838697921879163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/06/feira-feira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3934838697921879163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/3934838697921879163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/06/feira-feira.html' title='Feira de Santana I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SkX__s5D0KI/AAAAAAAACB4/YHsgE8QGadg/s72-c/001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-374408919882153582.post-2642998927959538573</id><published>2009-06-26T17:39:00.000-07:00</published><updated>2009-06-27T05:46:27.205-07:00</updated><title type='text'>I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Esse blog estava sendo estimulado pelo meu envolvimento no projeto &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.torosessentaenove.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tôro Sessenta e Nove&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. E agora recebeu uma inspiração instantânea ao ler o blog &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;a href="http://provocacoesponto.blogspot.com/"&gt;Provocações&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, de Maurício Correia (no blog em questão, o autor assina como M. Correia; se queria deixar o primeiro nome escondido, já era).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/374408919882153582-2642998927959538573?l=o-tediosoargumento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/feeds/2642998927959538573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/06/esse-blog-estava-sendo-estimulado-pelo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2642998927959538573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/374408919882153582/posts/default/2642998927959538573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-tediosoargumento.blogspot.com/2009/06/esse-blog-estava-sendo-estimulado-pelo.html' title='I'/><author><name>Daniel Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13588940991446635479</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rDaC3HhrJRM/SS6RPzDZw8I/AAAAAAAABQ0/V1gWE96W6SE/S220/Hammershoi_170.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
